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Segunda-feira, 17 de Junho de 2024

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A tragédia de PC Siqueira é um marco na história da internet. Por Pedro Zambarda

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A tragédia de PC Siqueira é um marco na história da internet. Por Pedro Zambarda
Foto: Reprodução/Instagram
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Um sábio amigo sempre me disse que todas as vidas são potenciais tragédias, especialmente no momento da morte.

O YouTuber Paulo Cesar Goulart Siqueira, mais conhecido como PC Siqueira, foi encontrado morto em seu apartamento na zona sul de São Paulo em 27 de dezembro de 2023, pouco depois do Natal que ele afirmou que passaria solitário após um término de namoro. Não era seu amigo. Eu entrevistei o PC em 2014, para o DCM, em uma matéria com Felipe Neto.  

Tentei contato com ele em outras ocasiões, sem sucesso, para uma nova conversa. Mas é inegável o seu pioneirismo no YouTube como produtor de conteúdo.

No entanto, passado alguns dias, já em 2024, escrevo esse artigo para elencar alguns fatos. Porque eu cobri a época do Ilha dos Barbados quando ele foi acusado do crime de pedofilia.

Em primeiro lugar: PC nunca foi "inocentado". PC Siqueira sempre foi inocente porque a investigação policial não encontrou provas que configuram aliciamento de menores e nem material pornográfico em seus computados e celulares. A investigação não foi encerrada até o momento da morte, mas as provas em questão nunca foram encontras.

Em segundo lugar: PC era, sim, alvo de perseguição da Família Bolsonaro e de extremistas de direita. Sempre se declarou de esquerda e isso o diferenciava do próprio Felipe Neto. Tinha um discurso anti-hegemônico, progressista e nerd por excelência.

No terceiro ponto: Ao que me consta, a conversa que levanta a suspeita de pedofilia e o áudio em que aparece a voz dele conversando com um amigo são reais, não são conversas forjadas. Isso consta na mesma apuração polícia em que ele não se tornou sequer indiciado, nos momentos em que ele colaborou com essas investigações.

Jornalista não é policial, não é juiz e nem advogado de defesa. Os fatos, pelo que sei, são esses. E o que se viu, pelas redes sociais, foi a deteorização da saúde mental de PC até o momento de sua dolorosa morte.

Considerando que não somos juízes dos outros, tomo minhas as palavras de uma amiga próxima de PC Siqueira: "Acolham hoje, mostrem afeto hoje, o amanhã pode não existir".

Isso não é diminuir nenhum crime ou punição por parte do Poder Judiciário, mas cuidar da saúde mental de pessoas que são importantes na luta política. O clichê "tribunal da internet condenou PC Siqueira" não explica a totalidade do problema posto no momento de sua morte.

O problema no caso de PC veio na questão discutida posteriormente: As redes sociais precisam ser reguladas e os discursos de ódio de bolsonaristas precisam ter seu alcance cortado. Imaginar que esse ambiente de ódio não gera lucros para o X, para a Meta (Facebook) e as demais empresas é muita ingenuidade.

O YouTube, a própria plataforma que catapultou PC, ganhou dinheiro em cima de sua tragédia.

Mas o trágico, dizem os filósofos gregos, tem um quê de didático.

A tragédia de PC Siqueira pode indicar em qual caminho a internet precisa definitivamente sair. E isso está nas mãos de quem está nessas mesmas redes sociais.

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