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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2024

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O jornalismo do Intercept Brasil, a suposta delação e o caso Marielle

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O jornalismo do Intercept Brasil, a suposta delação e o caso Marielle
Foto: Reprodução
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Por Pedro Zambarda, editor da Folha Democrata.

Li, nas redes sociais, acusações de que o The Intercept Brasil "fez sensacionalismo" ao publicar que Ronnie Lessa teria apontado o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, como um dos mandantes da execução da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Discordo. O crime segue seis anos sem solução.

Entrevistei ontem, no DCM, um dos autores da reportagem, André Uzêda, que relatou que fontes próximas deram o relato da suposta delação de Lessa, ainda não homologada no STJ, e detalhes da proximidade de Brazão com o crime. Hoje O Globo publica que uma disputa de territórios em área de milícia está guiando as investigações da Polícia Federal.

A Polícia Federal, o atual ministro da Justiça Flávio Dino e demais autoridades se adiantaram em não confirmar a reportagem do Intercept, temendo que Ronnie Lessa e outros delatores recuem em seus acordos.

Mas o papel do jornalismo não é o mesmo de polícia. Se o repórter tem uma informação checada a trazer, ele deve trazer. A informação de Brazão no crime surge no mesmo tempo que a repórter Juliana Dal Piva, do ICL, noticia que o mandante teria foro de função.

Brazão tem um acusação de homicídio, da década de 80, nas costas, envolvimento político intenso com a formação das milícias do Rio de Janeiro, sobretudo com Rio das Pedras, e embates públicos com Marcelo Freixo, que era próxima de Marielle Franco, na época em que foi parlamentar. As pontas do acusado se conectam com o caso. E o crime pode ter outros mandantes.

A bolha lulista e de esquerda queria o envolvimento direto de Jair Bolsonaro no caso, sendo que os crimes de Adriano da Nóbrega, outro miliciano, não tem conexão direta. Já a bolha bolsonarista, inflada por Nikolas Ferreira, se apressou em chamar Brazão de "petista" por ter apoiado a reeleição de Dilma Rousseff ao lado de Eduardo Cunha.

A tragédia de Marielle Franco já é instrumentalizada politicamente. O jornalismo, depois de seis anos sem respostas concretas da Justiça, tem o dever de apurar e de trazer a tona as informações também para provocar as autoridades envolvidas.

Não se trata de ser assessoria do Ministério Público, como a imprensa corporativa foi no caso de Moro e Lava Jato contra Lula, que foi acusado e preso sem provas. Trata-se de tentar evidenciar o que pode haver nessa delação premiada.

E esperar que a PF faça seu trabalho.

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