Compromisso com a informação

Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Notícias/Política

Ansiedade e dúvida do eleitor podem transformar o debate de hoje em fator de desempate entre Lula e Flávio

Informações da FESPSP para a Folha TV

Ansiedade e dúvida do eleitor podem transformar o debate de hoje em fator de desempate entre Lula e Flávio
Foto: Reprodução/Globo
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Análise do Labop FESPSP revela que campanha negativa fez dobrar o número de indecisos nas pesquisas, diminuindo a vantagem do senador; mobilização de rua e recuperação da aprovação do governo alimentam cenário de equilíbrio.

A intensificação das campanhas negativas na reta final do segundo turno da eleição para presidente gerou um forte componente psicológico no eleitorado. O crescimento da ambivalência emocional e da ansiedade fez o número de indecisos dobrar na pesquisa espontânea da última Quaest, resultando na pulverização da vantagem inicial do senador Flávio Bolsonaro — fato espelhado no empate de 50% a 50% nos votos válidos, segundo o Datafolha.

 

Na análise dos cientistas políticos do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), o clima de incerteza generalizada torna o debate na TV desta sexta-feira (23/10) e a capacidade de mobilização contra a abstenção no domingo os fatores determinantes para definir o próximo presidente do país.

 

As pesquisas mostram que o principal motor desta reta final não tem sido a migração direta de votos, mas sim a insegurança que o eleitor desenvolveu em relação às suas próprias escolhas no primeiro turno. O cientista político e pesquisador Jairo Pimentel destaca que a agressividade do período eleitoral alterou o comportamento do público nas urnas.

 

"As últimas pesquisas Quaest e Datafolha revelam uma disputa presidencial cada vez mais equilibrada, mas também um fenômeno importante: o crescimento da ambivalência emocional do eleitorado. Minha hipótese é que a intensificação da campanha negativa pode estar produzindo ansiedade e levando parte do eleitorado a reavaliar suas escolhas."

 

Essa paralisia psicológica se reflete nos dados: na pesquisa Quaest, os indecisos na intenção espontânea saltaram de 7% para 14%, enquanto o medo da volta da família Bolsonaro atingiu 44%. Pimentel pondera que "ter uma preferência definida não significa estar emocionalmente seguro dela", o que abre uma janela crucial de volatilidade a poucas horas do pleito.

 

Tendência de alta

 

O cenário de dúvidas pavimentou o caminho para a diminuição da vantagem que Flávio Bolsonaro sustentava no início do segundo turno (52% a 48%), culminando no empate técnico absoluto registrado pelo Datafolha. O analista político e coordenador do Labop FESPSP, Beto Vasques, corrobora a tese de equilíbrio milimétrico ao detalhar as frações dos votos.

 

"Nessa terceira rodada do Datafolha neste segundo turno, o que vemos é a confirmação da tendência de acirramento na disputa. Nos votos totais, a diferença é de 1% para o senador (47% a 46%); porém, como nos votos válidos os candidatos aparecem empatados em 50%, a diferença real entre eles tende a ser menor que 0,5%."

 

Vasques acrescenta que o momento psicológico do eleitorado flerta com a mudança: "A tendência é favorável a Lula, que vem reduzindo a distância e, se a onda que o tem favorecido nesse segundo turno continuar até domingo, isso pode levá-lo à vitória."

 

O peso da mobilização de rua

 

Alinhado ao diagnóstico de reavaliação do eleitorado, o Datafolha captou melhora na percepção do governo federal. A aprovação de Lula oscilou positivamente para 49%, contra 48% de desaprovação, o que pode indicar impacto no eleitorado das medidas econômicas e sociais anunciadas recentemente.

 

Para o cientista político Hilton Fernandes, essa movimentação pode ser reflexo da mobilização dos eleitores de Lula nas ruas e redes sociais. “Isso pode criar a chamada 'onda favorável', na qual eleitores não muito firmes em relação a um candidato podem ser contaminados pela energia dos militantes do adversário.”

 

A influência do debate final

 

Diante de uma massa de eleitores que hesita e enfrenta forte desgaste emocional, o último confronto direto na televisão ganha contornos dramáticos. "O debate desta sexta-feira pode representar um momento importante para os eleitores emocionalmente ambivalentes. Poderá reduzir incertezas, reafirmar preferências ou contribuir para mudanças de voto. Não sabemos ainda em qual direção", afirma Pimentel.

 

Superado o debate, o desafio final do xadrez político se deslocará para a estrutura de transporte. O Datafolha revelou que Lula lidera entre os eleitores que moram longe de suas seções eleitorais, enquanto Flávio tem vantagem entre os que moram perto. Em uma eleição onde cada voto conta, garantir que o eleitor de baixa renda vença as barreiras geográficas e de deslocamento será o verdadeiro termômetro do resultado de domingo.

 

Pesquisas

 

A pesquisa Datafolha (TSE | BR-09709/2026), divulgada nesta quinta-feira (22/10) sob contrato da parceria entre a TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo, entrevistou presencialmente 2.520 eleitores de terça a quinta-feira (20 a 22 de outubro de 2026). Seus resultados possuem nível de confiança de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

A Quaest (TSE | BR-08535/2026) desta quarta-feira (21/10), por sua vez, realizou a coleta de dados de forma domiciliar entre os dias 17 e 20 de outubro de 2026, com 2.154 eleitores. O estudo, contratado pela Rede Globo e pelo jornal O Globo, possui margem de erro de dois pontos percentuais com nível de confiança de 95%.

Comentários:

Veja também

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!