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Sabado, 23 de Maio de 2026

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Célia Xakriabá cria grupo de trabalho para barrar privatização dos rios amazônicos

Folha TV recebeu informações da equipe da deputada indígena Célia Xakriabá

Célia Xakriabá cria grupo de trabalho para barrar privatização dos rios amazônicos
Foto: Reprodução/Instagram
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Iniciativa inclui pedido se audiência pública e questiona decreto que inclui Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização e ameaça territórios indígenas

A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) protocolou um requerimento na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados solicitando a realização de uma audiência pública para debater o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 942/2025, que pretende sustar os efeitos do Decreto nº 12.600/2025, responsável por incluir as hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização.

A iniciativa integra um conjunto de ações lideradas pela parlamentar para enfrentar o avanço da privatização dos rios amazônicos. Além do pedido de audiência, Célia anunciou a criação de um Grupo de Trabalho no âmbito da Frente Parlamentar Indígena para acompanhar os impactos das medidas e articular respostas legislativas em defesa dos territórios e dos povos tradicionais.
“O que está em jogo não é apenas um modelo de infraestrutura, mas a própria vida dos povos da floresta. Os rios são nossos territórios, nossa memória, nossa segurança alimentar e espiritual. Não aceitaremos que sejam transformados em mercadoria sem diálogo, sem estudos e sem respeito aos nossos direitos”, afirmou a deputada.

No requerimento, Célia destaca que a inclusão das hidrovias no Programa Nacional de Desestatização representa um impacto ambiental, social, cultural, espiritual e territorial profundo para povos indígenas, ribeirinhos, extrativistas e comunidades tradicionais que dependem diretamente desses rios para sua sobrevivência.

A deputada também aponta que o Decreto nº 12.600/2025 foi editado sem a realização de consulta livre, prévia e informada, como determina o artigo 231 da Constituição Federal e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Além disso, há preocupação com a ausência de estudos amplos e transparentes sobre os impactos socioambientais cumulativos das dragagens, concessões e do aumento do tráfego hidroviário.

A audiência pública deverá reunir representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais das regiões afetadas, membros do Poder Executivo, além de entidades como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Para Célia Xakriabá, o debate é fundamental para garantir que o Congresso cumpra seu papel constitucional de fiscalização. “O Parlamento não pode ser cúmplice de decisões tomadas a portas fechadas. Precisamos dar voz a quem vive nos territórios e sofre diretamente as consequências dessas políticas”, ressaltou.

A criação do Grupo de Trabalho e o pedido de audiência pública foram definidos durante agenda da deputada em Santarém (PA), em diálogo com os povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós, que estão mobilizados desde janeiro em defesa de seus rios e territórios.

Segundo a parlamentar, a mobilização no Tapajós expressa uma luta de dimensão nacional, que pode atingir outros territórios estratégicos do país. “Defender os rios amazônicos é defender a democracia, os direitos humanos e o futuro climático do Brasil”, concluiu.

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