Há uma crença na sociedade brasileira de que debates reservam, como resultado, o posto de vencedor ou perdedor.
Mesmo que não haja condições de mensurar "pergunta a pergunta" os acertos e erros, sobretudo pelo caráter subjetivo do próprio debate em si, é da assessoria e militância o poder de julgamento. Ou seja, a "cultura de arquibancada" é o que melhor explica a plateia ensandecida dos debates.
Não bastando o que já foi dito até aqui, sobretudo pelo que se acompanha em décadas de debates políticos e culturais, as redes inovaram colocando "um" contra "vinte" como forma de potencializar "a vitória".
Os "vinte" fazem o papel dos "desletrados" postos a prova diante do corajoso "intelectual" a enfrentá-los. E é daí que a porca torce o rabo, como diria minha avó: pensar que repertórios sofisticados ou hermeticamente acadêmicos irão enriquecer o cidadão médio é como acreditar em contos da carochinha. Não, não vão.
O modelo sensacionalista de debates pós-modernos, recheados de frases avulsas e argumentos improváveis, presenteia, por vezes com cadeiradas, a plateia de um coliseu que pouco se importa com a aquisição de conteúdo. Quem "vence" ou "perde", ganha, no máximo, seguidores em redes sociais ou ressonância capaz de garantir convites para podcasts ou programas de mesmo gênero.
Não é de hoje que políticos faltam aos debates, sobretudo em reta final de eleições, pois pouco ou nada acrescenta na mudança de voto por parte do eleitor. Debates são apenas e tão somente espetáculos dignos de causar rubor em Guy Debord, no além.
Ainda assim, algumas subcelebridades, tanto da política como das redes, comemoram vitórias em debates como se possível fosse determinar tal resultado. Conseguem ser narcísicos e ressentidos ao mesmo tempo. Narcísicos pela necessidade excessiva de admiração, e ressentidos por não atingirem tal feito. São tolos, medíocres, mas, mesmo assim, "influencers".
Adriano Viaro
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