Por Pedro Zambarda, editor.
Antes da repercussão em fevereiro no ICL, que fez a primeira entrevista com ele em público, e na revista Oeste, o piloto Mauro Mattosinho falou primeiramente sobre o empresário Danilo Treno à Folha TV em janeiro de 2026. Convidamos Mauro para duas entrevistas. A segunda terminou ontem (11).
Disse Mauro em janeiro à Folha TV: Quando começa a envolver dirigente de partido, começa a misturar, né, grana pública e privada. Isso para mim ficou muito evidente pela cronologia dessas compras e desses investimentos que eu posso chamar de apressados. Se você recapitular o que falamos na entrevista do Meteoro.
Rueda, para quem não sabe, é o presidente do União Brasil e estava lá. E tinha três figuras centrais que que atuavam aparentemente em sociedade. Tinha o Antônio Rueda, o Ruedinha, e o "Dani" Trento, um lobista sócio do Rueda nessas aeronaves.
Tive acesso a matérias sobre a CPI da Covid na primeira vez que eu voei com o Danilo Trento e vi por curiosidade no Google o nome dele naquele amontoado de matérias sobre desvio de dinheiro de vacina. Posteriormente ele aparece vinculado ao escândalo do INSS. Essa cronologia é curiosa, no mínimo
Os aviões começarem a ser comprados com o Danilo Trento na sociedade. E o terceiro elemento da sociedade é o ministro César Asfor Rocha, ex-ministro do STJ.
Mauro Mattosinho voltou a falar sobre Danilo Trento ontem à Folha TV, 11 de fevereiro: O deputado Rogério Correia fez um requerimento à CPMI do INSS pedindo a minha convocação ou não para eu ser ouvido a respeito desse indivíduo. Danilo Trento. Aparentemente o vinculo dele com o INSS precisa ser melhor apurado e há informações sobre rotina de voo minhas com ele que podem ajudar nessa apuração. E, se necessário, na responsabilização de Danilo.
Quem é Danilo Trento?
Além do jornal O Estado de S.Paulo e de veículos de Cuiabá, eu fui um dos primeiros jornalistas a cobrir o caso Danilo Trento na imprensa. Em 25 de junho de 2021, escrevi no Diário do Centro do Mundo: Sócio oculto, próximo de suplente de senador, que viajou para a Índia. O empresário Danilo Berndt Trento, do Mato Grosso, tem 36 anos e um envolvimento com a indústria farmacêutica que conecta a Precisa Medicamentos a um suplente do senador Eduardo Gomes, do MDB do Tocantins.
Danilo é sócio da empresa PRIMARCIAL HOLDING E PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede em São Paulo, com sua avó Jandira Meneguello Berndt. No mesmo endereço está a empresa PRIMARES HOLDING E PARTICIPAÇÕES – EIRELI, cujo sócio principal é Francisco Emerson Maximiano.
Os dois têm processo na Justiça juntos. Maximiano também é o principal sócio da PRECISA COMERCIALIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS LTDA em Itapevi, no interior de São Paulo. É a empresa Precisa da Covaxin e dos testes de covid com suspeita de superfaturamento e fraude.
Danilo Berndt é próximo do suplente do senador Eduardo Gomes, Ogari de Castro Pacheco, do DEM de Tocantins. Ogari é sócio-fundador da farmacêutica Cristália.
A proximidade entre os dois se mostra em um labirinto de empresas.
Danilo foi convocado para a CPI após uma série de reportagens na imprensa.
Conexão com Flávio Bolsonaro
Voltei a escrever sobre Danilo em 15 de maio de 2025: O esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) envolve nomes que já estiveram na mira da CPI da Covid, encerrada em 2021, incluindo os bolsonaristas Mauricio Camisotti e Danilo Trento.
No esquema DE R$ 6 bilhões no INSS, a Polícia Federal aponta que Trento, empresário, aparece em imagens do circuito de segurança do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, carregando malas e acompanhado de Virgilio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, então procurador-geral da Procuradoria Federal Especializada do INSS, e de Philipe Roters Coutinho, agente da PF.
(...)
Danilo Trento admitiu em 23 de setembro de 2021 que viajou a Las Vegas, nos Estados Unidos, em depoimento à CPI da Covid, no Senado Federal. Senadores da comissão suspeitam que ele tenha ido à cidade com o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.
Trento fez uso do direito ao silêncio com base em decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e não revelou o nome do parlamentar que o teria acompanhado nem a data da viagem. Disse que viajou em voo comercial.
Em janeiro de 2020, os senadores Flávio e Irajá Silvestre, filho de Kátia Abreu, foram aos Estados Unidos. Passaram oito dias em Miami e em Las Vegas, com diárias pagas pelo Senado Federal. Quem autorizou a viagem dos dois em “missão oficial” foi o então presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Ao todo, Flávio e Irajá receberam R$ 26.928,72 para custear as hospedagens. Quase 27 mil reais em dinheiro público. Eles integraram uma comitiva da Embratur para “capitanear grandes corporações de cruzeiros dos EUA para operar no Brasil”.
Na época, há dois anos, a Embratur era comandada por Gilson Machado, o ministro “sanfoneiro” de Bolsonaro. Também esteve na comitiva o deputado federal Hélio Lopes, o Hélio Negão.
A agenda do grupo incluiu uma reunião com o presidente do Las Vegas Sand Coorporation, Sheldon Adelson, o bilionário que contribuiu com US$ 25 milhões para a campanha de Donald Trump, o maior doador da campanha. Adelson, magnata de cassinos, foi também quem teria convencido Trump a mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.
Mauro Mattosinho coloca novamente Danilo Trento em um novo escândalo, o da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), com suas conexões em nomes do PCC e em políticos como Antônio Rueda e o "senador Ciro" - que muitos acreditam que seja Ciro Nogueira.
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