Folha Democrata recebeu essas informações oficiais.
Em meio ao avanço de lideranças conservadoras nas redes sociais, a vereadora recifense Kari Santos (PT) tem chamado a atenção do Partido dos Trabalhadores como uma aposta promissora para 2026. Jovem, combativa e com domínio das plataformas digitais, ela surge como um dos poucos nomes da esquerda com potencial real para disputar terreno — e influência — no mesmo campo onde a extrema direita se consolidou: a internet.
Com apenas 32 anos, Kari conquistou seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Recife com 9.321 votos em 2024, resultado considerado surpreendente para uma estreante na política institucional. Mas Kari não começou do zero: ela chegou às urnas com um capital construído a partir de uma base sólida nas redes sociais, onde soma mais de 273 mil seguidores. Seu conteúdo tem um perfil inconfundível — irônico, provocativo, contundente e abertamente à esquerda. Ela mesma se autodenomina “terrivelmente petista”.
Oriunda do Borel, na comunidade da Mangueira, zona norte do Recife, Kari representa um novo tipo de liderança popular: conectada com a base, mas com alcance nacional; com trajetória periférica, mas linguagem digital refinada. Sua atuação foge dos padrões tradicionais da esquerda institucional, apostando em memes, vídeos incisivos e uma narrativa combativa para disputar corações e mentes na internet — o mesmo terreno que alçou figuras da extrema direita à popularidade e ao poder.
Nos últimos dias, em pleno ciclo junino, a vereadora intensificou uma agenda estratégica no interior de Pernambuco, participando de debates sobre os rumos do PT estadual e a sucessão na direção da sigla. Em Caruaru, visitou o Alto do Moura e o Assentamento Normandia, onde participou das festas do MST ao lado da deputada estadual Rosa Amorim (PT). Por onde passou, foi recebida com entusiasmo e pedidos constantes de fotos e vídeos — sinais de uma figura em ascensão.
Aliados já apontam que sua movimentação tem tom de pré-campanha, mesmo que ainda não oficialmente declarada. Dentro do PT, cresce o entendimento de que Kari Santos pode ser a aposta do partido para disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026, representando uma nova estética e estratégia da esquerda para enfrentar a hegemonia digital da extrema direita.
Kari domina um tipo de comunicação que muitos políticos experientes ainda não conseguiram desenvolver. Ela mesma reconhece a façanha: “Transformar seguidores em eleitores foi uma das tarefas mais difíceis — e mais gratificantes.” Seu caso revela que a esquerda pode, sim, disputar nas redes, sem abrir mão da ideologia, da base e da combatividade.
Num momento em que o Brasil se aproxima de novas eleições gerais, Kari Santos representa mais que uma novidade: ela pode ser a resposta da esquerda à linguagem agressiva e viral que se tornou marca da nova direita. E mais do que isso — uma resposta que vem da periferia, com voz própria e sem pedir licença.
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