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Terça-feira, 15 de Setembro de 2026

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Modelo preditivo de pesquisador aponta até 67% de chance de reeleição de Lula

Informação fornecida pela FESPSP à Folha TV

Modelo preditivo de pesquisador aponta até 67% de chance de reeleição de Lula
O presidente Lula (PT) em fotografia oficial para a urna eletrônica nas eleições 2026 - Ricardo Stuckert/Divulgação PR
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Apesar da estabilidade de Lula e do avanço contínuo de Flávio Bolsonaro, modelo preditivo de pesquisador da FESPSP aponta até 67% de chance de reeleição do atual incumbente

A estabilidade nas intenções de voto no primeiro turno e a virada numérica de Flávio sobre Lula no cenário de segundo turno, apontadas pela pesquisa Quaest desta segunda-feira (14/9), consolidam a tendência de que a disputa pela Presidência da República não se resolverá em 4 de outubro. Na opinião de Hilton Fernandes e de Jairo Pimentel, cientistas políticos do Labop-FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), apesar de as oscilações individuais estarem na margem de erro, a ascensão contínua da oposição e a estagnação da avaliação do governo são reflexos de um eleitorado exausto por um debate público sequestrado por crises institucionais. Mesmo diante de tais desafios, a probabilidade de vitória do atual incumbente varia de 60% a 67%, segundo o modelo preditivo desenvolvido por Pimentel com base no histórico de aprovação governamental nas capitais brasileiras.

A pesquisa eleitoral Quaest divulgada hoje foi realizada entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026, ouvindo presencialmente 2.004 eleitores em todo o país. O levantamento, contratado pela Globo e pelo jornal O Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026, possui margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

 

Os dados apontam estabilidade no primeiro turno: Lula flutuou de 37% para 36%, enquanto Flávio oscilou de 29% para 31%. Na rodada anterior da Quaest, realizada em 7 de setembro, os candidatos apareciam empatados no segundo turno com 43 pontos. O novo levantamento, contudo, registrou uma inversão numérica: Flávio passou a liderar com 42% contra 40% de Lula.

 

Fernandes adverte que esse cenário reflete uma tendência de longo prazo — iniciada em julho, quando Flávio começou a subir de 37% até 42%, e Lula a cair de 45% até 40% — impulsionada pelo distanciamento do eleitor: "Existe uma apatia, uma descrença na política, impulsionada, entre outros fatores, pela profusão de informações em grande volume e, no ambiente de crise, muitas vezes desconexas. "Talvez isso explique o motivo pelo qual denúncias graves não tenham provocado abalos importantes no favoritismo dos candidatos", explica o cientista político.

 

Quem venceria em um provável segundo turno

 

O nível de aprovação governamental é o indicador mais usado para prever o resultado de eleições com governantes que buscam a reeleição, explica Pimentel. Historicamente, líderes que registram cerca de 32% de avaliação positiva — patamar exato alcançado por Lula na pesquisa Quaest divulgada pela Globo em 14 de setembro de 2026 — conseguem vencer o pleito em 67% das vezes.

 

No entanto, quando a métrica é simplificada para uma escolha binária entre aprovação ou desaprovação somente, a taxa histórica de sucesso cai para cerca de 60%, tendo em vista os 50% de desaprovação frente a 43% de aprovação do presidente no levantamento de hoje. O cruzamento dessas duas metodologias resulta em uma média ponderada de 63% a 64% de chance histórica de vitória, o que mantém o governante como um ligeiro favorito, apesar do ambiente político altamente polarizado e dos indicadores negativos de Lula e da avaliação de seu governo nas pesquisas recentes.

 

O desgaste do incumbente

 

Um dos dados captados pelas pesquisas que mais chamam a atenção dos especialistas da FESPSP é a dificuldade de Lula em reverter a reprovação de sua imagem e de seu governo, mesmo após a implementação de medidas populares no início do ano e contando com a exposição massiva no tempo de televisão.

 

Historicamente, o período de campanha eleitoral funciona como um propulsor natural da aprovação de presidentes que buscam a reeleição, mas o que se vê agora é um fenômeno de paralisia, com uma oscilação para cima apenas na avaliação regular. Fernandes destaca o caráter inédito desse comportamento: "Em todas as eleições desde a redemocratização, a imagem e a avaliação de governo durante o período de campanha melhoram, mas isso não está acontecendo com Lula agora".

 

Na pesquisa Quaest, o presidente enfrenta 50% de desaprovação frente a 43% de aprovação de seu mandato. De acordo com o analista, essa barreira contamina o potencial de crescimento eleitoral: "Se a avaliação pessoal vai mal, que é o caso do presidente Lula, não adianta falar que ele fez isso ou aquilo, porque o eleitor não vai votar".

 

O reflexo prático desse grau de desaprovação é a cristalização dos 36% de intenção de voto no primeiro turno, um patamar que, embora o mantenha competitivamente viável de acordo com os modelos preditivos históricos de Pimentel (que calculam uma chance de vitória global de 63% a 64%), já se mostra insuficiente para segurar o avanço da oposição.

 

Sem conseguir reverter a tendência até agora apontada nas pesquisas, o incumbente assiste ao derretimento de sua vantagem nas simulações de segundo turno, que culminou na inversão numérica da última pesquisa, na qual Flávio Bolsonaro passou a liderar com 42% contra 40%.

 

Pimentel concorda com a avaliação do colega: "Com a crise no STF, de fato, a gente observa que as campanhas não estão conseguindo impor sua agenda e temas que sejam discutidos pela população, que façam, assim, com que as intenções de voto variem de um lado ou para o outro".

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