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Domingo, 23 de Agosto de 2026

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Montanhas e pescadores tenta estabelecer o diálogo improvável entre China e Brasil. Por Pedro Zambarda

Uma resenha

Montanhas e pescadores tenta estabelecer o diálogo improvável entre China e Brasil. Por Pedro Zambarda
Foto: Divulgação/Autêntica
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Por Pedro Zambarda, editor.

Com 360 páginas, Montanhas e Pescadores foi publicado pela autêntica em 2024 na ocasião dos 50 anos das relações China e Brasil. A diplomacia brasileira estabeleceu relações próximas com os chineses com encontros a partir de 1974. As relações enfrentam um novo estágio com a decadência americana sob Trump.

João Cezar de Castro Rocha organiza essa obra em cima das contradições da China e sua história milenar. São os conceitos sólidos da montanhas e das rochas em contraste com o conhecimento volátil dos pescadores e do mar. É o complexo de um país asiático continental.

Há a contradição entre revolução (comunista) e construção.

O livro aglutina conhecimento literário chinês contemporâneo para quem não tem ideia sobre as artes desse polo asiático. Também aborda a ascensão audiovisual chinesa que é mais aparente: Tomando os videogames e o cinema, enquanto importa novelas brasileiras.

Resume João Cezar: Um autor como Mo Yan, laureado com o Prêmio Nobel em 2012, é famoso  por ser um lietor voraz e um conhecedor profundo de diversas tradições: imagem perfeita do autor-leitor, que escreve com os olhos enquanto lê e cuja escrita também é a memória bem digerida de leituras prévias. Desenha-se uma linha de continuidade que associa Machado de Assis, Jorge Luis Borges e Mo Yan - e nem mencionamos Gabriel García Márquez, nome fundamental para a litratura chinesa contemporânea.

Em idêntico diapasão, o cinema chinês preocupa-se com sua projeção internacional, tanto na busca de prêmios críticos consagradores da produção local quanto na tentativa de ingressar no circuito comercial planetário da distribuição hollywoodiana de filmes. Descrição que bem poderia ser usada para definir as promessas e os impasses do cinema brasileiro do século 21.

Os brasileiros desconhecem a China. O livro é um convite para comer a cultura asiática, juntar os aspectos semelhantes e os profundamente diferentes. Entender que submeter o português ao inglês, como se faz no Ocidente, não é em absoluto um atestado de riqueza cultural.

São as barreiras e as distâncias que podem ser o espaço para o conhecer o diferente.

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