Hoje me despeço de um amigo, de um intelectual brilhante e de uma das pessoas mais generosas que conheci no jornalismo.
Conheci o professor Lejeune quando ancorava programas no Diário do Centro do Mundo. A princípio, era mais uma entrevista. Mas, ao longo do tempo, aquelas conversas revelaram alguém muito maior do que a enorme produção intelectual que carregava.
Todos conhecem o escritor. O sociólogo. O analista internacional. O autor de dezenas de livros sobre geopolítica, marxismo, Palestina, Oriente Médio e tantos outros temas. Uma verdadeira máquina de produzir conhecimento.
Mas eu tive a oportunidade de conhecer também o ser humano.
Quem trabalha com jornalismo ao vivo sabe o quanto é difícil produzir convidados. A pauta muda, um entrevistado cancela, surge uma notícia de última hora… E o Lejeune era aquele nome que sempre estava disponível e pronto para agregar praticamente sobre qualquer pauta. Bastava uma mensagem. Quase sempre ele encontrava um jeito.
Não importava se havia passado o dia estudando, escrevendo, gravando para seu canal ou participando de outros programas. Ele estava ali, disposto a contribuir. Nunca fez do conhecimento um privilégio de poucos. Ao contrário: fazia questão de colocá-lo a serviço das pessoas. Essa disponibilidade dizia muito sobre quem ele era.
Lembro também da generosidade com que ajudava os veículos independentes. Quantas vezes criou parcerias para que seus livros fossem divulgados, vendidos, ajudando inclusive na sustentabilidade desses canais? Nunca vi alguém tão preocupado em fortalecer não apenas as próprias ideias, mas também quem estava trabalhando para levá-las adiante.
Tive a alegria de encontrá-lo também fora dos estúdios, num evento em São Paulo, onde lançava mais um título com sessão de autógrafos. Momentos simples, mas que hoje guardo com enorme carinho.
Há uma lembrança que, neste momento, ganha um peso ainda maior. Em diferentes ocasiões, o Lejeune me convidou para acompanhá-lo em viagens internacionais. Rússia. Irã. E, mais recentemente, China. Ele fazia questão de facilitar tudo o que estivesse ao seu alcance. A logística, a hospedagem, a programação. O único obstáculo era a passagem aérea. Na época, o veículo para o qual eu trabalhava não custeava essa despesa e, infelizmente, eu não tinha condições de arcar com ela.
Hoje percebo que esse foi um dos maiores arrependimentos da minha trajetória profissional. Não apenas pelos destinos em si, mas pela oportunidade de viver estas experiências ao lado de uma pessoa como ele, que tinha tanto prazer em ensinar.
Lejeune Mirhan deixa uma obra imensa. Seus livros continuarão formando leitores, provocando reflexões e ajudando milhares de pessoas a compreender melhor o mundo. Suas participações nas lives continuarão sendo assistidas.
Quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe que seu maior legado talvez não esteja apenas nas páginas que escreveu, e sim na forma como viveu: sempre disposto a ensinar, dialogar, incentivar e compartilhar.
Hoje o Brasil perde um dos seus grandes intelectuais. E eu, posso dizer sem errar, que perco um amigo e um parceiro de luta.
Obrigado por todas conversas, pelos ensinamentos, pela confiança, pelos convites e, principalmente, pela generosidade.
Sua obra continuará viva. E sua lembrança permanecerá em todos aqueles que tiveram o privilégio de aprender com você.
Descanse em paz, Lejeune Mirhan. Você foi gigante. Sua vida foi a expressão mais genuína do verdadeiro significado da palavra “professor”.
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