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Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

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O que se sabe do caso Cariani. Por Pedro Zambarda

Um compilado de informações

O que se sabe do caso Cariani. Por Pedro Zambarda
Renato Cariani é empresário, influenciador e atleta de fisiculturismo. Foto: reprodução
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  • A Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg na manhã desta terça (12), visando combater o tráfico de drogas e desvio de produtos químicos. A ação tem como principal alvo a empresa Anidrol, localizada em Diadema, Grande São Paulo, e conta com o influenciador fitness Renato Cariani como sócio. Cariani, bolsonarista com mais de 7 milhões de seguidores, também está entre os alvos da operação, que cumpre 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O grupo é suspeito de desviar toneladas de um produto químico utilizado na produção de crack, estimando-se entre 12 e 16 toneladas dessa droga.

  • PF aponta que o quilo do crack pode ser vendido entre US$ 3 mil e US$ 5 mil no mercado interno brasileiro. A operação, realizada em conjunto com o GAECO do MPSP e a Receita Federal, teve início em 2022, após uma empresa farmacêutica multinacional denunciar notas fiscais faturadas em seu nome, sem sua autorização.

  • A investigação aponta que o grupo emitia notas fiscais fraudulentas em nome de grandes empresas, como AstraZeneca, LBS e Cloroquímica. A PF solicitou a prisão dos envolvidos, com parecer favorável do Ministério Público, porém, a Justiça negou. Cerca de 60 transações dissimuladas vinculadas à atuação desta Organização Criminosa foram identificadas pela PF, totalizando cerca de 12 toneladas de produtos químicos (fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila), que poderia render até 19 toneladas de cocaína e crack prontas para consumo.

  • Polícia Federal pediu a prisão do influenciador bolsonarista Renato Cariani, suspeito de envolvimento em um esquema de desvio de produtos químicos destinados à produção de crack e cocaína, mas a solicitação foi negada pela Justiça. Ele foi alvo de busca e apreensão em sua mansão na manhã desta terça (12). De acordo com o delegado Vitor Beppu Vivaldi, foram feitos quatro pedidos de prisão, incluindo o de Cariani, e todos foram rejeitados pela Justiça. A PF investiga a empresa Anidrol, indústria química na região metropolitana de São Paulo que tem o influencer como um dos sócios.

  • A investigação chegou ao nome do influenciador Renato Cariani por meio de depósitos de R$ 212 mil feitos por um amigo seu, Fabio Spinola. O repasse foi feito com dinheiro em espécie em nome da AstraZeneca à Anidrol, empresa da qual o fisiculturista é sócio. O caso começou em 2017, quando a AstraZeneca foi notificada pela Receita Federal para explicar seus negócios com a Anidrol. O Fisco identificou dois repasses: um no valor de R$ 103,5 mil e outro de R$ 108,5 mil.

  • A empresa de Cariani também foi notificada e alegou que forneceu cloreto de lidocaína à AstraZeneca, substância usada pela farmacêutica e também faz parte da produção de crack. A Anidrol ainda mostrou trocas de e-mails de um suposto representante do laboratório, chamado Augusto Guerra, que seria o responsável pela negociação. A AstraZeneca afirmou que Augusto Guerra não tem qualquer relação com a empresa, afirmou que nunca manteve “qualquer relação comercial” com a Anidrol e alegou que não faz pagamentos em espécie. O laboratório decidiu fazer uma denúncia à Polícia Federal sobre o caso em julho de 2019.

  • Depois da quebra de sigilo, a PF descobriu que Fabio Spinola, amigo de Cariani, foi quem se passou por representante da AstraZeneca. Ele também seria o responsável, segundo investigadores, por intermediar o esquema e direcionar as entregas a traficantes.
  • A Polícia Federal ponta que Renato Cariani, influenciador e sócio da empresa Anidrol, tinha conhecimento dos desvios de substâncias químicas feitos pela companhia e sabia também que estava sendo monitorado pela polícia. Em uma troca de mensagens obtida pela investigação, divulgada pela GloboNews, pouco antes da operação da PF, Cariani diz o seguinte a outra sócia da companhia: “Poderemos trabalhar no feriado pra arrumar de vez a casa e fugir da polícia”. A sócia do influenciador bolsonarista diz, em outra troca de mensagens, que seria possível “retirar o rótulo” dos produtos para ludibriar as investigações.

  • Foram cumpridos, no total, 18 mandados de busca e apreensão em endereços em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Os alvos da operação são suspeitos de desviar 12 toneladas de produtos químicos para produção das drogas.

  • O nome da operação, Hinsberg, faz referência a Oscar Hinsberg, químico cujo trabalho possibilitou a conversão de compostos químicos em fenacetina, principal insumo químico desviado no esquema criminoso. Influencer bolsonarista e outros envolvidos podem responder por tráfico, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, com penas que ultrapassam 35 anos de reclusão. A ação conta com o apoio do Gaeco e da Receita Federal na busca por evidências que esclareçam o esquema criminoso de desvio e tráfico de drogas.

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