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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026

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Olha a banana! Olha o bananeiro! Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

Olha a banana! Olha o bananeiro! Por Lia Sérgia Marcondes
Imagem: Criada com IA, licenciada pela Shutterstock/Folha Democrata.
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Yes, nós temos bananas! Se nada mais der certo (ou se tudo der certo), Dudu pode virar vendedor de bananas após sua saída da prisão.

Oxe! Que foi? Me adiantei, é? Foi mal aí... Acho que foi mais um dos meus surtos de otimismo desenfreado. São raros, mas acontecem com frequência quando eu imagino golpistas sendo presos. Chega aquece o meu coração. Ai, ai...

É que essa semana começou com coisas felizes (Obrigada, “Seu” Gonet!), depois tivemos os ataques covardes contra a Marina Silva, mas terminamos com a cassação do mandato de Rubinho Nunes. Haja pirueta para dar conta dessa dança! Vamos por partes...

PRISÃO EM DOSE DUPLA?

A semana começou com Dudu Bananinha e Papai Bozo mais próximos do que nunca de uma prisão preventiva. O eterno estagiário do trumpismo virou alvo de inquérito no STF por tentar pressionar o Judiciário brasileiro direto dos EUA. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou o deputado licenciado de tentar interferir no andamento de processos judiciais, inclusive a ação penal contra seu pai, Jair Bolsonaro.

Já o papai Inelegível ganhou mais um mimo do nosso ministro Alexandre “Xandão” de Moraes: além de autorizar o inquérito contra o Bananinha, determinou que o patriarca preste depoimento à PF em até dez dias, por ser o “responsável financeiro” do filho no exterior. Um amor de família.

Réu por tentativa de golpe e outros carinhos anti-democráticos, Seu Jair agora não pode nem piscar torto, enquanto o STF discute se o prende com ou sem aviso prévio. Há quem diga que a toga de Moraes já está sendo passada com carinho especial, a vapor. Oremos!

“BONITINHA”, MAS ORDINÁRIA

E a vereadora paulistana do partido Novo (aquele que ironicamente só reproduz a velha política), que resolveu fazer seu tour completo pelo ridículo? Cris Monteiro conseguiu completar o combo: racismo, elitismo e total desconexão com a realidade. Depois de declarar na Câmara que era perseguida por ser “branca, bonita e rica”, a “nobre senhora” voltou à carga: se disse vítima de preconceito porque uma colega negra ousou mencionar... sapatos caros.

Num evento da Federação Israelita, Monteiro reclamou da crítica e mandou um “imaginem se eu dissesse: quero convidar a vereadora preta para visitar a Faria Lima com seus sapatos baratos”. A plateia riu. Ela achou genial. Esta coluna, não. Esta coluna só tem uma nota para dar: a de repúdio.

Luana Alves (PSOL), sempre cirúrgica, classificou a fala de Monteiro como racista e elitista; e prometeu ir até o fim para que haja punição. Enquanto isso, Cris Monteiro segue dizendo que “repudia interpretações preconceituosas”. Claro! Deve ser tudo culpa da sintaxe e do ouvido alheio. A pergunta que fica é: o que incomoda mais? Os sapatos “baratos”... ou a pobreza de espírito?

Imagem: Criada com IA/Folha Democrata.

”NÃO SOU SUBMISSA!”

Mais uma terça-feira absolutamente normal no Senado Federal: homens brancos, velhos e vaidosos destilando misoginia como se fosse argumento. O alvo da vez? Marina Silva. Mulher preta, nordestina, combativa e infinitamente mais preparada que todos os trogloditas da Comissão de Infraestrutura somados.

Chamada para falar sobre a preservação da fauna, da floresta e, por tabela, da nossa própria sobrevivência, Marina acabou tendo que se defender de ataques pessoais, provocações toscas e ameaças de retaliação institucional. Porque, no Brasil, o que realmente incomoda uma certa elite política é a mulher que não abaixa a cabeça.

Diante da hostilidade absurda, Marina fez o que muitos sonham: levantou-se e saiu. Disse o óbvio: “Não sou submissa!”. E deixou os valentões falando sozinhos. Ali, meus caros, quem saiu menor foram eles. Muito menores.

Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcos Rogério (PL-RO) deram um show de machismo explícito, racismo velado e ego inflado. E o que fez Davi Alcolumbre, presidente do Senado? Chamou tudo de “fala infeliz”. Pronto, assunto resolvido. Sem punição, sem indignação institucional... apenas silêncio cúmplice e uma piscadinha para a turma do petróleo.

TODA CRETINICE SERÁ CASTIGADA

Na ronda final de uma semana cheia de altos, baixos e muito baixo nível, terminamos com os refrescos: o coach que confunde “fé” com “fake” vai ter que “mudar a mentalidade” e acrescentar novos “feitos” à sua  bio de apresentação nas redes sociais: réu por difamação e falsidade ideológica em ano eleitoral.

Foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral o ex-candidato à prefeitura de São Paulo que tentou derrubar Guilherme Boulos com mentiras rasteiras. Ao invés de debater propostas, preferiu a fórmula fácil do esgoto da política: calúnia, difamação e documento falso.

Às vésperas da eleição, Marçal publicou no Instagram um laudo médico forjado, afirmando que Boulos teve um surto psicótico e testou positivo para cocaína. O documento era tão verdadeiro quanto as promessas de “ficar milionário com mindset”. Quem ajudou na encenação? Um biomédico e um advogado. O trio foi denunciado ao MP.

E Marçal? Silêncio total. Deve estar consultando Deus, o advogado e as métricas de engajamento. Porque quando a fé vira fake e a política vira circo, o mínimo que a gente espera é que o palhaço seja desmascarado.

A CEREJA NO BOLO DA DEMOCRACIA

Eu não sei vocês, mas eu adoro quando um canalha cai e derruba outros iguais junto com ele. A nossa semana terminou com este mimo da Justiça Eleitoral: Rubinho Nunes, o vereador que achava que rede social era tribunal e que fake news era argumento político, teve o mandato cassado, por ter ajudado a divulgar o laudo falso contra Guilherme Boulos. Sim, sim! Aquele mesmo da nota anterior.

O juiz foi direto ao ponto: Rubinho abusou dos meios de comunicação, do poder político e da paciência de quem ainda acredita em eleições limpas. Resultado: mandato cassado, ficha suja e oito anos de férias compulsórias da vida pública. Aliás, ele e Marçal: inelegíveis, de mãos dadas.

O vereador, claro, diz que vai recorrer. Porque quem mente profissionalmente nunca assume nada. Como disse Boulos: é uma vitória, ainda que tardia. E a gente só pode completar: cada fake postado é um passo rumo à própria ruína.

Imagem: Montagem sobre reprodução/Folha Democrata.

E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, o fim do mundo pode até ser inevitável, mas a manter a cabeça no lugar é ato político em terra arrasada.

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