Por Pedro Zambarda, editor da Folha Democrata.
O livro Privataria Tucana, de 2011 e escrito pelo jornalista investigativo Amaury Ribeiro Júnior, que passou por Istoé, pelos jornais e pela Record, escancara uma história que hoje é pouco debatida na imprensa - talvez mais conhecida na atuação de Fernando Henrique Cardoso pela mídia. Ou pela blindagem que FHC e as privatizações de seu governo tiveram enquanto ele era presidente.
Amaury começa o livro com um crime que ocorreu com ele em Brasília e sua mudança para Minas Gerais e o jornal Estado de Minas. E, com uma riqueza de detalhes, ele narra a guerra intestina do PSDB em torno dos seus dois campeões para disputar a presidência contra o PT: Aécio Neves e José Serra.
Aécio, segundo o relato de Amaury, usava abertamente o jornal Estado de Minas para sabotar Serra, que contra-atacou através do Estado de S.Paulo, o Estadão. Jornais e jornalistas são expostos em uma briga regional que envolve os sucessores de FHC que nunca conseguiram derrotar Lula ou sua sucessora, Dilma Rousseff.
Trata-se de um livro com mais de uma década de existência, mas que merece a sua visita. Quando foi lançado, lembro que dei mais importância ao Príncipe da Privataria, de Palmério Dória. Mas a Privataria Tucana escancara essa guerra e os negócios de Serra e sua filha, o que gerou uma disputa judicial em torno do tema.
Mais: O livro também entra no embate em torno da candidatura Dilma Rousseff. Uma briga de bastidor no PT entre Rui Falcão e Fernando Pimentel, que passa pela revista de Veja, morada dos então antipetistas Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi.
Muitos não se lembram dessas histórias. Por isso, vale a sua [re]leitura.
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