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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026

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Trumpígula Bonaparte. Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

Trumpígula Bonaparte. Por Lia Sérgia Marcondes
Imagem: Trumpígula Bonaparte/Folha Democrata
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Trumpígula, o pretenso “Xerife do Mundo”, segue firme na sua ópera bufa napoleônica para se autoproclamar imperador global. Exigiu que a Dinamarca entregue a Groenlândia; ordenou que o Irã se comporte; mandou descer a porrada em estadunidenses que protestam contra o próprio desgoverno; autorizou que agentes do ICE matem sem consequência; suspendeu vistos de 75 países e conseguiu o milagre diplomático de instaurar o caos até na Copa do Mundo de 2026.

Vejamos: ele mexeu com Venezuela, Groenlândia, Dinamarca, União Europeia, OTAN, Irã, o próprio povo estadunidense, e a FIFA. Tudo isso em poucos dias! A insanidade virou política externa.

Mas calma. Tivemos uma grande alegria: “O Agente Secreto” arrasou no Globo de Ouro. E, se você quiser futilidade para fingir sanidade neste caos, começou o BBB26. Se bem que... já teve gente atacando o Bolsa Família e participante passando mal na primeira prova. Deixa quieto!

Vai lá buscar teu café, extra forte, que agora a gente vai falar de Brasil. E aqui, como sempre, não tem açúcar.

COMPRE UM, LEVE DOIS

Trumpígula resolveu que o mundo é uma grande feira, e toda hora é hora da xepa. Depois da Venezuela, agora quer a Groenlândia. Não porque ele adore os inuítes, é claro. É apenas o óbvio imperialista: base militar, terras raras e delírio imperial embalado como “segurança nacional” e “defesa da liberdade”. (Só se for a liberdade dele de ser um maníaco...)

A Groenlândia respondeu com elegância escandinava e firmeza política: Nem f*dendo! Eles preferem continuar ligados à Dinamarca a virar quintal dos EUA. O trumpismo, que só respeita soberania quando é a própria, fingiu surpresa.

Resumo: para tentar salvar seu “império” da decadência vertiginosa, Trump segue tentando comprar o planeta no cartão corporativo da Casa Branca.

”WAR” LIVE ACTION

Enquanto Trump joga "WAR" em live action, Lula faz o que um estadista faz: pega o telefone e conversa com lideranças. Falou com Delcy Rodríguez, falou com Vladimir Putin e reafirmou o óbvio que o trumpismo odeia ouvir: soberania não se sequestra.

Lula está jogando no tabuleiro internacional tentando segurar as pontas entre duas potências em choque: de um lado os EUA, com ataque militar e sequestro de um chefe de Estado vizinho; do outro a Rússia, que se coloca como contrapoder e apoia formalmente qualquer regime que confronte Washington. A diplomacia do governo brasileiro tenta evitar um rompante beligerante, apela à “soberania”, “zona de paz” e à ONU, e faz ligações protocolares para sinalizar presença.

É a diplomacia lulística raiz, sem show pirotécnico e sem bravata de xerife. Enquanto os EUA desestabilizam, o Brasil tenta impedir que a Venezuela vire mais um troféu daquele império em decadência.

DELENDA... O MUNDO?

A metralhadora de Trumpígula não tem direção: aponta para fora, quando ameaça países inteiros, e para dentro, quando decide que a imprensa, os imigrantes e o seu próprio povo são os inimigos internos.

Sob o comando do Imperador Cheetus, os EUA agora tratam os direitos civis como “concessão temporária”. Só tem direito quem se comporta, segundo a cartilha Trump. Não seguiu à nova ordem, o FBI bate à porta, como fez com um jornalista do Washington Post. A liberdade de imprensa entrou oficialmente na lista de suspeitos. Em Minneapolis, os protestos contra a política migratória terminaram com uma mulher inocente morta pelo ICE, sem punição para os seus algozes.

No plano externo, a lógica é a mesma: ameaça Cuba como quem cobra aluguel atrasado, suspende vistos em massa, revoga mais de cem mil autorizações de entrada e transforma a imigração num espetáculo punitivo. Para o Brasil, o resultado é concreto e nada simbólico: deportações dobradas, famílias separadas e vidas descartadas como dano colateral da campanha permanente do ódio.

E no meio disso tudo, Trumpígula ainda tenta fingir que consegue ser um estadista, dizendo que não é preciso “capturar” Vladimir Putin. Claro que não. Ditador amigo não se caça. Ainda mais um que pode jogar uma bomba nuclear na sua cabeça, né Laranjão? O alvo preferencial é sempre jornalista, pobre, imigrante, país periférico ou qualquer um que lembre que soberania não é mercadoria.

O império está implodindo, mas até a sua completa derrocada, vai arrastar tudo o que puder para a destruição. E quem paga a conta nunca é quem puxa o gatilho.

E POR FALAR EM DECADÊNCIA...

Charge: Leandro Assis /Instagram (@leandro_assis_ilustra)

Enquanto Trumpígula esmurra o mundo, o seu discípulo tropical derrete em câmera lenta. Jail Bolsonaro virou personagem fixo do noticiário médico-judicial: crise aqui, tombo ali, hospital acolá. Micheque faz drama, Jair bate a cabeça, faz exames, pede mais exames, pede mudança, pede socorro! Neste proto-roteiro kafkiano, Xandão segura o espetáculo.

Enquanto isso, a defesa tenta emplacar prisão domiciliar, visita religiosa, Smart TV... É prisão ou hotel? O retrato é cruel e simples: quem governava no grito agora negocia no sussurro; quem ameaçava instituições depende delas para levantar da maca. Ora, ora se não são as consequências das suas próprias ações? Pois é, o bolsonarismo está acabando do jeito que começou: confuso, barulhento e pedindo arrego. Sem anistia!

SEM ANISTIA

E quando parecia que o Congresso Inimigo do Povo ia tentar mais uma vez empurrar o golpe como “excesso interpretativo”, Lula foi lá e puxou o freio de mão. Vetou a redução de penas dos golpistas do 8 de janeiro e acabou a conversa mole dessa tentativa desavergonhada de anistia.

A jogada parlamentar era velha conhecida: suavizar crimes, mexer na dosimetria, cortar tempo de cadeia e vender a tentativa de golpe como se fosse confusão de excursão mal organizada. Lula respondeu do único jeito aceitável: não. Golpe não é bagunça, não é protesto e não vira infração de menor potencial ofensivo.

O recado é direto e indigesto para os saudosos da ditadura gourmet: quem tentou rasgar a Constituição vai pagar a conta inteira. Sem cupom, sem parcelamento, sem “coitadismo patriótico”. Enquanto uma parte do Congresso sonha em reescrever o 8 de janeiro como “mal-entendido histórico”, o veto deixa claro que democracia não entra em liquidação.

SEM EMENDA, SEM MIMIMI

E já que a caneta presidencial está quente, Lulinha aproveitou para cortar R$ 400 milhões em emendas parlamentares que estavam distribuídas como moeda de troca no orçamento. Nada de agrado disfarçado nem política do “eu te dou, você me dá depois”. O veto foi seco, cirúrgico e sem abraço coletivo.

A jogada é política e simbólica ao mesmo tempo. Um tapa na cara da velha prática de orçamento como balcão de negócios. Ninguém aguenta mais esse parlamentarismo de feira livre! Nada de suposta “reforma do orçamento” maquiada de bondade e cheques em branco para aliados de ocasião. VE-TA-DOS!

Contra a lógica de transformar os recursos públicos em moeda de favores, Lula provou que a caneta presidencial ainda tem muita tinta, e deixou claríssimo que o orçamento não é pombo correio de lobista. Adoro!

BIG BROTHER BALELA

Chega o fim do dia, a gente vai olhar TV pra desopilar o fígado, dar um tempo da atualidade que sangra, esquecer a facada do IPVA na carteira… e o que vem? Groselha sobre Bolsa Família no BBB. Sério? Nem no reality escapamos do vale-tudo ideológico.

A atriz Solange Couto soltou uma fake news muito popular sobre o Bolsa Família, mas a resposta do Governo Federal brasileiro foi ligeira, para cortar a bobagem na fonte. Em nota oficial, desmentiram a conversa mole e lembraram que o Bolsa Família existe, funciona e é política pública real, que muda vidas.

Escutar mentira barata sobre programa social quando você só queria um pouco de alívio mental é dose. A televisão que devia ser escape vira extensão da fábrica de ruído ideológico. Até tu, Dona Jura? Não é brinquedo, não!

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS

Fonte: Reprodução/AFP

No meio da ópera bufa imperial e do noticiário tóxico, uma boa notícia para lembrar que o Brasil também exporta talento, e não só café e commodities. “O Agente Secreto” venceu o Critics Choice 2026 e o Globo de Ouro, confirmando que o cinema brasileiro segue vivo, relevante e reconhecido lá fora.

E o grande astro da noite, no Globo de Ouro, foi o meu conterrâneo Wagner Moura, que levou a estatueta na categoria Melhor Ator de Drama, com direito a finalizar o discurso em português. Os gringos que lutem!

O filme de Kléber Mendonça Filho furou a bolha do subdesenvolvimento mental que insistem em nos vender e mostrou que, apesar do desmonte cultural, a arte brasileira continua falando alto e brilhando para o mundo. Que venha o Oscar!!

E por hoje é só, minha gente. Neste país da piada pronta, continuo servindo seu cafézim com uma colherinha de sarcasmo e pitadas de bom humor. Porque enquanto impérios implodem, reacionários gritam e o cinema brasileiro atravessa fronteiras, eu sigo aqui tentando mostrar (também) um pouquinho do que o Brasil tem de melhor.

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