2026 não será apenas um ano de eleições. Será o ano da possível refundação do Brasil ou o ano do abismo definitivo. Estamos diante da necessidade histórica de vencer o fascismo mais uma vez, mas agora precisamos derrotar esse mal mundial que escolheu o Brasil como seu maior e mais promissor laboratório.
Por isso, faço um alerta logo aqui no início: leia este texto até o fim. Não trago apenas uma análise de conjuntura; trago uma convocação. Ao final desta leitura, apresentarei uma estratégia de reação — um verdadeiro Cavalo de Troia para entrarmos no campo que eles dominam, liberando os soldados necessários para essa batalha: vocês.
A Raiz do Problema: A Dependência Atualizada
Para entender este abismo, precisamos resgatar a única teoria que explicou o Brasil de verdade. Ela surgiu entre os anos 50 e 70, por economistas que ousaram olhar para o espelho e ver o que realmente somos. Havia ali uma disputa de visões: de um lado, a turma de Fernando Henrique Cardoso e sua "dependência associada"; do outro, a lucidez cortante da turma de Celso Furtado. E deixo registrado aqui, para a história e para quem quiser conferir, que Furtado e a Teoria da Dependência nunca foram tão atuais.
Eles compreenderam que o subdesenvolvimento não é uma fase, é uma posição no tabuleiro. O capitalismo central — aquele da Europa e do povo branco — precisa visceralmente do capitalismo periférico. Eles precisam que a gente continue produzindo matéria-prima barata para que eles a transformem em tecnologia e nos vendam de volta a preço de ouro.
Mas hoje, essa dependência ganhou uma nova camada, mais sutil e letal. Quem tem feito um trabalho primoroso e incansável de alertar o Brasil sobre isso é o analista Rey Aragon. Ele é uma das vozes mais lúcidas a denunciar o que chamamos de "guerra híbrida permanente". O que antes era imposto apenas pela dívida externa e pela nossa estrutura agrária arcaica, hoje é imposto pela "guerra cognitiva" (nas palavras de Aragon) e pelo "Caos Civilizacional" (conceito que uso em minhas análises).
O centro do capitalismo não quer apenas o nosso minério, commodities e juros altos; ele quer a nossa capacidade de interpretar a realidade. É o que chamo nos meus estudos de Mais-Valia Tecnológica: eles expropriam a nossa atenção e a nossa soberania mental para que a gente aceite a posição de colônia sem reclamar.
Não se engane sobre a origem dessa tática. Quem ensinou a direita brasileira a operar nesse campo foi Olavo de Carvalho. Ele compreendeu, antes de nós, a força da guerra cultural. Ironicamente, ele se apropriou do método de um pensador marxista, Antonio Gramsci, e inverteu o sinal. Olavo ensinou a elite a disputar a hegemonia no campo das ideias e da cultura, acusando a esquerda de fazer "marxismo cultural" (um termo que eles deturpam, mas usam com eficácia) enquanto eles mesmos aplicavam a cartilha de uma contra-revolução cultural reacionária. Eles aprenderam a usar o método da esquerda contra nós, mas agora potencializado pela tecnologia e pelo dinheiro. Enquanto nós usamos até os dias atuais os jornais do sindicato (sim, isso ainda é importante), eles partiram para algo mais poderoso: a mudança cognitiva via tecnologia.
O drama é que o Brasil nunca saiu desse ciclo. Mudam-se os nomes, modernizam-se os termos, mas, na minha visão, a essência permanece intacta. Quem tem a coragem de dizer isso com todas as letras hoje é o MST: ainda vivemos no sistema de plantation. Somos as grandes plantações que alimentam o mundo de comida, enquanto somos obrigados a comprar toda a tecnologia de fora porque aqui, internamente, produzimos quase nada. É a soberania de fachada, agora vigiada por algoritmos.
A Geografia da Resistência e o Rolo Compressor
Houve até uma tentativa tosca de ruptura. A própria ditadura militar tentou uma pré-industrialização (quem diria que eles, de alguma forma, acreditavam em soberania), mas com aquela visão megalomaníaca e centralizadora: macro industrializações forçadas, sem inteligência regional, sem sensibilidade ambiental. Decidiram de cima para baixo que o Norte faria isso, o Centro-Oeste aquilo, ignorando as vocações da terra e da gente.
O único lugar que resistiu a essa lógica de trator foi o hiato geográfico em algumas regiões do Sul do Brasil, em especial, Santa Catarina. Aqui, as montanhas e a geografia acidentada impediram a formação dos latifúndios monstruosos e das grandes fábricas concentradoras. Desde a colonização aqui tivemos um viés diferente, fomentado pelo Estado com políticas progressistas de desenvolvimento para a pequena propriedade, ao contrário do resto do país, que foi moldado pela expropriação pura e simples.
Mas quem manda no Brasil não é essa exceção do Sul. Quem manda é o povo do AGRO (que se diz "pop"), é o capital financeiro que especula de fora e de dentro, é o sistema bancário que nunca perde e uma oligarquia que, embora decrépita e menos rica, ainda é a grande detentora de terra, bens, espaços e lugares de comércio.
Porém, para além desses donos do poder tradicionais, há um novo grupo inflamado pelo ódio a Lula e ao PT: a pequena burguesia e a elite hereditária que, pela primeira vez, sente o risco de pagar imposto — algo que nunca fizeram de verdade. É nas mesas de jantares milionários, regados a alta gastronomia, excepcionais vinhos e baixíssima civilidade e intelectualidade, que as piadas e os discursos de ódio são planejados.
Entre uma taça e outra, eles planejam o contra-ataque contra quem os alimenta, mas um contra-ataque calculado: "não vamos matar o hospedeiro, vamos apenas torná-lo dependente de nós". Essa gente herdeira acha que a esquerda quer "tirar seus privilégios". Eles enchem a boca para dizer: "Nós é que construímos este país, nós carregamos o Brasil nas costas". Uma mentira lavada em champanhe.
Sim, a riqueza foi construída, mas foi construída através da Expropriação: da mais-valia do trabalhador e do pequeno burguês que vê seu trabalho e seu lucro serem calmamente afunilados para o grande capital e o sistema financeiro. Estas forças econômicas e oligárquicas agora agem, como bem aponta Rey Aragon, @sigareyaragon através da expropriação da cognição alheia via Big Techs que vendem "cognição alienígena" (termo que eu mesmo uso). Eles não produzem; eles extraem consciência e conhecimento, e implantam a cognição alienígena burguesa da falsa ideia da meritocracia. E, claro, odeiam quem ameaça essa equação.
O Cerco Político: Do Golpe ao Sequestro
E é aqui que entra a tragédia política recente. Lula chegou ao poder, mas só governou com relativa facilidade e qualidade por dois motivos: o primeiro foi que a correlação de forças era bem mais digna e civilizada (o fascismo estava envergonhado ainda). O segundo foi que, em seus dois primeiros mandatos, ele conviveu com as regras do clube dos donos do Brasil. Ele não mudou o sistema. Não houve ruptura estrutural, não se cortaram privilégios. O Agro recebeu financiamento extraordinário; os bancos receberam juros sem contestação. O Capital acumulou mais lucros. A burguesia hereditária e parasita não pagou imposto. Estava tudo certo enquanto eles ganhavam o dinheiro deles. A conciliação parecia funcionar, até que não funcionou mais.
Foi com Dilma no poder que a misoginia e o fascismo se reapresentaram. Ela tentou mexer nas peças. Tentou trazer justiça e equilíbrio, tentou fazer mudanças e apanhou. E apanhou dobrado porque, além de tudo, era uma mulher. A elite brasileira, com sua cultura de pensamento atrasada e reacionária, simplesmente não aceitava que uma mulher desse as cartas sem beijar a mão dos donos do poder. Avalio que, no subconsciente dessa elite, derrubar a Dilma seria mais fácil do que derrubar o Lula. E foi.
Quando Michel Temer assume, ele não apenas senta na cadeira; ele destrói em dois anos o que o progressismo levou catorze para construir. Ele foi o garçom. Eu o considero o menor brasileiro da história, para registro!
E então vem Bolsonaro. Inapto e ignorante, seu destino era o colapso, e foi exatamente o que aconteceu! Ele mesmo não governou; foi um governo a serviço dessas megaestruturas, fazendo o que mandavam. Mas a fraqueza absurda de Bolsonaro permitiu algo novo e perigoso: o Congresso tomou o poder. Essa é a base do processo permanente de golpe que precisamos monitorar, e aqui está o centro do debate para 2026.
Aqui a história se conecta com o que denuncio sobre o desmonte das cidades e da democracia. Quem financia essa tomada de poder pelo Legislativo? De novo eles: o Agro, os bancos, as oligarquias e os frequentadores daqueles jantares. Eles tentaram capturar o Brasil de volta com a intentona de golpe de 8 de janeiro, financiando a barbárie. Eles só não contavam com a astúcia política de Lula — e com o instinto de sobrevivência do STF, que percebeu que a brincadeira tinha ido longe demais. (Sobre o STF, vamos abordar em outro texto específico, para estarmos mais alicerçados nas análises).
Mas não nos enganemos. Lula ganhou, mas o sistema está armado dentro do Congresso e por seus financiadores. Ele teve quatro anos para tentar fazer as reformas estruturais que não fez em oito, equilibrando pratos num jogo viciado, onde o orçamento secreto transformou a política num balcão de negócios sem critério, sem planejamento e sem vergonha. Onde a regra não vale para todos e quem joga limpo, perde. Foi o mais difícil governo da história do Brasil, falaremos disso em outro momento.
Essa estrutura fascista — seja o movimento fascista internacional, o capital/agro/bancos/oligarquia e o exército cego burguês — não está dormindo. 2026 chegou e eles estão aprofundando a estrutura do golpe, porém agora aliados às Big Techs. O risco de impeachment ou de ingovernabilidade não é uma paranoia; é o projeto.
Por isso, diagnosticar não basta. Temos que reagir. E a reação precisa ser inteligente. Precisamos invadir o campo que eles dominam.
É aqui que entra a nossa estratégia. Nós somos os "Bastardos da Folha". Por que esse nome? Porque somos os filhos da internet, somos a realidade do Brasil, mas somos os bastardos, os que não são convidados para os jantares da elite. Não sentamos à mesa onde se serve a alta gastronomia com o tempero do ódio. Nós estamos nas trincheiras do campo que eles dominam: a Internet!
Para disputar essa narrativa e furar o bloqueio da guerra híbrida, estamos lançando o programa "Bastardos da Folha", em parceria com a Folha TV.
Este programa não é apenas conteúdo. Ele é um Cavalo de Troia.
Nós vamos entrar no território digital dominado por eles — nas plataformas e nas redes — levando este "presente". Mas, dentro dele, estarão os soldados. E os soldados são vocês: a nossa audiência.
Vamos entrar na fortaleza da desinformação para liberar a verdade factual que eles tentaram roubar. Neste programa, lançaremos o "Placar da Democracia". Vamos monitorar, avaliar e expor, passo a passo, as investidas dessa intentona fascista. Quem está ganhando nesta guerra de narrativas? O quanto a nossa democracia está sendo fragilizada? O quanto conseguimos reagir e solidificá-la? É esse jogo que vamos narrar e comentar, para que todos nós estejamos mais atentos a tempo de reagir!
Nossa análise é tática, para construir conhecimento e argumento para podermos lutar nesta guerra híbrida, no campo deles, desestruturando a hegemonia deles de dentro para fora.
Convidamos vocês, nossa audiência, a lutarmos juntos este ano, para garantirmos os próximos anos com liberdade verdadeira, a liberdade com responsabilidade. Precisamos diferenciar: a liberdade deles é a liberdade dos bebês, a liberdade sem responsabilidade! Mas nós somos os adultos da sala e chegou a hora de botar ordem na casa.
Eles acham que o país é propriedade privada deles. Nós vamos mostrar, entrando pela porta da frente com nosso Cavalo de Troia, no detalhe e no grito, que o Brasil é do povo brasileiro. A guerra por 2026 começou. Aliste-se!
Comentários: