Assisti as mais de 10 horas de sabatina simultânea de Flávio Dino e Paulo Gonet para seus cargos no STF e na PGR. Na CCJ do Senado Federal, foi marcante a diferença de tratamento dado a cada um dos candidatos. O juiz do TSE foi tratado com delicadeza por bolsonaristas. O ministro da Justiça de Lula teve que lidar com a língua presa de Cleitinho, o discurso pavoroso de Damares Alves e o sorriso falso, captado pela fotógrafa Gabriela Biló da Folha de S.Paulo, de Sergio Moro, seu arqui-inimigo.
As diferenças de tratamento se refletiram no placar final dos senadores no Plenário da Casa. Dino foi aprovado por 47 votos a 31, além de duas abstenções. Gonet foi aprovado por um total de 65 votos favoráveis e 11 contários à indicação. A única abstenção foi da senadora Mara Gabrilli.
Apesar da vitória maior de Paulo Gonet, próximo e ex-sócio de Gilmar Mendes, a ponto de defendê-lo do senador Alessandro Vieira, a sua fala no Congresso foi monótona, vazia e tentando agradar a todos. E não agradando ninguém minimamente progressista. Fico me perguntando se será Gonet a denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo 8 de janeiro ou pelos crimes na pandemia da Covid-19.
Numa vitória mais apertada, mas mais emocionante, Flávio Dino destilou conhecimento jurídico, político e do Brasil real. Questionado sobre a miséria do Maranhão, estado que governou, lembrou de como encontrou aquele território sob Sarney. E, ao mesmo tempo, fez gestos de gratidão ao Clã Sarney que apoiou sua candidatura ao Supremo.
O Dino que estava diante de 50 mil pessoas assistindo o streaming, fora retransmissões, era mais complexo do que o ministro ou o governador.
Ele estava afirmando que estava regressando à sua carreira jurídica e que sua fidelidade agora é para a Constituição Federal. É uma perda para a política no campo progressista. Mas pode ser uma conquista.
Uma Suprema Conquista, se me permitem o trocadilho. Infelizmente o STF é um órgão reacionário, lento e pouco sincronizado com as necessidades de uma sociedade profundamente desigual como o Brasil.
Dino pode ser uma chance de mudar esse jogo entre 11 cabeças naquela Corte.
Por isso sua vitória, com manifestações desesperadas de bolsonaristas, merece comemoração. É uma grande vitória.
E vamos ver como o governo Lula se reorganizará com essa mudança.
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