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Sabado, 27 de Junho de 2026

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Diplomacia do amor. Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

Diplomacia do amor. Por Lia Sérgia Marcondes
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.

O roteirista do Brasil adooooooooooora uma reviravolta surpreendente. Porque se vocês me dissessem, há algumas semanas, que o presidente Cheetus estaria “caindo de amores” pelo nosso Lulinha, eu diria que é uma grande piada. Mas, afinal, o que é esse grande jogo da política senão um circo onde os palhaços somos nós?

No meio de declarações de amor do Laranjão, e várias festas de aniversário para o presidente Lula, os rumores os ventos que sopram lá do Texas dizem que tem gente deitado em posição fetal e chorando há uns três dias. Ah, as ironias da vida...

Mas vamos ver como foi que se passou essa última semana? Vem comigo!

JUSTIÇA CEGA, SURDA E CÚMPLICE

Vou pesar logo o clima, porque não posso deixar de registrar meu total repúdio à injustiça absurda que aconteceu nesta semana: a Justiça brasileira mostrando, mais uma vez, que quando o réu veste terno caro e escudo de clube milionário, a balança pende pro lado do cinismo. Dos sete acusados pelo incêndio no Ninho do Urubu, que matou dez adolescentes em 2019, foram absolvidos “por falta de provas”.

Falta de provas? Havia contêineres sem alvará, portas emperradas, material inflamável e uma década de alertas ignorados. Mas, aparentemente, a culpa queimou junto com as vítimas. E o juiz Tiago Fernandes de Barros teve a pachorra de dizer que não viu “nexo causal” entre as decisões dos dirigentes e o fogo que matou os meninos. Pois é. No Brasil, o nexo nunca é causal, é social.

Quando morre pobre, é tragédia. Quando morre rico, é fatalidade. Quando morrem dez meninos pretos sonhando em jogar bola, é “culpa do destino”.  É o capEtalismo fiel à sua lei de ferro: quem paga a conta da impunidade o faz com a própria vida.

(Senhor juiz, se existir um inferno, espero que seu lugar esteja reservado, ao lado daqueles que você inocentou.)

DO “ZAP” PARA A PAPUDA

E já que o assunto é Justiça, pelo menos o Supremo continua fazendo decentemente o seu trabalho, e finalmente passou a vassoura no porão da República. Sete integrantes do “núcleo da desinformação” foram condenados pela tentativa de golpe de Estado. As penas variam de 7 a 17 anos, o suficiente pra cada um refletir sobre o conceito de “liberdade de expressão”, com a bela vista dos muros da prisão.

Cármen Lúcia chamou a atividade do grupo de “intimidação sutil e eficiente”. Um jeito elegante de falar das fake news com perfume de quartel e sotaque de fanatismo. A mulher é um espectáculo! Moraes e Zanin seguiram o baile da justiça, enquanto Fux ensaiou o papel de advogado do caos, alegando que o STF não devia julgar. Cê jura, Tio Peruca? E quem devia? Os jurados da Dança dos Famosos?

Os condenados ainda vão dividir uma conta de R$ 30 milhões. Um preço simbólico pela limpeza depois da faxina patriótica de 2023. Moral da história: golpe com Wi-Fi também dá cadeia. Próxima parada: Papuda!

ARREGÃO

E por falar no Tio Peruca, ficaram sabendo que ele arregou? Pediu pra mudar de turma no STF e o pedido foi atendido. Sai da Primeira, entra na Segunda, e com isso se livra convenientemente dos julgamentos da trama golpista, onde vinha colecionando desafetos com o seu raro talento de votar sozinho. Foi o único a defender Bolsonaro e, dias depois, os sete réus do “núcleo da desinformação”. Coincidência? Pode ser... Vai ver que “covardia” e “interesses escusos” ganharam novos significados no dicionário.

Na justificativa, o filósofo de lace duvidosa teve a coragem de meter um: “a humildade judicial é uma virtude”. O sem noção foi buscar refúgio logo com quem? Gilmar Mendes, que há pouquíssimo tempo se referiu ao desquerido colega como “figura lamentável”. Vai, Fux-se, vai se aninhar com seus bolsonaristas de estimação, Mendonça e Nunes Marques, para formar a “Turma da Segunda Intenção”.

A mudança deixou Fachin com o pepino de decidir se Fux ainda pode votar nos processos que começou. Uns chamam de impasse, outros de revezamento do cinismo.

ANISTIA É O CARVALHO!

O tal “PL da Anistia” foi oficialmente enterrado, e Brasília segue o ritual fúnebre mais mafioso possível: ninguém assume o corpo, mas todo mundo quer ficar com a herança. Depois de semanas de bravatas, o Congresso trocou a pauta da impunidade pela que realmente importa: emendas e poder para 2026.

Nos bastidores, a palavra de ordem é conforto. Governo e oposição fingem brigar, mas ambos preferem esperar as receitas subirem pra ter mais verba pra gastar. O povo gritou “sem anistia!”, o Centrão traduziu como “sem vantagem” e pronto! Assunto encerrado. A “moral” é simples: no Congresso, até o esquecimento tem valor de mercado.

O RETORNO DO QUE NUNCA FOI

Em clima de Halloween, viu quem descongelou das catacumbas eleitorais? Ciro Gomes. Ele voltou ao PSDB achando que ainda é um grande protagonista no jogo político. De paletó engomado e ego em chamas, disse que “aqui não tem ladrão”.

Aqui aonde, Ciranha? Será que ele estava mesmo falando do partido do Aécio? O partido do Trensalão, Petrolão, Mensalão tucano, Aécioporto, Cartel dos metrôs de SP e DF, Caso Sivam e – vou parar por aqui porque cansei – da “Privataria tucana”?

Ciro pensou que era o grande mestre do xadrez político, mas o tabuleiro virou piquenique. Pra completar, chamou o bolsonarista André Fernandes de “jovem talento”. No fim das contas, o coronel pós-moderno voltou pro ninho e achou que era a fênix, mas está mais para papagaio de tucano.

DÁ O PÉ LÔRO!

O que me lembra de Hugo Motta, o papagaio oficial de Arthur Lira, que anda ensaiando ter asas próprias. Ele prometeu votar o corte do Bolsa Milionário e endurecer o cerco contra os “grandes sonegadores”. Até parece fofinho: o Centrão fingindo que descobriu a ética entre uma emenda e outra.

O plano é cortar 10% das isenções fiscais das empresas que vivem de privilégio tributário e, ao mesmo tempo, votar com urgência o projeto que pune quem deve imposto de propósito.

Na teoria, é o Congresso combatendo o crime organizado e a evasão fiscal. Na prática, é só Centrão tirando vantagem como e onde pode. Prometem combater o “devedor contumaz”, mas não abrem mão do seu “devedor eterno”: o governo, que deve liberar as emendas antes de qualquer votação. O Bolsa Milionário continua rendendo lucro a quem sempre soube sonegar, discursar e posar de patriota no Jornal Nacional.

TERRA RARA, FALTA DE VERGONHA COMUM

Sobre as coisas que nunca mundam, enquanto o Brasil ainda tenta entender o que é “justiça ambiental”, Minas Gerais avança no modo rejeito total. Mesmo sob investigação da Operação Rejeito e com o sistema ambiental em greve há 50 dias, o Copam resolveu deliberar licenças de mineração de terras raras em Poços de Caldas.

As empresas são australianas, o impacto é brasileiro e o absurdo é universal: cavas a menos de um quilômetro de bairros e escolas, uso insano de água e risco radioativo esquecido no rodapé dos relatórios. Mas calma, é só o “progresso”... essa palavra que no Brasil significa “licença pra destruir”.

APAIXONOU

Esse papo de terras raras me leva ao grande evento da semana: o súbito “amor” de Trump por Lula. Para o total desespero de Little Banana, o Presidente Cheetus está dando claros sinais de paixonite aguda por Lula. Desde que apertou a mão do homem, naquele encontro na ONU, está obcecado. Passa 80% do tempo falando sobre Lula, e nos 20% restantes ele torce pra que alguém fale dele, só pra ele poder falar mais um pouco.

Na reunião da Malásia, Trump perguntou quanto tempo Lula ficou preso, chamou o petista de “vigoroso” e disse que ele foi “perseguido”. O Rei do Caos declarando amor político a um ex-metalúrgico socialista é, no mínimo, inusitado. Se isso não é fanfic global, não sei o que é.

Entre elogios e risadinhas, acertaram visitas mútuas: Lula vai aos EUA e Trump promete vir ao Brasil. Que comece o namoro geopolítico mais improvável desde Biden e Netanyahu dividindo uma cúpula. Mas fiquemos de olho, que esse “amor” todo tem um certo cheirinho de ouro negro e monazita...

De um lado um grande estadista, do outro um moleque alaranjado. Foto: AFP

AMOR TARIFADO

Amor sincero ou não, o fato é que Trump prometeu rever o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, “sob as circunstâncias certas”. (Sentiu o cheirinho de crude?) Lula, por sua vez, fez o que sempre faz e driblou com diplomacia. Encerrou o encontro cantando Gonzaguinha e disse que em poucos dias teremos “uma solução definitiva”.

O clima foi tão ameno que Trump até mandou recadinho via entrevista, parabenizando Lula pelos 80 anos. Disse estar “impressionado com a energia do presidente”. Ai, que vigor!

Alckmin chamou o diálogo de “muito positivo”, o Itamaraty vibrou, e o Planalto respirou aliviado. Enquanto isso, deve ter gente de tornozeleira rangendo os dentes em silêncio. Afinal, nada dói mais pra quem perdeu o trono do que ver seu ídolo político trocando juras de afeto com o arqui-inimigo. Sofre mesmo, lazarento. Tá sofrendo pouco.

Namore alguém que te olhe, como Trump olha pro Lula. / Foto: Ricardo Stuckert/PR

BRILHA UMA ESTRELA

Enquanto alguns permanecem inelegíveis, sem poder sair do covil, Lula confirmou o que todo mundo já suspeitava: vai disputar o quarto mandato em 2026. Aos 80 anos, disse estar “com a mesma energia de quando tinha 30”. E pensar que tem gente que não tem energia nem pra ser síndico do prédio...

Se o amor de Trump continuar rendendo frutos, o slogan da próxima campanha já tá pronto: Lula 2026, com zero tarifa e muita disposição. Chama o Gil pra Ministro do Vigor!

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...

Depois de semanas torrando pauta com golpe, fuga e cinismo, Brasília resolveu, por acidente, fazer algo útil: a Câmara aprovou bolsas para formar professores da educação básica. Um lampejo de lucidez coletiva (deve ter sido bug no sistema).

O projeto "Mais Professores para o Brasil" paga pra quem quiser encarar a aventura de ensinar, com estágio em escola pública e compromisso de ficar dois anos na rede. Parece pouco, mas num país que trata professor como obstáculo orçamentário, já é quase revolução. Se isso vingar, o MEC pode chamar o programa de "Mais Esperança para os Brasileiros". Agora só falta Lula cumprir a promessa de montar o "Ministério do Namoro".

Imagem: Divulgação/Governo Federal

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS... (parte 2)

Eu disse que falta? FALTAVA!

Essa colunista que vos fala deixou passar, mas já correu para se redimir aqui. Nesse clima todo de amor, o governo lançou nas redes a campanha “Ministério do Namoro”. É tipo Tinder progressista: se o coração bate pela justiça tributária, o match é garantido.

O slogan? “Vamos juntos por um Brasil mais justo, soberano e cheio de amor.” Um país que tenta falar de imposto com meme de namoro já está claramente entre a lucidez e o surto (e eu tô amando cada segundo). Finalmente veio aí: o GOVinder. Amor soberano pra combinar com o Brasil.

E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafézim forte, com uma colherinha de bom humor. Porque, entre golpe, fuga, paixonite diplomática, Ministério do Namoro e a loucura que é o roteiro do Brasil, o riso mantém a sanidade e a cafeína, a esperança.

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