Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
Desde que eu era criança, nos anos 80, a coisa que eu mais escutava era que “neste País, tudo acaba em pizza”. Uma referência à impunidade histórica para os chamados “crimes do colarinho branco” e outros tipos de crimes cometidos pelos políticos brasileiros. Cresci com o entendimento de que se um político cometesse um crime, nada lhe aconteceria e a justiça não seria feita. E vi isso acontecer reiteradas vezes.
Tivemos, ao longo da história do Brasil, raríssimos momentos onde se fez justiça nestes casos. Ainda assim, uma “justiça” agridoce, cheia de privilégios, com prisões domiciliares em mansões de luxo etc. E quando o criminoso saía do Brasil? Aí já era...
Mas a Terra redonda gira e se transforma. Nesta semana, quem vai comer a pizza somos nós, porque teve fugitiva sendo presa e isso é incrível! Mas vamos por partes, para degustar cada fatia da grande pizza dos acontecimentos da semana. Vem comigo!

TARDA, MAS NÃO FALHA
O moleque birrento de BH virou réu por espalhar fake news na eleição municipal de 2024, acusando o então prefeito Fuad Noman de escrever um livro pedófilo. Na verdade, a obra era um romance de vingança familiar. A estratégia? Desinformação em todos os canais possíveis, do rádio à deep web, tentando transformar ficção em evidência de crime.
Mas a Justiça não caiu nessa. Agora o Chupetinha e seus “amiguinhos” de partido (PL, sempre ele) respondem por campanha difamatória organizada. Fuad venceu, mas não viveu para ver a Justiça bater à porta dos caluniadores, infelizmente. Ele faleceu em março, provavelmente exausto de tanta mentira.
E como desgraça pouca é bobagem, o mesmo Nikolas agora é alvo dos chiliques de Eduardo Bolsonaro, que se sentiu traído porque o jovem mancebo “ousou” falar com gente que não baba nos pés da familícia. Little Banana o acusa de ser “pouco ativo” na defesa do pai. No dialeto bolsonarista, quer dizer que Nikolas não gritou “Moraes ditador!” com força suficiente nas redes.
Resultado: Allan dos Santos brotando das profundezas do inferninho onde ele se esconde da Justiça para chamar Nikolas de canalha; Eduardo chorando no Twitter; e o PL virando, pouco a pouco, uma paródia de baixa qualidade do “Casos de Família”, só que com mais processo e menos diversão.
PLANALTO PARALELO
E por falar do Inelegível... No celular apreendido de Bolsonaro (aquele mesmo que deveria conter só “conversas com pastores”), a PF encontrou um pacote completo de tramas, chantagens institucionais e fake news fresquinhas. Com destaque para curiosos diálogos onde ele mesmo articulava votos para uma CPI contra Alexandre de Moraes e tentava enterrar o PL das Fake News. Em meio aos prints, áudios e emojis golpistas, Bolsonaro orientou Hélio Lopes a assinar a tal CPI mesmo reconhecendo que pode dar ruim. E o soldadinho obediente? Fiel como um beagle, acatou a ordem.
Mas não é só: tem convite de embaixador israelense com tudo pago pra umas férias de 14 semanas (ou seriam 14 dias?) com direito a carne impressa em 3D e rachadinha diplomática. Teve também gente do agronegócio mandando pix em dinheiro vivo e emprestando fazenda pra exibir o ex na Agrishow, como se fosse um mascote da plantação. Ô decadência...
Claro que não faltaram mensagens alertando o fã do Trump a “pegar mais leve” com a mentira, agora que a PF está coladinha na sua jugular. No fim, o que os arquivos mostram é o que o Brasil já sabe: o gabinete do ódio nunca foi um grupo de WhatsApp, foi um projeto de poder. E eles ainda têm a pachorra de falar em “liberdade de expressão”... Confia!
31 HOMENS E UMA SENTENÇA
O julgamento da tentativa de golpe continua e, nesta saga, a nova rodada de depoimentos no STF jogou por terra o teatrinho da neutralidade militar. O general Theóphilo, réu no processo, disse que foi ao Alvorada não para discutir golpe, veja bem, mas para acalmar Bolsonaro: um presidente “tristinho”, com “erisipela na perna” e “abatido emocionalmente”. Tadinho, que barra...
Segundo ele, o encontro não teve nada de ilegal. Foi só um bate-papo entre um chefe de Estado em surto e um general da ativa enviado pelo comando para fazer cafuné. Vejam que singelo!
Já o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima teve menos pudor: admitiu que elaborou, dentro da inteligência do Exército, um plano que previa a prisão de ministros do STF, a criação de gabinetes de crise e, claro, novas eleições. Tudo isso no confortável e sempre “hipotético” ambiente golpista da caserna.
Enquanto isso, os generais (aqueles que juravam de pés juntos que o Exército estava “apenas observando”) correm agora atrás dos jornalistas para dizer que não sabiam de nada, não viram nada, não assinaram nada. Pena que esqueceram de combinar com os pendrives, as atas, os prints e os próprios subordinados. Sem falar nos acampamentos golpistas; tolerados como se fossem festas juninas cívicas. O silêncio institucional? Estratégico. A omissão? Conivente.
Por fim, o que esses depoimentos expõem é que o 8 de janeiro não nasceu do nada. Foi parido com as incubadoras instaladas, desde a década de 60, nos quartéis brasileiros. E agora que a incubadora virou cena de crime, a tropa quer apagar as digitais com nota oficial e cara de paisagem. Boa sorte!

Imagem: Criada com IA e licenciada pela Shutterstock/Folha Democrata
A CAPTURA DAS GALINHAS (parte I)
Após fuga digna de novela mexicana (com menos roteiro e mais escândalo), Carla Zambelli foi finalmente presa na Itália. A justiça brasileira pediu, o deputado italiano Bonelli localizou o esconderijo e a PF mandou um “grazie mille!” direto de Brasília.
A pistoleira digital, condenada por invadir o sistema do CNJ e por arquitetar fanfics golpistas, agora repousa no presídio feminino de Rebibbia (uma mistura de convento reformado com prisão superlotada, onde até chuveiro é coletivo). Lá, ela aguarda sua extradição com sua tão louvada cidadania italiana numa mão e a esperança de que Giorgia Meloni ofereça abrigo político na outra. Sonha, Zambeletti!
Enquanto isso, parlamentares brasileiros comemoraram com mais entusiasmo do que taa de copa mundial. Entre vários “grande dia” e “ma che pena!”, rolou até moção de aplauso a Bonelli por “cooperação internacional contra a impunidade”. Porque nada é mais simbólico do que precisar da Europa pra prender uma bolsonarista. A deputada Duda Salabert formalizou o reconhecimento, e Bonelli relatou nas redes que foi ele mesmo quem entregou o endereço da fugitiva.
Zambelli, que fugiu do Brasil jurando inocência, agora implora por novo julgamento na Itália, dizendo que não quer voltar pra casa. Mas não se preocupe, ragazza, que Xandão já garantiu que aqui não tem tortura. Só cadeia mesmo.
DO PLANALTO AO REBIBBIA
Mas a ficha corrida da mais nova moradora do Rebibbia não deve terminar em invasão digital. O STF vai retomar, em agosto, o julgamento de Zambelli pela perseguição armada a um jornalista, pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Aquela cena que mais parecia um episódio perdido de Narcos Planalto, com a deputada correndo de salto e pistola na mão, agora pode render mais 5 anos de prisão e perda de mandato. Se nenhum ministro inventar de mudar voto de última hora. Já há maioria pela condenação. Kassio Nunes Marques tentou adiar, mas até a paciência institucional tem limite.
No teatro do absurdo, a defesa de Zambelli tenta convencer a Justiça italiana a negar a extradição, alegando que ela não confia na democracia brasileira (aquela mesma que ela tentou sabotar). Enquanto isso, o PL, num surto de desespero diplomático, aciona políticos italianos como se fosse possível convencer alguém de que “fuga” é só uma pausa estratégica.
A real é que o processo de extradição pode levar até dois anos, mas uma coisa já ficou clara: a pistoleira virou piantarella, e a democracia ainda sabe dar um tiro certeiro quando importa.
T.A.C.O. STRIKES AGAIN
Nem Johnny English poderia ter tão confuso! O Presidente Cheetus lançou um tarifaço de 50% contra produtos brasileiros, fez pose de imperador do Ocidente e, como de costume, recuou. Isentou 700 itens da lista, deixando o agronegócio respirar. Mas não sem antes provocar um estrago estratégico e levantar o velho fenômeno de mercado apelidado de “T.A.C.O.” (Trump Always Chickens Out), ou, traduzindo com carinho: Trump sempre amarela.
No Brasil, o governo Lula aproveitou a brecha para vestir o verdadeiro orgulho patriótico e retomar nossa bandeira (antes sequestrada pelo bolsonarismo): temos soberania, Pix, café e a independência econômica. Até animação com bichinhos no Instagram entrou no front ideológico.
Enquanto isso, o PL (o partido dos falsos patriotas) resolveu aplaudir o agressor. A maior legenda da Câmara expulsou deputado que ousou criticar Trump e aprovou moção de louvor ao ex-presidente dos EUA no exato dia em que ele esmurrava a economia brasileira. É audácia!
Little Banana lidera a trupe dos palhaços com vídeos vingativos e confissões de que, se o país virar cinzas, tudo bem, desde que papai escape da cadeia. Olha, eu já ouvi falar em “daddy issues”, mas no nível dos filhos do Inelegível, eu nunca tinha visto. Será que além de anti-Brasil, eles também são contra a Psicologia? (Terapia ajuda, viu menino?)
A real é que enquanto o agronegócio calcula bilhões em prejuízo, o PL segue obcecado em anistiar golpistas. O resultado é um Brasil espancado por tarifas e sabotado de dentro pra fora pelos que se dizem patriotas. Um Congresso que reverencia potências estrangeiras, uma oposição que confunde vassalagem com estratégia, e um exército de parlamentares que trata a soberania nacional como item opcional. No fim, Trump pode até amarelar, mas o PL? Esse, já se ajoelhou de vez...
CALL ME MAYBE
Depois de lançar sanções, tarifar o Brasil, ameaçar Moraes e esculhambar instituições brasileiras, o Presidente Cheetus manda um “Call me maybe”* pra Lula. Que foi, Laranjão? Vai dizer que agora você ama o povo do Brasil e que Lula pode te ligar “quando quiser”? Ah, que fofinho...
Lula devolveu com um “Sorry, I cannot hear you, I'm kinda busy”**. O recado foi dado: o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo e o foco agora é proteger a economia e os trabalhadores. Ou seja: “Se o valentão quiser conversar, o adulto tá na sala”.
Fernando Haddad, por sua vez, considerou a fala de Trump “ótima” e já prepara uma reunião com o secretário do Tesouro americano. O objetivo? Esfriar os ânimos e explicar que o Brasil não é uma república de bananas (apesar do PL tentar).
No cardápio da conversa temos tarifas, sanções, soberania nacional e um leve tutorial sobre como funciona um STF de verdade. Porque se depender da extrema-direita americana, a gente não merece nem juiz, nem Pix, nem café (só palmadas e submissão). Esperem sentados! Aqui é Brasil, rapá!
(Tradução livre: * “me liga qualquer hora”; “desculpe, não consigo te ouvir, estou ocupado”. By: Carly Mae Repsen e Lady Gaga, respectivamente.)

Imagem: Criada com IA/Folha Democrata
TIRO, PORRADA E SANÇÃO
Donald Trump resolveu sancionar Alexandre de Moraes, acusando-o de “prisões arbitrárias” e “ataques à liberdade de expressão”. Motivo? O ministro “ousou” enfrentar golpistas e bloquear redes sociais que desobedeceram ordens judiciais. Moraes virou o primeiro brasileiro enquadrado na Lei Magnitsky, como se fosse um oligarca russo com conta em Delaware. O Tesouro dos EUA congelou bens inexistentes e proibiu empresas americanas de fazerem negócios com o ministro.
No Brasil, Lula reagiu como sabe: com um jantar. Reuniu o STF no Alvorada pra reforçar apoio institucional, enquanto Moraes avisava que não pretende processar ninguém nos EUA... por enquanto.
A AGU deve mirar tribunais internacionais, mas o recado ficou: a extrema-direita americana agora interfere diretamente na política brasileira, e a oposição por aqui comemora como se fosse feriado nacional. Mas o Xandão, como sempre, segue de toga erguida e mandíbula firme.
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...
Depois de anos de retrocessos, desmontes e piadas infames de certo ex-presidente com crianças revirando lixo, o Brasil finalmente saiu do Mapa da Fome. A ONU confirmou: entre 2022 e 2024, o país voltou a ficar abaixo do patamar crítico de subnutrição grave. A fome, que havia voltado a assombrar o Brasil pós-pandemia e com o bolsonarismo, começa a recuar. Graças às políticas públicas e dos programas de assistência de um governo que tem vergonha na cara institucional.
É uma conquista imensa! Demoramos quase 12 anos da última vez, e agora voltamos a respirar em menos da metade do tempo. Não é milagre. É política com P maiúsculo, mesmo com Congresso sabotando, oposição surtando e tarifaço gringo caindo no colo. No meio da distopia, é justo levantar o copo (com comida na mesa) e brindar o que ainda resiste.
Que isso não seja exceção. Que não tenhamos que voltar ao Mapa por negligência de governo, voto de protesto ou projeto de poder baseado em fome e fake news. Hoje, pelo menos, o Brasil saiu do buraco. E isso, meus amores, é uma notícia boa pra caralho.
E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, dessa vez quem vai comer a pizza somos nós, o povo brasileiro. Mamma mia!!
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