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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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Complexo de Princesa Isabel é a melhor obra do Prof. Viaro. Por Pedro Zambarda

Uma resenha

Complexo de Princesa Isabel é a melhor obra do Prof. Viaro. Por Pedro Zambarda
Foto: Divulgação/Emó Editora
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Publicado originalmente no Drops de Jogos. Numa edição belíssima da Emó Editora, Complexo de Princesa Isabel (2025) voa em suas 149 páginas e é o melhor livro de Adriano Viaro, o professor Viaro das lives do DCM. Diferente de O Anticoach (2024), que inicia em uma provocação mais caótica, Complexo tem um rigor quase acadêmico, fruto dos estudos de mestrado do autor.

LEIA MAIS: O Anticoach é necessário em uma sociedade contra o conhecimento. Por Pedro Zambarda 

Uma provocação sobre o livro O Anticoach. Por Pedro Zambarda

Prefaciado pelo ex-árbitro e comentatrista esportivo negro Márcio Chagas da Silva, a melhor obra de Viaro é menos ensaio e sim mais uma organização sistemática dos estudos antirracistas, lembrando que seu autor é um homem branco que não sofre esse tipo de preconceito na pele e nem os efeitos do “holocausto de três séculos e meio” que contaminou o maior país com descendentes de africanos fora o continente de origem.

Entre as páginas ilustradas pelo sangue negro executado por brancos, Viaro explica que não estuda racismo, mas que “estuda racistas”. Define esses criminosos da humanidade em diferentes categorias como racistas explícitos, envergonhados, passadores de pano, passivos, e os acometidos por duas doenças sociais: Síndrome de Pôncio Pilatos (os que se omitem) e o Complexo de Princesa Isabel (o salvador branco, baseado na mulher a quem atribuem a libertação dos escravos).

E faz uma importante análise… do pagode enquanto fenômeno cultural.

Pagode e cultura enquanto emancipação negra

Escreve Viaro nas página 84 e 85 de sua obra:

É bem verdade que o Hip Hop também surgiu com mais força na mesma época, mas ele tratava, grosso modo, das dores e revoltas da periferia. Colocava o negro, esteticamente, como a branquitude sempre quis vê-lo. Era um ritmo que incomodava, mas não invadia os espaços elitizados, pois mantinha o negro com o “visual de bandido”.

Vendia discos com a “estética natural”, em um movimento intencional de autopreservação. Já o pagode, nos anos 1990, dava ao negro traços “civilizados”, com a retirada da “estética do bandido”. O “pagodeiro”, com óculos na testa, cabelo “na régua”, e “roupas de gente bacana” causava dores de cabeça na sociedade branca brasileira, pois, entre muitas coisas, causava um aumento significativo no número de romances interraciais.

O negro agora tinha a sua banda, a sua música e a sua cultura centradas em sua cor.

Sendo pesquisador e branco, Adriano Viaro não aponta apenas a desgraça do crime do racismo, o amigo negro que pede para que ele chame um taxi porque ele é desumanizado na noite, mas também direciona para o caminho de emancipação de uma população que combate séculos de exclusão. Uma exclusão que, nas palavras de Viaro para mim, não supera apenas os inúmeros séculos da misoginia, que escraviza as mulheres na lógica do machismo.

O caminho para a educação antirracista fez de Adriano Viaro um aliado da causa, autor de um curso importante pelo Instagram, um analista de um cenário que não se resolve através do politicamente correto.

Como um crítico da cultura coach, que destrói o conhecimento, Viaro aponta que o racismo se combate pela identificação dos racistas, a punição criminal, o reconhecimento da profundidade do delito e uma verdadeira mudança de condições sociais. Através da análise histórica do processo da personagem da Princesa Isabel, presente até em discursos como o do parlamentar Hélio Bolsonaro, o historiador e autor do livro desnuda a maquiagem branca de feridas que não foram sanadas.

O Anticoach me pareceu uma entrada cuspida, explosiva e caótica de Viaro na literatura.

Complexo é uma obra estruturada, lisa de se ler e apreciar.

Entre o manual, a confissão pessoal de uma pessoa que se arrepende do que testemunhou e um ensaio que consegue tornar complexa as práticas que desumanizaram povos de todo um continente, Adriano Viaro termina o Complexo de Princesa Isabel como um livro fechado em si. Não precisaria de capítulos adicionais ou uma trilogia, com sequências. É uma obra que fecha em si mesma. O autor diz que não busca vitórias. A obra é uma vitória em si, diante de um problema profundo, ainda insolúvel. O reconhecimento é um passo para a mudança.

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