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Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

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DATAFOLHA: Voto útil dita ritmo da reta final para a Presidência

Informações da FESPSP à Folha TV

DATAFOLHA: Voto útil dita ritmo da reta final para a Presidência
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT). Fotos: Evaristo Sá e Nelson Almeida/AFP
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Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, tendência das últimas semanas, mantém-se até mesmo diante do noticiário negativo da crise do STF (Supremo Tribunal Federal), confirmando uma disputa acirrada no 1º e 2º turnos da eleição do próximo presidente

O cenário para a sucessão presidencial caminha para uma das disputas mais acirradas da história recente, caracterizando-se, nesse sentido, como uma extensão direta do pleito de 2022. De acordo com analistas do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), baseados na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17), o presidente Lula e o senador Flávio encontram-se em situação de empate técnico no primeiro turno (39% contra 36%, respectivamente), consolidando um cenário de estabilidade e alta rejeição para ambos.
 

O alto nível de rejeição, que marca exatamente 47% para ambos os candidatos nesta rodada (com uma média de 46% ao longo do ano), pode explicar também o baixo efeito das recentes notícias no comportamento do eleitor. Tanto as propostas quanto as denúncias parecem ter um peso limitado na decisão final, avaliam os especialistas Beto Vasques, Hilton Fernandes e Jairo Pimentel.
 

Para além da agenda da corrupção, o reajuste do Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira (17/9) pelo governo coloca a questão da renda, da inflação e da proteção social no debate público, podendo impactar a percepção do eleitor sobre a melhoria de seu bem-estar, fator determinante nas intenções de voto.
 

Segundo turno será um “tira-teima”
 

Os dados recentes mostram um forte enraizamento das intenções de voto, de acordo com Vasques, analista político e coordenador do Labop. "O Datafolha confirma a hipótese que vínhamos defendendo desde o começo do ano: a de uma eleição muito acirrada, que funciona como uma espécie de terceiro turno ou 'tira-teima' de 2022, quando Lula venceu Jair por 1,8% dos votos".
 

Isso se observa tanto pelo elevado grau de conhecimento de ambos — acima dos 95% — quanto pelos pisos muito altos, com os dois registrando mais de 35% de intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno e mais de 44% na simulação de segundo turno, explica o analista. Além disso, continua Vasques, os respectivos tetos dos candidatos na dianteira são muito baixos, com ambos apresentando rejeição acima dos 46%.
 

“Nas simulações de segundo turno, ambos variaram em bandas estreitas de 3% ao longo de dez rodadas desde março: Lula flutuou entre 45% e 48%, enquanto Flávio ficou entre 43% e 46%. Atualmente, há uma estabilidade numérica exata na qual o presidente alcança 46% e o senador atinge 44% em um eventual segundo turno”.
 

No entendimento de Fernandes, o alto nível de rejeição, tanto a Lula quanto a Flávio, ajuda a explicar o baixo efeito das notícias no comportamento do eleitor. “Não há uma opção razoável para que seus eleitores considerem a mudança de voto. Mais uma vez, para muitos brasileiros, a eleição presidencial caminha para uma escolha em oposição, ou entre o 'menos pior', de modo que tanto as propostas quanto as denúncias parecem ter um peso limitado na decisão final”.
 

Uma boa notícia para Lula
 

A pesquisa Datafolha confirma a tendência de crescimento de Flávio nos resultados de primeiro turno, com subida de três pontos desde o início de setembro, saindo, portanto, da margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Lula oscilou positivamente um ponto. Para Fernandes, essa dinâmica ajuda a compreender por que o debate público tradicional parece estagnado a ponto de a preferência de voto da maioria dos eleitores se mostrar impermeável à crise do STF (Supremo Tribunal Federal) que sequestrou o noticiário nas últimas semanas.
 

Apesar da rigidez do cenário, pequenos movimentos ganham contornos importantes, na visão de Hilton Fernandes, cientista político e pesquisador do Labop. Embora a avaliação negativa se mantenha estável pela terceira rodada consecutiva, com 42%, o atual governo obteve uma melhora sutil: a avaliação positiva subiu três pontos em setembro, superando a margem de erro, na contramão de pesquisas anteriores. “Esse cenário do Datafolha vai na contramão do apontado pela pesquisa Quaest no início da semana, que indicou uma variação de três pontos negativos para o governo no mesmo período”.
 

Chance de vitória para o incumbente
 

A melhora no índice de aprovação do governo, mesmo que sutil, também impacta a previsão de modelos eleitorais. Um deles é o desenvolvido pelo pesquisador do Labop, o cientista político Jairo Pimentel. Conceitualmente, esse tipo de modelo não mede exatamente a chance de vitória ou derrota de um candidato sobre outros. O que ele permite afirmar, com base em eleições anteriores e a partir dos níveis de aprovação e avaliação, é a frequência de vitória ou de perda do incumbente.
 

Com base em seu estudo, Pimentel afirma que, apesar do empate nas intenções de voto, a aprovação e a avaliação apresentadas no último Datafolha colocam o atual incumbente em uma faixa historicamente mais associada à vitória do que à derrota, diz Pimentel. “Embora partam de medidas diferentes — avaliação do governo e aprovação do trabalho presidencial —, ambos os indicadores posicionam o governante em uma faixa próxima de 70% de probabilidade histórica de triunfo”.
 

Dentro dessa lógica, explica o cientista político, “mesmo que a fotografia das intenções de voto mostre uma eleição praticamente empatada, os indicadores estruturais de avaliação da gestão apontam para uma situação historicamente mais favorável à continuidade do que à derrota do incumbente”.
 

Na corrida pelos indecisos
 

Com o eleitor convicto e polarizado, os holofotes se voltam para as margens do processo eleitoral para prever quem poderá quebrar a paridade numérica. De acordo com Vasques, o foco estratégico imediato se desloca para as franjas do eleitorado que ainda não se posicionaram de forma definitiva ou que pretendem boicotar as urnas. O coordenador do Labop ressalta que as próximas semanas serão de movimentações intensas por esses espólios políticos.
 

Em sua visão, a tendência é que a antecipação da dinâmica de voto útil para a reta final do primeiro turno se acelere ainda mais ao longo dos próximos dias. Essa aceleração é impulsionada pela diferença de apenas 3% entre os dois candidatos no primeiro turno (39% a 36%), no qual o presidente mantém a liderança numérica.

“Essa peculiar situação reforça a importância de se colocar a lupa no perfil da alienação eleitoral (o comportamento dos que pretendem se abster ou votar em branco ou nulo), no comportamento dos eleitores pendulares e na dinâmica de migração de votos dos candidatos nanicos para os dois primeiros colocados. Esse movimento deve ser observado não só no segundo turno, mas já ao longo dos próximos dias para o cenário de primeiro turno", diz Vasques.
 


VEJA AGORA A ÍNTEGRA DOS ANALISTAS POLÍTICOS DA FESPSP


BETO VASQUES
Analista político e coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
 

O Datafolha confirma a hipótese que vínhamos defendendo desde o começo do ano: a de uma eleição muito acirrada, que funciona como uma espécie de terceiro turno ou "tira-teima" de 2022, quando Lula venceu Jair por 1,8% dos votos. Isso se observa tanto pelo elevado grau de conhecimento de ambos — acima dos 95% — quanto pelos pisos muito altos, com ambos registrando mais de 35% de intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno e mais de 44% na simulação de segundo turno. Além disso, os respectivos tetos são muito baixos, com ambos apresentando rejeição acima dos 46%.
 

É interessante destacar que os dois candidatos apresentaram movimentos muito sutis ao longo das dez rodadas do instituto entre março e 17 de setembro. Ambos variaram suas intenções de voto, na simulação de segundo turno, em bandas estreitas de 3% ao longo de todo esse período: Lula entre 45% e 48%; Flávio entre 43% e 46%. Lula ficou aproximadamente 2% acima de Flávio na média de todas as rodadas — aliás, a mesma diferença de dois pontos percentuais identificada pelo Datafolha em suas últimas três semanas. Há uma estabilidade numérica entre eles, na qual o presidente alcança 46% e o senador, 44%. Quando o critério é a rejeição, há novamente estabilidade, com ambos os candidatos marcando 47% nesta rodada e a mesma média de 46% ao longo do ano.
 

A tendência é que a antecipação da dinâmica de voto útil para a reta final do primeiro turno se acelere ainda mais ao longo dos próximos dias, o que pode ser observado pela diferença de 3% entre eles no cenário de primeiro turno, no qual o presidente mantém os 39% da rodada anterior e o senador alcança seu melhor resultado até aqui, com 36%.
 

Esse cenário mostra uma tendência de empate técnico, com o presidente numericamente à frente por cerca de 2%. Essa situação aumenta a possibilidade de a eleição ser resolvida ainda no primeiro turno, para qualquer um dos lados, embora o segundo turno continue, no momento, sendo o cenário mais provável segundo os dados do instituto.
 

Essa peculiar situação reforça a importância de se colocar a lupa no perfil da alienação eleitoral (o comportamento dos que pretendem se abster ou votar em branco ou nulo), no comportamento dos eleitores pendulares e na dinâmica de migração de votos dos candidatos nanicos para os dois primeiros colocados. Esse movimento deve ser observado não só no segundo turno, mas já ao longo dos próximos dias para o cenário de primeiro turno.
 

HILTON FERNANDES
Cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
 

Embora mantenha os mesmos resultados para o cenário de segundo turno nas últimas três rodadas, com Lula com 46% e Flávio com 44% das intenções de voto, a pesquisa Datafolha indica uma tendência de crescimento de Flávio nos resultados de primeiro turno. Ele aumentou três pontos desde o início de setembro, saindo da margem de erro de dois pontos percentuais, enquanto Lula oscilou positivamente um ponto. A avaliação do governo pode até ser vista como uma boa notícia para Lula. Embora a avaliação negativa se mantenha estável pela terceira rodada consecutiva, com 42%, a avaliação positiva oscilou mais dois pontos para cima, somando três pontos de crescimento desde o início do mês — portanto, além da margem de erro. O cenário vai na contramão do apontado pela pesquisa Quaest no início da semana, que indicou variação de três pontos negativos no mesmo período. Na rejeição, os dois principais candidatos mantêm o empate com 47%, uma oscilação positiva de um ponto para cada em relação à rodada anterior. Esse alto nível de rejeição, tanto a Lula quanto a Flávio, pode ajudar a explicar o baixo efeito das notícias no comportamento do eleitor, pois não há uma opção razoável para que seus eleitores considerem a mudança de voto. Mais uma vez, para muitos brasileiros, a eleição presidencial caminha para uma escolha em oposição, ou entre o “menos pior”, de modo que tanto as propostas quanto as denúncias parecem ter um peso limitado na decisão final.
 

JAIRO PIMENTEL
Cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
 

A pesquisa Datafolha mostra uma disputa bastante equilibrada nas intenções de voto, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ao mesmo tempo, registra melhora na aprovação e na avaliação do governo Lula. A aprovação presidencial subiu de 45% para 48% desde o início do mês, enquanto a avaliação "ótimo/bom" chegou a 34%. Pelo modelo histórico, esse nível de avaliação corresponde a uma probabilidade de vitória de 71,6% para o incumbente, contra 28,4% de derrota — chance de aproximadamente 2,5 para 1. Já os 48% de aprovação equivalem a uma probabilidade histórica de vitória de 68,9%, ou cerca de 2,2 para 1.
 

A convergência dos dois indicadores é o principal dado: apesar do empate nas intenções de voto, a aprovação e a avaliação colocam o incumbente em uma faixa historicamente mais associada à vitória do que à derrota. Embora partam de medidas diferentes — avaliação do governo e aprovação do trabalho presidencial —, ambos os indicadores posicionam o governante em uma faixa próxima de 70% de probabilidade histórica de triunfo. Portanto, mesmo que a fotografia das intenções de voto mostre uma eleição praticamente empatada, os indicadores estruturais de avaliação da gestão apontam para uma situação historicamente mais favorável à continuidade do que à derrota do incumbente.
 

Isso não significa que Lula tenha hoje, necessariamente, 70% de chance de derrotar Flávio Bolsonaro. O modelo não incorpora diretamente a identidade ou a força do adversário, nem todas as circunstâncias específicas da eleição de 2026. O que ele permite afirmar é que, em eleições anteriores, incumbentes que chegaram ao pleito com níveis semelhantes de aprovação e avaliação venceram com uma frequência significativamente maior do que perderam.
 

Uma das possíveis explicações para essa vantagem histórica está na própria condição de incumbência. Quem ocupa o governo não participa da disputa apenas como candidato: dispõe também da capacidade institucional de implementar políticas públicas, produzir decisões governamentais e disputar a agenda política a partir de ações concretas. O reajuste anunciado do Bolsa Família é um exemplo dessa dinâmica. O governo elevou em 15,04% os valores do programa a 17 dias do primeiro turno. Talvez o efeito mais imediato nem seja uma alteração instantânea nas intenções de voto, mas uma mudança na agenda da eleição.
 

Depois de semanas em que o "caso Master" e a crise envolvendo ministros do STF ocuparam espaço central no debate político, o reajuste do Bolsa Família introduz uma pauta de renda, inflação e proteção social que passa a disputar espaço com esses temas no noticiário e no discurso das campanhas. Como o "caso Master" e as controvérsias no Supremo continuam ativos no noticiário, seria precipitado afirmar que foram retirados da agenda; o que se pode observar, no entanto, é o surgimento de uma pauta concorrente com capacidade de reorganizar parte do debate eleitoral.

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