A deputada federal Erika Hilton do PSOL está sendo bombardeada desde o último final de semana. Motivo: foi destaque internacional no EuroPride 2025, maior evento LGBT+ do mundo, que ocorre no mês da conscientização LGBT+ e engloba marchas e palestras em defesa dos direitos humanos.
Além de ser a primeira mulher trans a liderar uma bancada parlamentar no Congresso, foi eleita uma das "100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo em 2022", pela BBC, e uma das "100 maiores líderes da nova geração" pela revista TIME.
Embora Erika esteja sendo bombardeada por ter sido mais uma vez destaque internacional, a construção de narrativas tenta justificar o injustificável ao dar de mãos com mentiras, relativização e fake news.
A deputada não foi à Europa para um show. Foi ao evento já relatado parágrafos acima e, em momento de folga, ao show. A deputada não levou maquiadores pagos com dinheiro público, mas sim assessores, em agenda internacional, que são, profissionalmente, maquiadores.
Ora, que absurdo uma mulher ter amigos maquiadores e nomeá-los para sua equipe, não? Queria saber qual o critério de nomeação de assessores de gabinete que não seja justamente a amizade. Também queria saber quais são os assessores parlamentares que não possuem profissão para além de tal trabalho.
Como se isso não bastasse, os detratores tentam deslegitimar a deputada pela sua ausência na Parada LGBT+ de São Paulo. Ora, primeiramente, dizer que ela tem a obrigação de se fazer presente é reduzir a pessoa trans a um único espaço de poder. É negar a individualidade transformando a ativista apenas em representante de coletivos. Erika é pessoa, é mulher, e é cidadã - do mundo, aliás.
A grande dificuldade do campo progressista (já que os outros campos não surpreendem) é admitir a simples existência de pessoas trans que tenham repercussão para além da prostituição, do caricato e do alegórico. A deputada Erika levar porrada não está fora do script. O problema é de onde vem a porrada. Só resta o opróbrio.
Adriano Viaro
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