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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026

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EXCLUSIVO: Imagens de câmera corporal “desaparecem” e morte de refugiado negro pela PM caminha para arquivamento

Processo foi recebido pela Folha TV

EXCLUSIVO: Imagens de câmera corporal “desaparecem” e morte de refugiado negro pela PM caminha para arquivamento
Foto: Divulgação/Polícia Militar de São Paulo
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Folha TV recebeu informações de que imagens de câmera corporal “desapareceram” e processo sobre a morte de refugiado negro pela Polícia Militar em SP caminha para o arquivamento. Família recorre à Procuradoria-Geral e à Ouvidoria das Polícias.

 Bubacarr Dukureh, 28 anos, negro, refugiado da Gâmbia e pai de um menino de três anos, foi morto com um tiro no peito por um policial militar em 15 de setembro de 2022, na Av. Nove de Julho, nos Jardins. Caminhava sozinho, com R$ 4,00, um bilhete único e dois currículos na mochila. Foi abordado por “nervosismo”.

O Ministério Público promoveu o arquivamento por suposta legítima defesa, com base na palavra do policial que atirou. Em 2025, a Polícia Civil afirmou por escrito que as imagens da câmera corporal “já foram disponibilizadas”. Elas nunca apareceram no processo. Em 2026, a PM disse que “não existem mais”. A trilha de auditoria das câmeras, pedida em 2024, nunca foi entregue.

O policial abordou sozinho, sem esperar o colega que portava Taser. A faca atribuída à vítima nunca foi periciada e teria sido deslocada “com o pé” pelo atirador. A única testemunha civil ouvida teria sido questionada de forma intimidatória por policiais, e a mulher que estava com ela nunca foi identificada. O policial já havia sido investigado cinco vezes por violência em abordagens, e todas as apurações foram encerradas apenas com a palavra dos policiais. Em São Paulo, menos de 2% das mortes causadas por PMs resultam em condenação, segundo pesquisa da USP.

“A versão de que ele reagiu não se sustenta diante das provas dos autos. Mas, mesmo que tivesse reagido, foi desproporcional”, afirma a advogada da família, Juliana de Almeida Valente. “Não é preciso um tiro no peito para conter um homem de 1,70 metro, franzino, um migrante em sofrimento psíquico que talvez nem tenha compreendido as ordens. No caso de Camila Pereira da Silva, em outubro, havia imagens, e o policial foi preso. No de Bubacarr, as imagens desapareceram.”

A família pediu à Procuradoria-Geral de Justiça a revisão do arquivamento e à Ouvidoria das Polícias a apuração do destino das imagens.

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