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Sabado, 27 de Junho de 2026

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Injustiça com Léo Lins? Por Prof. Viaro

Sobre a condenação de Léo Lins

Injustiça com Léo Lins? Por Prof. Viaro
Foto: Reprodução
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Alguém que flerta com o neonazismo - em postura, opiniões e discursos de ódio - encontra no humor o álibi perfeito: é piada, então pode. 

Ah, e pode tudo. Desde vítimas da Boate Kiss, cadeirantes, ou o cadáver de Marielle. É, o cadáver da Marielle. 

Mas a pena foi pesada. Ela sempre será pesada. O ideal é que todo racista, homofóbico, capacitista, etc., deixe de ser burro e substitua o xingamento pela piada. Pronto! Genial, não? 

O problema é que racismo não é ofensa. É ataque a uma coletividade! Quando se ataca a cor da pele de alguém, está se atacando a todos que possuem a mesma cor. E isso vale para os outros preconceitos de ordem coletiva. 

Ah, a dosimetria é fruto da soma de todos os crimes cometidos. Ops, desculpa, não são crimes. São piadas. Erro meu. 

O Brasil nunca irá moralizar a questão do preconceito, pois há tipificação no Código Penal, mas as penas nunca são aplicadas. No máximo uma ação de caridade ou algumas cestas básicas. 

Eu, se estiver em um show de piada do Léo Lins, assistirei às piadas de negro, gordos, velhos, cadeirantes, LGBTs e, pasmem, sairei sem ser atingido por nenhuma delas! Logo, fica confortável pedir que peguem leve. É, leve, é só uma piada. 

Pautando pela questão étnico-racial, foram só 350 anos de exploração da mão de obra escravizada. Pouca coisa. Deixa estar. 

Em tempo: é o indivíduo ofendido que deve recorrer à justiça? Não, não é. Racismo não é crime contra o indivíduo. É contra toda uma coletividade - mesmo quando a ação for específica  a um CPF. 

A pena não é vista como dura, pois foi uma piada. É vista como dura, pois ninguém neste país vê o preconceito como algo grave. 

Por fim: aos marxistas de plantão, a desrracialização da escravidão como forma de análise, a partir da ideia de "proto trabalho" é racista por excelência e comodismo. 

Racistas individualizam a vítima de racismo como forma de enfraquecimento dos desassistidos. Além de não ter oportunidades, passa a ser "ele por ele mesmo" diante de um crime que ataca a própria dignidade. 

Adriano Viaro

Autor de O AntiCoach

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