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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026

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Marielle vive! Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

Marielle vive! Por Lia Sérgia Marcondes
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Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.

Oito anos. Foram oito longos anos esperando a Justiça tirar o sono de quem mandou matar uma vereadora negra, mulher, da favela, de esquerda, que simplesmente ousou existir na política. Mas o veredicto finalmente veio.

Voltamos do fim de semana com a poeira ainda não assentada. E olha que tem poeira para todo lado! E se o Brasil não dá trégua, a gente segue com muito assunto nessa humilde coluna. Entre julgamento histórico, campanha antecipada na manifestação flopada, herança maldita de lobista e inteligência artificial trabalhando para eleger candidatos, a semana começou no modo turbo.

Então se segura aí e vamos ver o que rolou na última semana. A recomendação de hoje é um café duplo, porque o noticiário está mais denso do que o trânsito de São Paulo em uma sexta-feira chuvosa.

MARIELLE PRESENTE!

E, nesta última semana, a Primeira Turma do STF finalmente condenou os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco  (que também vitimou seu motorista, Anderson Gomes): Domingos e Chiquinho Brazão. Os irmãos milicianos que achavam que o Rio de Janeiro era propriedade privada deles.

Xandão foi cirúrgico em sua análise, e demonstrou que o crime não foi apenas político. Foi um crime racial, misógino e foi a tentativa de silenciar uma voz incômoda com a lógica de miliciano: "matar uma preta pobre não dá repercussão". Erro feio. Marielle virou símbolo mundial.

Em sua fala emocionada, a ministra Cármen Lúcia perguntou: quantas Marielles o Brasil ainda permitirá perder? Bem, a resposta está nas urnas, nas ruas, na nossa capacidade de não normalizar o extermínio de quem incomoda o poder. Os 76 anos de prisão para quem achava que era dono da vida alheia ainda é pouco, diante do tamanho do absurdo. Mas é o que a lei permite.

Justiça tardia é melhor do que impunidade. Mas que seja exemplo: no Brasil de 2026, matar por política ainda não sairá barato.

QUEM COM PORCOS ANDA...

Bastou o nome de Lulinha aparecer ao lado do “Careca do INSS” para a oposição entrar em modo sirene máxima. A CPMI virou espetáculo: acusação de fraude na votação, governistas gritando “golpe”, dedo em riste e câmera ligada. Enquanto isso, os aposentados seguem esperando o dinheiro que sumiu e o governo trabalhando para cobrir o rombo.

Só que, antes do picadeiro ser montado, o STF já tinha se mexido. Em janeiro, o ministro André Mendonça autorizou a quebra de sigilo a pedido da PF para apurar se o filho do presidente teria atuado como sócio oculto. Até agora, segundo os investigadores, não há prova de participação direta nos desvios. São apenas citações em mensagens de terceiros.

A defesa diz que a medida foi desnecessária, porque ele teria se disposto a entregar documentos espontaneamente. Mas em ano pré-eleitoral, espontaneidade não rende manchete. Rende pouco clique.

Lula já avisou: se tiver filho metido, que investigue. O problema é que, no Brasil, suspeita contra família presidencial vira combustível de campanha antes mesmo de virar denúncia formal. As nossas avós já avisavam: quem com porcos anda, farelo come. Cuidado com as companhias...

CHUPETINHA ESTÁ EM TODAS

E por falar em companhias duvidosas.... Se os bolsozentos estão quase tendo orgasmos com a possibilidade de algum envolvimento de Lulinha com o caso do INSS, o que será que eles pensam sobre a amizade de Nikolas com Vorcaro?

E não é que Chupetinha andou no jatinho do CEO do Banco Master em 2022, para fazer caravana pró-Bolsonaro por nove estados? Dez dias de voos, eventos lotados, e o deputado diz que não sabia de quem era o avião. "Nunca apertei a mão de Vorcaro", jurou. Coincidência? Quando é do lado deles, tudo vira coincidência mais rápido do que Lucas Braathen em cima dos skis.

Foto: Reprodução/ICL Notícias

E PODE? CLARO QUE NÃO PODE!

Dizem que chumbo trocado não dói. Será? Pois bem! O PT devolveu o afago e meteu uma representação no TSE contra Flávio Bolsonaro. Motivo? Propaganda antecipada no ato da Paulista do dia 1º de março. Se tem uma coisa que não falta a Lindbergh Farias, é material. O Wonkanaro prometeu que, em janeiro de 2027, alguém da familícia estaria subindo a rampa do Planalto (o pai inelegível? ele próprio?) e ainda vinculou a escolha de senadores à pauta de impeachment de ministros do STF. Mas o PT não entrou sozinho nessa briga. A deputada Erika Hilton também protocolou uma ação no TSE contra o mesmo Flávio pelo mesmo motivo.

O engraçado é que o próprio Flávio e seus asseclas vinham acusando Lula de propaganda antecipada por causa da homenagem na Sapucaí. A homenagem da escola de samba não podia, mas fazer discurso eleitoreiro em palanque na Paulista pode? Tem que ver isso aí, talkei?

Infelizmente, sabemos que o TSE vai demorar, como sempre, e quando decidir já será tarde. A campanha antecipada virou o esporte favorito de quem tem medo de perder e tem dinheiro de sobra para gastar. Flávio joga sujo porque sabe que precisa consolidar o nome antes que o pai apodreça na cadeia (literal e politicamente).

O ato "Acorda Brasil" reuniu 20 mil pessoas. Segundo o Monitor do Debate Político da USP, foi o segundo menor público já registrado no local. Dizem que o bolsonarismo está acordando, sim. Mas parece que o despertador estava no modo soneca.

PAPUDINHA COWORKING OFFICES

E por falar em campanha, Wonkanaro está trabalhando diligentemente em sua campanha presidencial. (Esse homem não era senador? Ele não tinha que estar fazendo outras coisas?) Enfim... O negócio é que o 01 está cansadinho de ter acesso limitado ao papaizinho e teve uma ideia “genial”: virou advogado do Insoltável. Com a manobra jurídica, agora ele tem acesso irrestrito ao líder presidiário, que ainda dá as suas cartadas na extrema-direita.

Mas nem nisto eles são originais. Sabemos que, em 2018, Fernando Haddad fez exatamente isso com Lula, quando ele estava preso (sem provas) em Curitiba. Agora Flávio repete a dose: de filho visitante duas vezes por semana, passou a advogado de plantão. Mesmo sem conseguir a prisão domiciliar, a manobra ajudou o Bozo a se manter ativo e seguir dando pitacos na estratégia eleitoral do filho, de dentro do presídio mesmo. A diferença entre as duas situações? Lula foi inocentado e não tentou dar um Golpe de Estado.

Dada a natureza do crime que ocasionou a prisão do Bozo, que teve fartas provas que comprovaram a sua condenação, me pergunto se é juridicamente correto que um golpista tenha um advogado que é candidato ao cargo mais alto da nação. Com a palavra, os juristas. Tem caroço nesse angu.

IA ELEITOREIRA

O TSE finalmente acordou para o século XXI e instituiu regras para inteligência artificial nas eleições. Proibiu deepfakes nas 72 horas antes da votação, exigiu rótulo em conteúdo sintético e mandou os algoritmos pararem de recomendar candidatos. Bonito, né?

Só que tem alguns detalhes aí. De que adianta proibir deepfake só no final, se passarem a campanha inteirinha espalhando mentiras? O TSE, que demora séculos para julgar recurso, vai conseguir linha de denúncias rápida? E a cereja do bolo: quem fiscaliza são as próprias plataformas. Aquelas que lucram com engajamento extremo agora vão tirar fake do ar por bondade?

Tomara que o TSE tenha mão pesada. Porque em 2026, a eleição não será decidida apenas na TV. Será decidida no WhatsApp, no TikTok, no X... E a mentira digital corre mais rápido do que os fact-checking, mais rápido do que o TSE, e muito mais rápido do que a Justiça Eleitoral consegue enxergar o óbvio. Valei-nos, São Asimov!

PALHAÇADA SIMBÓLICA

O Congresso Inimigo do Povo contra-ataca! Desta vez, o alvo foi o PL Antifacção. Aquele que deveria combater o crime organizado, mas que virou moeda de troca para salvar as bets das apostas online.

A Câmara aprovou o texto simbolicamente, mas não sem antes fazer uma verdadeira acrobacia legislativa: retirou a Cide-Bets, contribuição de 15% sobre as transferências para casas de apostas que renderia até R$ 30 bilhões para a segurança pública. Para variar, Hugo Nem se Importta provou mais uma vez que é herdeiro do “método Lira”, e aprovou tudo sem deixar ninguém registrar nada direito.

A maior ironia é que o relator Guilherme Derrite, o mesmo que já havia causado tanta confusão da redação desse projeto, subiu nas tamancas e não gostou nadinha do que aconteceu. Acusou a outra Casa de "enfraquecer estruturalmente" o combate às facções, reduzir penas, suprimir instrumentos eficazes e reabrir margens para a impunidade. Disse que o texto virou uma verdadeira "colcha de retalhos legislativa". Mas, quando chegou a hora de votar, teve que engolir a versão sem o dinheiro das bets.

O resultado dessa palhaçada de votação simbólica é que temos agora um projeto para endurecer o combate ao crime que perdeu sua principal fonte de financiamento. A segurança pública fica no papel, as facções continuam nas ruas, e as casas de apostas continuam fazendo a festa. Já diria o velho deitado: é muito barulho para pouca grana. No fim, é o crime organizado que agradece.

QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA

O desembargador que absolveu estuprador de menina de 12 anos por "formação de família" foi afastado pelo CNJ por denúncias de assédio e abuso sexual. Magid Nauef Láuar caiu e, no lugar dele, um juiz de primeira instância foi convocado para relatar o caso. O réu voltou para a cadeia, o magistrado saiu de cena, e a Justiça de Minas tenta apagar o vexame.

Coincidência? Não. Padrão. Quem absolve abuso costuma ter o que esconder. As capivaras do desembargador vieram à tona, e a deputada Duda Salabert empurrou para o CNJ aquilo que a repercussão do caso escancarou. Agora o processo terá novo relator. Que desta vez a Justiça funcione como deveria: sem "vínculos afetivos" entre criminosos e togas.

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS

Depois de mais de um mês de protesto, indígenas Munduruku finalmente puderam desmontar seu acampamento na Cargill, em Santarém. O governo ouviu a voz da razão e revogou o decreto das hidrovias que ameaçava os rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

Depois de 33 dias de ocupação, com 1.200 pessoas mobilizadas, a caneta presidencial atuou para reconhecer que não dá para falar em transição ecológica sem ouvir quem vive na floresta. Lula entendeu que a demarcação de território não é sinônimo de consulta. Os povos do Tapajós não precisam de mais estudos, e sim de respeito.

O governo suspendeu licitação de dragagem, cancelou decreto, e agora promete não tocar no assunto até as eleições passarem. Vitória indígena? Por enquanto sim. Mas com gosto amargo de quem só é ouvido quando bloqueia estrada e invade multinacional.

E por hoje é só, minha gente. Neste país da piada pronta, continuo servindo seu cafézim com uma colherinha de sarcasmo e pitadas de bom humor. Até porque, o circo bolsonarista pode até estar pegando fogo, mas a trupe está armada e o palhaço quer ser presidente.

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