Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
Meninos, eu vi! Quem mais aí viu? Voltou à tona a história daquele “jantarzinho” que rolou em 2023 entre políticos e Faria Limers (tão cheio de ostentação, que mais parecia ter sido organizado pela Virgínia). Só o pedido de reembolso do tal jantar foi de R$27 mil! O que eu sei, é que um certo deputado andou choramingando, depois de tentar cantar de galo no Congresso Nacional. Tudo por causa de “meia dúzia” de videozinhos de IA que viralizaram, falando desta e outras mamatas dessa turma! E quem se importa?
Essa história me fez lembrar de quando eu era criança, e sempre tinha aquela criança que era dona da bola. Toda vez que a gente marcava gol, ele pegava a bola e ia pra casa, dando uma de valentão. O problema é que, no dia seguinte, a gente ia fazer outras brincadeiras e ninguém chamava ele. Aí ele voltava pra casa chorando.
Vai vendo... Vai brincando com o povo. A gente sabe que vocês estão muito mal-acostumados a tirar proveito da gente, mas parece que tem uma galera aí que já entendeu quem são os verdadeiros INIMIGOS DO POVO. Vamos por partes... que essa semana foi comprida!

VOCÊ SABE O QUE É CAVIAR?
Nunca vi, nem comi, só ouço falar também. Mas sabe quem já comeu? Enquanto o povo debatia nas redes sociais, a elite brindava em jantar de R$27 mil, com direito a pedido de reembolso gourmet bancado pelos nossos boletos.
Hugo Motta, rotulado de “inimigo do povo” após derrubar medidas a favor dos mais pobres, foi tratado como “herói do Brasil” por João Doria e afagado por empresários da Faria Lima. Entre espumantes e sorrisos, celebrou-se a manutenção dos benefícios fiscais e o bloqueio de R$10 bilhões em programas sociais. Tudo em nome do "controle fiscal", claro. Afinal, se o Brasil vai afundar, que seja com bufê fino e tapete persa.
GILMARPALOOZA
E no meio do caos, rolou aqui em Portugal, a 13ª edição do Gilmarpalooza: o festival anual que transforma Lisboa na Disneylândia dos Poderes. Com passagens e diárias em boa parte pagas com dinheiro público, mais de 150 autoridades brasileiras – entre ministros, parlamentares, governadores e empresários com ações tramitando no STF –, vão se esbaldar em painéis jurídicos, jantares discretos e networking de luxo. Do outro lado do Atlântico, a conta pinga devagar no Portal da Transparência, e ninguém sabe quem pagou o quê. Mas sabemos que não foi pouco. Ah, se sabemos...
Enquanto o Brasil discute cortes em programas sociais, o Judiciário, o Executivo e o Legislativo fazem turismo institucional à beira do Rio Tejo. Entre um vinho do Porto e um pastel de Belém, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Barroso, Dino, Lira, Motta e companhia garantem: estão “debatendo o futuro do Brasil”. Vai ver é por isso que o futuro parece sempre tão distante do povo.
- A gente sabe que o evento acontece todo ano, há 13 anos. Mas é que neste ano, neste período, com tudo o que está acontecendo no Brasil... Pegou mal pra geral!
LISBOA CONNECTION
E falando em coisas que pegaram mal... Depois de arrancar R$ 10 bilhões dos cofres públicos em nome da austeridade, Hugo Motta embarcou para o Gilmarpalooza em um jatinho da FAB, com direito a carona pra Lira e outros amigos do “clube do privilégio”. Enquanto os ministros do STF viajaram em voos comerciais, Motta (aquele que diz defender o “foco em pautas importantes”) fez o trajeto no conforto de um Legacy VC99, com 15 assentos e nenhum pudor.
Não é a primeira vez: em maio, usou a mesma aeronave da FAB para um tour de eventos empresariais em Nova York, bancado com R$14 mil em diárias públicas. Fez selfie com CEOs, brindou com investidores e ainda marcou presença num jantar promovido pela Refit (também conhecida por ser a maior devedora de ICMS do Brasil). Pra pobre, é corte. Pra elite, é festinha no exterior com nota fiscal e reembolso pago pelos cofres públicos.
MOTTA AIRLINES
E como quem voa uma vez, voa sempre, achei importante mencionar que Hugo Motta também usou um avião da FAB para embarcar numa turnê junina de luxo: foi de Petrolina a Campina Grande, com paradas estratégicas em Salvador e Brasília, para curtir as melhores festas juninas do Nordeste. Foi um verdadeiro São João VIP!
Achou pouco? No fim de semana seguinte, lá estava ele de novo a bordo de um avião da FAB, pousando no Amazonas, para prestigiar o Festival de Parintins, ao lado do presidente do Senano Davi Alcolumbre, do Ministro Barroso (STF), além do ministro do Turismo, Celso Sabino.
Enquanto o povo paga a passagem de ônibus em 12 vezes no cartão, o alto clero da República coleciona milhas públicas em nome da “valorização cultural”. O Brasil virou o open bar da austeridade seletiva. Mas não é só no ar que Motta tem circulado. Nas redes sociais, o nome dele decolou por outros motivos...
NEM SE IMPORTA
Enquanto viajava em jatinhos da FAB e cortava bilhões do orçamento social, além de desfilar entre empresários e ministros em Lisboa, o presidente da Câmara virou trend topic. Desta vez, graças aos maravilhosos memes gerados com IA, roteirizados pela população exausta de ver tanta hipocrisia.
Batizado nas redes de “Hugo Nem Se Importa”, Motta virou personagem de vídeos satíricos, onde um avatar gerado por inteligência artificial aparece recitando absurdos com a serenidade de quem nunca pegou um ônibus lotado na vida. “Estamos cortando gasto, sim. Menos verba pra saúde, menos pra educação e, claro, reforma na aposentadoria do povo”, diz uma das versões que viralizou no TikTok e no Instagram.
A onda de deboche digital surgiu depois da derrubada dos decretos do presidente Lula que aumentavam o IOF para setores mais privilegiados. A internet não perdoou. No lugar do terno, Motta ganhou montagens com coroa de rei, fundo de dólar e até remix com funk proibidão.
A estética? Deep fake de quinta com a força de um editorial. A crítica? Mais certeira do que muito editorial de jornalão. A elite política pode até viajar em classe executiva e em aviões da FAB, mas o povo já embarcou no voo da ironia. E sem passagem de volta!

Imagem: Hugo Motta. NÃO É MONTAGEM DE IA / Reprodução ICL Notícias.
SEM ANISTIA
Lembra do que falei lá no começo, sobre a criança birrenta que levava a bola pra casa? Depois de ser chamado de “inimigo do povo” por cortar verbas sociais e blindar privilégios, Hugo Motta agora quer vingança. Como se fosse pouco o golpe que ele deu na população.
Agora ele tenta ressuscitar o projeto de anistia aos golpistas do 8 de Janeiro. Diz ele que está buscando um “equilíbrio”, enquanto ameaça o Supremo e flerta com a extrema direita. O que é um ego ferido de um macho, né meu povo?!
PIX ELEITORAL
E como a safadeza não tem fim, a cúpula do Congresso “Inimigo do povo brasileiro” quer aprovar um calendário que obriga o governo a liberar bilhões em emendas antes das eleições de 2026. O plano? Garantir que prefeitos e governadores estejam abastecidos com dinheiro público a tempo de render votos aos padrinhos no Parlamento. Chamam de "execução orçamentária". Mas você aí já entendeu, né? É Pix com fins eleitorais, e sem recibo de vergonha.
AULA DE CIDADANIA
Enquanto parlamentares preparam um calendário de Pix Eleitoral bilionário, quem dá aula de decência é o povo. Militantes do MTST e da Frente Povo Sem Medo ocuparam a sede do Itaú BBA (o prédio mais caro do Brasil) exigindo justiça tributária. As faixas diziam o óbvio que Brasília finge não ver: “Quem tem mais, paga mais. Quem tem menos, entra no orçamento”. Motta reclama de meme, e o povo responde com ocupação.
Já que o Congresso se comporta como balcão de negócios, a resposta vem das ruas, com direito a megafones e muita consciência de classe. A elite se esconde atrás de jatinhos e jantares com CEOs, mas a população começou a entender quem é que sustenta essa farra fiscal: nós.
A ocupação foi um recado claro de que não dá pra enfiar ajuste fiscal na goela dos mais pobres, enquanto os donos de prédio bilionário pagam menos impostos do que quem faz bico no iFood. Tá achando forte? Calma que dia 10 tem manifestação na Paulista. E vai ter Plebiscito Popular até setembro. Se Brasília não escuta o povo, o povo grita até ecoar nos dividendos.
EU QUERO BOTAR MEU BLOCO NA RUA...
No dia 10 de julho o povo volta à Avenida Paulista com pauta e endereço certos! O deputado Guilherme Boulos convocou ato em defesa da “Taxação BBB” ( Bilionários, Bancos e Bets), reforçando a divisão que o Congresso finge não ver: quem paga imposto é o povo; quem foge é o andar de cima.
Na manifestação, organizada para acontecer nas redondezas do MASP, vão colar Lula, o PSOL e vários movimentos sociais num mesmo coro: “Quem tem jatinho, que banque a conta.”
Enquanto isso, a oposição entra em pânico: Zema chamou a campanha de “blá-blá-blá”, e os aliados do Centrão lançaram vídeos de IA tentando equilibrar carroças em balanças de mentira. Mas o bar já virou! No Boteco Brasil, quem sempre levou a conta nas costas agora quer dividir a rodada. Os donos do boteco mandaram avisar: não tem mais fiado pra acionista.
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...
Estão sentindo? São os ventos da boa notícia. Trazendo boas energias e revanche histórica.
Dez anos depois de virar meme, Dilma Rousseff finalmente serviu o troco com classe. Na reunião do Banco dos Brics, no Rio, a nossa amada ex-presidenta lembrou com ironia das chacotas que ouviu em 2015 por falar sobre “armazenar vento e sol”.
Se no passado ela foi chamada de ignorante, hoje virou tendência global: a própria disrupção energética que apagou Portugal e Espanha em abril mostrou que quem não souber “guardar vento” vai ficar no escuro (literalmente).
Dilmãe explicou o que dizia desde sempre: fontes renováveis são intermitentes, e só com o desenvolvimento de tecnologias de armazenamento será possível garantir a estabilidade no sistema. A tal da “grid”, que hoje é discutida nos fóruns de energia mais avançados do mundo, é exatamente o que ela defendia.
Moral da história? Enquanto alguns tentavam estocar likes zombando, ela falava de futuro. E o futuro chegou, meus caros!

Foto: Reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento/Ricardo Stuckert.
E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, entre o colapso mental e o colapso de riso, eu sigo preferindo o segundo.
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