Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
Não foi o suposto grito do Ipiranga, mas o dia 1º de outubro de 2025 parecia histórico. O Congresso Inimigo do Povo, aquele mesmo que vive tentando se blindar pra cometer crimes em paz, aprovou por UNANIMIDADE a isenção do IR até R$ 5 mil. Parecia milagre tributário, parecia justiça fiscal. Parecia...
Bastou virar a semana para o Centrão mostrar o que realmente entende de economia: tiraram R$ 35 bilhões do povo, para servir de bandeja para a Faria Lima. Eles continuam servindo sua especialidade: sabotar o país em nome do poder.
Outubro está uma verdadeira montanha-russa de emoções no campo político. É Trump se chegando em Lula, o bolsarismo estrebuchando e Michelle Bolsonaro mais perdida que Chicó: é candidata, não é candidata, é candidata, não é candidata... Dizem que ela não aguenta mais essa agonia!
Mas, vambora tomar essa média com um pãozinho de queijo, e ver quem realmente saiu ganhando com a “isenção histórica”. Porque, o cheiro de café tá bom, mas a conta sempre vem...

PANAMERICAN... LOVER?
O tal telefonema entre Lula e Trump, que parecia fofoca de bastidor, virou diplomacia do jeitinho que eu gosto: com café. A conversa “muito amigável”, segundo Lula, terminou com uma troca de números pessoais e o início do fim do tarifaço americano, que ferveu o bolso dos consumidores nos EUA e esfriou as exportações brasileiras.
Trump disse que os americanos estavam “sentindo falta do café brasileiro”. Agora, devidamente cafeinado, designou o secretário de Estado, Marco Rubio, pra negociar a trégua. Lula deu a letra: Rubio tem que conversar com o Brasil sem preconceito.
Alckmin já confirmou o pleito: suspender as tarifas enquanto duram as tratativas. O chanceler Mauro Vieira pegou a missão representar o Brasil em Washington, onde deve desembarcar na próxima sexta (17), para discutir o tarifaço e as sanções aplicadas a autoridades brasileiras.
No fim, o que começou como fofoca virou política externa com aroma de torra média e café de sabor intenso e doce. E o bolsonarismo? Entrou em pane com o ex-mito americano trocando o “discípulo brazuca” por um estadista barbudo que entende de tudo de timing político.

Foto: Reprodução/Internet
CANDIDATURA IO-IÔ
Enquanto isso, no mundinho insalubre da extrema-direita brasileira, o roteiro da família Bolsonaro continua mais confuso que reality de subcelebridade. Depois de semanas de vai-não-vai, Jair resolveu apoiar Tarcísio pra 2026. Segundo seus aliados, essa aprovação vinha com uma condição: Michelle na vice. O problema? O Centrão não quer o sobrenome Bolsonaro nem gravado em ouro, e o Inelegível já falou que não quer Micheque na chapa.
Tarcísio fingiu entusiasmo, mas dizem que ele prefere disputar a reeleição e deixar a cadeira presidencial pra depois. Será? Enquanto isso, o PL tenta empurrar Michelle pro Senado, onde pode seguir pregando “valores cristãos” sem precisar fingir que entende de economia.
No fim, o clã segue dividido: Jair tentando manter o nome vivo, Little Banana com ciúmes e Micheque descobrindo que política real não tem filtro nem legenda bíblica. E Tarcísio? Segue fazendo o que faz de melhor: destruindo ainda mais a própria imagem.
TARCÍNICO
O apelido dado pelo campo progressista revela-se cada dia mais correto: Tarcínico de Freitas. Não poderia deixar de registrar aqui que enquanto o povo tem visto o seu lazer afetado pela crise do metanol nas bebidas, o governador de São Paulo resolveu fazer piada. Disse que só ficaria alarmado “no dia em que começarem a falsificar Coca-Cola”. Típica frase de um (des)governo que enxerga a tragédia alheia como briefing de campanha. Com 4 mortes, 32 contaminações confirmadas e outras 181 em investigação no Brasil, este tipo de comportamento serve para que a gente lembre: a empatia não é o forte do bolsonarista raiz, porque não paga bônus.
Falando em bônus, lembremos que o mesmo governador que distribuiu milhões à PM de São Paulo, alegou “falta de dinheiro” pra pagar o combinado aos servidores da Saúde. Os profissionais, que enfrentaram pandemia e sucateamento, ouviram do governo que precisam esperar o “impacto orçamentário”. Impacto mesmo é o de saber que a PM recebeu 367 vezes mais do que a Saúde.
Entre uma piada infeliz e uma promessa quebrada, o governador mostra que entende de crise do mesmo jeito que entende de política: com frieza corporativa e zero noção de prioridade. É isso aí que a extrema-direita quer ter como presidente? Nenhuma novidade. Para eles, o povo é descartável.
MILAGRE TRIBUTÁRIO
Quem diria! O mesmo Congresso que vive tentando se blindar decidiu, por unanimidade, aliviar o bolso do trabalhador. A isenção do IR até R$ 5 mil passou com 493 votos, e até a bancada BBB (Bancos, Bilionários e Bets) engoliu seco.
Lula surfou na popularidade, Lindbergh discursou emocionado, Gleisi chamou de “dia histórico” e Melchionna não deixou de dar os devidos créditos a quem mais lutou para que o projeto saísse da gaveta: as pessoas que foram às ruas. Lira saiu do plenário com o peito mais estufado que peru de Natal, como se tivesse acabado de inventar a justiça fiscal.
Entre ajustes no ProUni e dividendos empurrados pra 2026, o milagre parecia completo: o povo com o bolso um pouco mais leve, o governo com a foto da vitória, e o Congresso a fingir virtude por um dia. Quem não conhece que compre...
RECEBA 7, PAGUE 2
O Centrão voltou à sua vocação natural: transformar o Congresso numa feira e rifar o Código Penal. Mal o povo celebrou a isenção do IR, já veio o “projeto relâmpago” pra reduzir de sete pra dois anos a pena do capitão. Um “mimo” golpista travestido de “reforma”.
Paulinho do Lado Escuro da Força articula, Alcolumbre finge ponderar, e o resto negocia nos bastidores como se a democracia fosse mercadoria de liquidação. A PEC da Blindagem reencarnou com nome novo: “redução de pena”. Mesmo cheiro, embalagem diferente.
O plano é vender a farsa como “paz institucional”, enquanto Bolsonaro sonha em trocar o pijama listrado pelo roupão de casa antes do Carnaval. Mas Lula não nasceu ontem e já sentiu o perfume de cilada no ar.
VERMELHOU
Enquanto o Centrão tentava vender perdão em promoção, Lula surfou na melhor maré política do seu terceiro mandato: isenção do IR aprovada, desemprego em baixa recorde, a ONU anunciando que o Brasil estava fora do Mapa da Fome e um certo clima de otimismo no Planalto. Os bolsonaristas até trocaram o zap pelo chá de camomila.
Enquanto o campo progressista comemorava, os cínicos de sempre fingiam entusiasmo. Até Hugo Nem se Importa estava até jurando amor à isenção do IR! É como dizem... político sente cheiro de voto como tubarão sente o de sangue.
Mas não se engane: por trás dos sorrisos e do cafézim da vitória, o Centrão continua de olho no cofre e na contagem regressiva pra 2026. Em Brasília, até a maré boa vem com ressaca.
CAFÉ AMARGO
E a ressaca veio. Enquanto o governo surfava a maré boa da isenção do IR, o Centrão servia café queimado e amargo ao povo. A MP do IOF (a tal que taxava bancos, fundos e apostas para financiar os programas sociais) foi assassinada pelos snipers da Câmara. R$ 35 bilhões evaporaram em nome dos “interesses do mercado”. O golpe foi tão bem orquestrado que a extrema-direita comemorou vergonhosamente, aos berros. Sob o comando de Hugo Nem Se Importa, a Câmara deixou o texto caducar e blindou os super-ricos, deixando o governo com o boleto para quitar.
Nos bastidores, a sabotagem teve maestro conhecido: Tarcínico de Freitas. O cãozinho amestrado da Faria Lima, que adora fingir neutralidade, passou o dia ligando pra caciques do Centrão pedindo que enterrassem a medida. Foi prontamente elogiado em plenário pelos aliados do PL. O gesto não foi só econômico: foi político. O falso moderado testou seu alcance em Brasília, e mostrou que continua ensaiando ocupar o papel de herdeiro natural do bolsonarismo, unindo a direita e o Centrão num mesmo coral desafinado contra Lula.
Lula reagiu chamando o episódio de “derrota do povo brasileiro”, e não exagerou. O Centrão, que transformou o Congresso em Inimigo nº 1 do Povo, virou um balcão de favores da bancada BBB, e tenta deixar o País como um “refém fiscal”. De 2022 pra cá, o enredo só mudou o protagonista: antes abriram o cofre pra salvar Bolsonaro; agora fecham o caixa pra sufocar Lula.
O presidente da Câmara prova, cada dia mais, o quanto não se importa com o povo brasileiro. O Congresso, sob seu comando, virou uma máquina de sabotagem silenciosa, que publica textos de madrugada, manipula prazos e aprova sem ler. No fim, os bancos brindam, o governo sangra e o povo paga a conta. De novo.
OLHA A FACA!!
Se me atacar, eu vou atacar. O troco veio aí! Depois da sabotagem da MP do IOF, o governo começou a varrer os traidores do mapa — e os primeiros corpos políticos já apareceram no Diário Oficial. Cinco superintendentes regionais ligados ao MDB e PSD foram exonerados, junto com indicados do PP e do PL em estatais como a Caixa e o Dnit. É o início da faxina prometida por Lula e conduzida por Gleisi Hoffmann, com bisturi firme e endereço certo.
Na Caixa, o corte atingiu aliados diretos de Arthur Lira e Ciro Nogueira, incluindo o vice-presidente de sustentabilidade, Rodrigo Lopes, e o consultor José Trabulo Júnior. O Planalto deixou claro: quem votou contra a MP do IOF escolheu sair do governo. E, dessa vez, a vingança não veio por nota de repúdio — veio por exoneração.
Nos bastidores, chamam o movimento de “freio de arrumação”, mas o barulho parece mais de guilhotina afiada. A ordem é clara: limpar os feudos do Centrão e deixar o recado pra 2026. O governo sangrou R$ 35 bilhões com a sabotagem, mas agora é o Centrão que vai pagar a conta — com cargo, crachá e café frio.
ME ENGANA QUE EU... FAÇO MEME
Não é só Lula que gosta de dar o troco. O brasileiro não perdoa! Mal derrubou a MP do IOF e Tarcísio já virou estrela das redes. Não pelo “bom governo”, obviamente, mas por virar o novo garoto-propaganda do jogo do tigrinho. A marionete do grupo BBB (Bancos, Bilionários e Bets) e cosplay de governador foi premiado com memes que o colocam abraçado ao felino da fortuna.
Tentando conter o mico, Tarcísio gravou vídeo dizendo que é “vítima de mentiras”. Mas o país inteiro já entendeu o enredo: ele protegeu os ricos e levou o meme. No fim, o tigre ficou com o lucro e o povo com o prejuízo. Como sempre...


Imagem: Reprodução / Internet
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...
Depois deste turbilhão, o governo finalmente recebeu sua recompensa: a aprovação em alta. Enquanto o Centrão se enrosca com suas emendas e o bolsonarismo se afoga no próprio vinagre, o governo colhe o resultado de quem fala menos e entrega mais. O povo percebeu: o prato tá ficando cheio, o salário rendendo um pouco mais, e o Brasil saiu do Mapa da Fome. É um empate, sim, mas com gostinho de virada.
Enfim, uma luz no fim do túnel! E dessa vez, literalmente. É que Lulinha não para, e sancionou o Luz do Povo: lei que garante conta de luz gratuita pra famílias de baixa renda que consomem até 80 kWh por mês. São 4,5 milhões de lares totalmente isentos e outros 55 milhões com descontos progressivos. É o maior programa de energia social desde o Luz para Todos, e promete aliviar o bolso do trabalhador.
Com isso, o governo marca mais um golaço social em meio à ressaca do Centrão, protegendo os mais pobres e mantendo acesa a promessa de justiça tarifária. A energia dos ricos continua custando o mesmo, mas o povo finalmente vai poder deixar a lâmpada acesa e o ventilador ligado, sem culpa.
Enquanto os sabotadores da MP do IOF torram o país em calor político, o Planalto devolve o golpe com dignidade. Porque, no fim das contas, o povo quer é viver sem medo do próximo boleto.
E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafézim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, no Brasil, a esperança é um vício e o bom humor é questão de sobrevivência.
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