Por Pedro Zambarda, editor.
São 300 anos, pelo menos, de adoração pelo café. E o pequeno livro de 80 páginas foi publicado pelo escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados Associados. Provavelmente tomando um ótimo vinho no Café de Flore, o favorito de Kakay na capital da França. E o manuscrito tem fotos legendadas por ninguém menos do que o cronista Ruy Castro.
O livro se desenrola em uma leitura de uma tarde. Estive em Paris em 2012 e lembro, para além dos museus visitados, do Café des Officiers perto da Torre Eiffel e dos Campos de Marte. Kakay elaborou uma obra que te obriga a estudar o coração da França e um dos centros mais cosmopolitas do Velho Mundo, da Europa.
Mesmo quem nunca pisou em Paris vai se deliciar com as histórias de Simone de Beauvoir no Deux Magots e como seu marido, o filósofo Jean-Paul Sartre, foi fotografado em outro café. Como o movimento existencialista se firmou nesses espaços em que, sim, se toma café, mas também se aprecia bons vinhos, refeições completas ou que você vê verdadeiros gênios em seu processo criativo.
A obra se debruça também em jazzistas, cineastas como Godard, musas da arte e do entretenimento dão um pulso de vida para Paris. Assim como Vinicius de Moraes. E como Chico Buarque e Gilberto Gil encontraram naquele ambiente francês um refúgio para os horrores da ditadura militar.
Embora seja um livro para apreciadores das capitais europeias, ele não deixa de abordar um gigante brasileiro como Celso Furtado, que falava do nosso país lá fora, e como Gabriel García Márquez disseminou a nossa América Latina.
A crônica em fotos pulsa arte, poesia, cinema, teatro. E dá uma fome após a leitura - a França é uma delícia.
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