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Sabado, 23 de Maio de 2026

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PGR defende prisão domiciliar para Jair Bolsonaro. Por Vanessa Lippelt

Parecer afirma que quadro clínico do ex-presidente exige monitoramento contínuo incompatível com o regime fechado

PGR defende prisão domiciliar para Jair Bolsonaro. Por Vanessa Lippelt
Antonio Augusto/STF
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e atualmente em cumprimento de pena em regime fechado, após agravamento recente de seu estado de saúde. O parecer foi encaminhado nesta segunda-feira (23) ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o documento assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, a condição clínica do ex-presidente passou a exigir cuidados médicos contínuos que não poderiam ser plenamente assegurados no sistema prisional.

Bolsonaro foi condenado na Ação Penal nº 2.668/DF a 27 anos e três meses de prisão por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado. A condenação transitou em julgado em novembro de 2025, quando teve início o cumprimento da pena.

Nova internação motivou pedido

O novo pedido da defesa foi apresentado após um episódio ocorrido na madrugada de 13 de março, quando Bolsonaro sofreu um mal-estar súbito e precisou ser transferido com urgência para o Hospital DF Star, em Brasília.

De acordo com relatório médico citado no parecer, o ex-presidente foi diagnosticado com broncopneumonia aspirativa, confirmada por tomografia, associada a um quadro de injúria renal aguda. Embora tenha apresentado melhora após tratamento inicial, os médicos destacaram a necessidade de monitoramento rigoroso e contínuo, além da continuidade da terapia antibiótica.

A defesa sustentou que as comorbidades e o risco de novas intercorrências tornam o ambiente prisional inadequado para o acompanhamento médico necessário.

Fundamentação humanitária

No parecer, a PGR afirma que, embora a Lei de Execução Penal preveja prisão domiciliar principalmente para condenados em regime aberto, o Supremo admite a medida em caráter excepcional quando há doença grave e impossibilidade de tratamento adequado no cárcere.

Para o órgão, o caso exige conciliar a execução da pena com princípios constitucionais como a preservação da vida e da dignidade da pessoa humana. O documento ressalta que o Estado tem o dever de garantir a integridade física e moral de pessoas sob sua custódia.

A manifestação conclui que está demonstrada a necessidade da prisão domiciliar para permitir acompanhamento médico em tempo integral diante do risco de alterações súbitas no estado de saúde do ex-presidente.

Decisão cabe a Moraes

O parecer da PGR não tem efeito vinculante, mas costuma orientar o julgamento do relator. Caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes decidir se concede ou não a prisão domiciliar, podendo ainda impor medidas de monitoramento e revisões periódicas do quadro clínico.

Até o momento, pedidos anteriores da defesa haviam sido negados pelo Supremo, sob o entendimento de que não havia comprovação suficiente de incompatibilidade entre o tratamento médico e o regime fechado. O novo parecer, porém, considera que houve fato superveniente capaz de alterar esse cenário.

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