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Terça-feira, 19 de Maio de 2026

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Piratas do Planalto: A Maldição do 8 de Janeiro. Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

Piratas do Planalto: A Maldição do 8 de Janeiro. Por Lia Sérgia Marcondes
Imagem: Criada com IA e licenciada pela Shutterstock/Folha Democrata
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Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.

Muita gente acreditou que o golpe tinha acabado depois dos ataques do 8 de janeiro. Mas não passou de “febre de marinheiro”, de quem está exausto depois de tantos anos a navegar na distopia política do Brasil. Supostamente revoltados com a prisão domiciliar do seu capitão Jair Esparro, os deputados bolsonaristas resolveram tomar a Nau Legislativa na base da birra, e transformaram as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado em piquenique golpista.

Sob o falso pretexto de tentar salvar da prisão a ”pobre donzela inelegível”, que está encarcerada no Solar de Brasília, a verdade é que a única lei que estes deputados seguem é a Lei de Gérson: “Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu e o resto que se lasque!”.

Vamos ver como tudo isso se desenrolou essa semana. Vem comigo!

FALADOR PASSA MAL

Dizem que peixe morre pela boca. Parece que o ex-presidente também...

Tinha tudo para ser mais um domingo “abençoado”, nos termos bolsonaristas: 37,6 mil fiéis curtiram um dia sol na Av. Paulista, atendendo ao chamado de Silas Malafaia. Faixas contra o STF, pedidos de anistia, muito grito de “liberdade” e o grande líder… não estava lá. É que domingo ele não ia. Estava proibido por ordem judicial. Mas como “quem tem amigos tem tudo”, o Inelegível arrumou um jeitinho de dar o seu “Boa tarde, meu Brasil”, via chamada de vídeo.

O problema é que Alexandre de Moraes sabe que Seu Jair não é inocente, e nem bobo. Descumpriu as cautelares e levou um xeque-mate. Segunda-feira, 9h da manhã: PF na porta, tornozeleira nova, recolhimento de celulares, veto a visitas, prisão domiciliar integral. Moraes mandou o punchline: “A Justiça é cega, mas não é tola”. Tradução livre: continue testando e a suíte presidencial da Papuda já está reservada.

O povo celebra, os deputados bolsonaristas choram e fazem birra...

Imagem: Criada com IA/Folha Democrata

QUEM PRECISA DE INIMIGOS...

Na mitologia bolsonarista, Nikolas Ferreira é o sidekick fiel, o Robin de capa verde-e-amarela. Mas no domingo, fez cosplay de “Agente Duplo” e mostrou Bolsonaro AO VIVO no celular durante um ato. Tudo registrado por imprensa, drones, celular de curiosos… e pela PF e pelo STF. Resultado: a cena foi parar nos autos como prova de descumprimento de medida judicial.

A maravilhosa deputada Duda Salabert não perdeu a deixa e protocolou uma distinta moção de aplauso para o Mini Me de Bolsonaro: “Pela primeira vez na história, Nikolas fez algo útil para o Brasil”. A real é que na série “Como Meus Amigos Me Encrencaram”, este episódio se chama “Tiro no Pé em 4K” (com participação especial de um advogado arrancando os cabelos nos bastidores).

GABINETE DO CHORORÔ

Enquanto o “capitão” testava o ajuste da tornozeleira, em sua casa em Brasília, seu filhote Carluxo recebia a notícia e ia parar no hospital com palpitações, no RJ. Dramalhão de novela mexicana perde!

Flávio entrou em cena como assessor de imprensa familiar, dizendo que o irmão estava bem e que a decisão era “inconstitucional”. Já Eduardo, o “deputado itinerante”, continua com a sua turnê internacional.

A cada ato, fica claro: essa temporada da família Bolsonaro parece Succession. Mas em vez de um império bilionário, tudo que lhes resta é a herança de processos criminais e tornozeleiras à espera de novas pernas para habitar.

PIRATARIA PARLAMENTAR

Enquanto a familícia improvisava seu reality Keeping Up with the Bolsonaros, a “tropa de choque” bolsonarista já produzia o próximo episódio… direto do Congresso.

Neste spin-off de golpe, com produção própria e patrocínio 100% público, a história se repetiu. Desta vez, sem vidraça quebrada ou chifre de búfalo. Tudo aconteceu no conforto do plenário, com carpete fofinho, ar-condicionado e cafezinho pago pelo contribuinte.

Na terça-feira, um bando de parlamentares bolsonaristas decidiu que as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado eram, na verdade, o convés do seu galeão pirata. A cereja do bolo? Batizaram o motim de “Pacote da Paz”. Claro… porque nada diz “paz” como chantagear o país inteiro para salvar meia dúzia de golpistas condenados.

O circo armado travou tudo: da medida provisória que garante isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 3 mil a projetos que tentam amortecer o tarifaço de Trump sobre a economia. Tudo para ver se emplacava a pauta mágica da turma: anistia ampla aos criminosos do 8/1, fim do foro privilegiado e impeachment de Alexandre de Moraes.

Rogério Marinho, senador do PL e porta-voz involuntário da sinceridade, resumiu: “Precisamos votar a anistia para depois voltar ao que interessa ao Brasil”. Bem… segundo o Datafolha, 78% dos brasileiros já acham que deputados e senadores só defendem os próprios interesses. Difícil discordar quando eles mesmos confirmam em rede nacional.

Se até aqui você não percebeu o enredo, eu traduzo: o suposto “protesto” foi um sequestro institucional com roteiro previsível: barganhar até o último minuto, posar de mártir nas redes sociais e culpar o governo pelo caos que eles próprios criaram.

O tal “Pacote da Paz” era só um Cavalo de Troia cheio de segundas, terceiras e até quádruplas intenções. A diferença é que, desta vez, para invadir tudo o que precisaram foi puxar a cadeira, esfiar esparadrapos na cara e tomar a mesa da presidência do plenário como quem reserva mesa no boteco.

É ASSIM QUE ACABA

E o fato é que, depois de 47 horas de galeão pirata ancorado no plenário, a oposição resolveu recolher as velas e sair de fininho. No Senado, Davi Alcolumbre manteve a cara fechada, fez pose de “não mexam com o papai” e retomou o comando sem suar o paletó. Já na Câmara, Hugo Motta precisou de empurra-empurra, intervenção de Arthur Lira e até de puxão de braço para voltar à própria cadeira. Cena digna de comédia pastelão de quinta categoria.

No fim, o “protesto histórico” rendeu… um acordo para acelerar a PEC que blinda parlamentares contra investigações e processos. Hugo Nem Se Importa jurou juradinho que a tal anistia dos golpistas do 8/1 não será votada. Mas o que essa turma realmente quer? Perdão, isenção e blindagem. Tudo, menos colocar os interesses do povo à frente.

Nos bastidores, o centrão já afinava a caneta para escrever sua “PEC da Alforria”. Alguns sonham com o dia em que seus processos desaparecerão como num truque de mágica mal ensaiado. Esse episódio acabou, mas essa série política segue renovada para novas temporadas. E, pelo andar da nau, vai ter mais plot twist do que novela das nove.

LARANJA ENXERIDA

Nem bem Alexandre de Moraes apertou a tornozeleira do Inelegível, o Presidente Cheetus já estava do outro lado do oceano, jogando shade e se achando protagonista da novela. Foi um tal de acusar Xandão de “violador de direitos humanos” que “silencia a oposição e ameaça a democracia”, de fazer ameaças via embaixada… o velho roteiro do Laranjão.

A ameaça, digna de vilão de filme B, dizia que vão “responsabilizar todos que colaborarem ou facilitarem” a decisão. Traduzindo do Laranjês: imagina a audácia desses juízes brasileiros querendo cumprir a lei brasileira, em solo brasileiro? Se você ajudar, corre o risco de cair na lista negra de Washington.

Enquanto isso, aqui no Brasil, o Inelegível segue proibido de postar, falar ou até fazer charminho por vídeo, sob pena de trocar o carpete do Solar de Brasília pelo cimento da Papuda. E a “terra da liberdade” segue provando que, quando o assunto é proteger os seus, a soberania dos outros não vale mais que uma mosquinha na sopa.

O Presidente Cheetus continua se achando no direito de dar pitaco sobre como o Judiciário brasileiro deve julgar seus criminosos.

“- Obrigada pelo toque, Trumpinda! A coisa que eu mais prezo nessa vida... é conselho de mendiga.”

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...

Nem só de tarifaço vive o agronegócio. Em plena ressaca da paulada de 50% que o Presidente Cheetus meteu no café brasileiro, a China resolveu abrir as portas: 183 empresas brasileiras estão autorizadas a exportar para lá, com licença válida por cinco anos. É quase um “vem que tem” diplomático, com aroma de café, levando a fumacinha do nosso coador direto para o dragão vermelho.

E falando em redirecionar carga… o México também resolveu assumir o papel de comprador herói: superou os EUA como segundo maior destino para a carne bovina brasileira. As exportações dispararam 420% de janeiro a junho, passando de 3 mil para 16 mil toneladas. Puxou até empate em volume e faturamento com os EUA em julho: US$ 69 milhões para cada lado.

Ou seja: enquanto o Trump fecha a porta, o Brasil encontra janelas abertas. E no fim, é isso: café no bule, carne na grelha e Laranjão de cara amarrada.

E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim tipo exportação, com uma colherinha de bom humor. Até porque, rindo a gente digere melhor o absurdo.

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