Um amigo me ligou hoje para comentar sobre a desorganização e a falta de comunicação digital na esquerda, sobretudo nas redes sociais. Falamos sobre o fortalecimento da extrema direita mesmo com a vitória de Lula e tasquei: Reinaldo Azevedo é o jornalista e comunicador mais fortalecido recentemente.
Reinaldão veio da revista República, Primeira Leitura e do empresário que hoje é o nome do Partido Novo, Luiz Felipe D'Avila, o genro de Abilio Diniz e o nome por trás da revista Bravo na editora Abril. Entrou na Veja e se tornou o colunista antipetista dos dois primeiros mandatos de Lula e o de Dilma, criador do termo "petralha".
Curiosamente, D´Avila, recentemente, sugeriu em um podcast do Flow para criar a Fox News no Brasil, uma junção do jornal O Estado de S.Paulo e os órgãos bolsonaristas Jovem Pan, Revista Oeste e outros. O empresário permaneceu na extrema direita. Reinaldo mudou.
Primeiro, ainda na revista Veja, Reinaldo Azevedo foi escalado por Tutinha para levar as opiniões de extrema direita para rádio Jovem Pan. Tutinha estabeleceu uma parceria importante com o YouTube, o que tornou a JP em um colosso de audiência até perder anunciantes para o Sleeping Giants. E assim Reinaldão aumentou seu alcance.
Um vazamento da Lava Jato e as críticas de Reinaldo Azevedo ao ex-juiz Sergio Moro levou o jornalista a trocar a Jovem Pan pela BandNews, a Folha de S.Paulo e posteriormente o UOL - tendo um emprego na RedeTV no meio do caminho. Apesar das críticas ao lavajatismo, Reinaldão defendeu o governo Temer e suas reformas de austeridade neoliberal.
A ascensão de Jair Bolsonaro, que ele sempre chamou de fruto da Lava Jato, aproximou Reinaldo Azevedo, o cronista dos nossos tempos, ao Lula que ele criticou em boa parte da sua carreira. O Lula que foi preso ilegalmente por Moro e que foi libertado graças a uma mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal.
Ao defender a eleição e o governo Lula, dando informações sobre o STF, Reinaldo Azevedo virou uma "Jovem Pan de esquerda" sem estar sequer na própria Jovem Pan. Vi lives deles com 45 mil pessoas assistindo, centenas de milhares de visualizações e uma entrevista com o presidente com quase três milhões de acesso.
Bate de frente, legal, com Revista Oeste e a própria Jovem Pan.
Bolsonaro como ícone digital ainda é o político brasileiro imbatível, mas logo após vem a militância de Lula, formada pela esquerda, pela centro-esquerda e até por pessoas da centro-direita.
E Reinaldo tornou-se um colosso da comunicação neste contexto, especialmente no YouTube.
Em tempos antipetistas, Reinaldão me bloqueou no Twitter e tive algumas poucas conversas com ele. Nunca pude o entrevistar. Mas passei a ler suas colunas e constatei que ele virou o cronista desses tempos loucos de polarização.
Hoje, a Folha de S.Paulo, que está se voltando para a extrema direita, o demitiu. Na Band, ele é o produto de maior audiência após a morte de Ricardo Boechat. E o UOL, do mesmo Grupo Folha, está dando mais espaço para seus comentários.
É uma voz sensata na imprensa corporativa, que está coalhada de fake news e distorções que deram origem ao gabinete do ódio de Bolsonaro e a extrema direita engajada nas redes sociais.
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