Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
2025 foi um ano histórico para o Brasil. Ex-presidente, generais e outros militares presos por tentativa de golpe de Estado. A esquerda de volta às ruas. Mas também foi um ano de perdas profundas enquanto nação, marcado pela pior chacina policial da história do país. Não foi um ano leve. Nem simples. Nem conciliável.
Agora o Brasil entra oficialmente em recesso político. Aquele momento mágico do ano em que a extrema direita finge que vai passar o Natal refletindo sobre seus crimes e a gente finge que acredita. Congresso e Senado fecham as portas, mas deixam as bombas armadas para 2026. O STF entra em plantão. E a democracia segue trabalhando em turno extra, igual aos trabalhadores do Brasil: sonhando com o fim da escala 6x1.
E como esta colunista é brega, não foge de clichê nem de tradição, fim de ano pede retrospectiva. São os meus “12 gifts of Christmas”. Mas como isso aqui é o Cafezim do Fim do Mundo, cada presente vem no estilo inimigo oculto. Porque o roteirista do Brasil não ajuda. E definitivamente não tem espírito natalino.
Então pega sua xícara de café quentinho. E vamos abrir os pacotes, um por um.

JANEIRO: A DEMOCRACIA NÃO MORREU
2025 começou com a extrema direita denunciando uma ditadura imaginária enquanto monetizava seu ódio nas redes sociais. Uma ditadura curiosa, onde a imprensa funciona, tem eleição democrática e só não pode planejar golpe achando que vai dar em pizza. A democracia brasileira entrou no ano com hematomas visíveis, mas respirando. E isso, para o fascismo, já foi provocação suficiente.
O detalhe que eles não engoliram é que a disputa não era só institucional. Era cultural. Cinema, humor, escola, internet, tudo virou campo de batalha. Quando o controle simbólico escapa, o autoritarismo entra em curto-circuito. O Cafezim já mostrava desde cedo: não era só sobre quem governa, mas sobre quem manda na narrativa. E narrativa livre sempre foi um problema para quem precisa controlar tudo.
Enquanto isso, nos EUA, o Presidente Cheetus reassumiu a presidência inaugurando o ano com um pacote de decretos tão polêmico quanto previsível, reacendendo o entusiasmo da extrema direita global e o viralatismo local. No Brasil, Lula enfrentava baixa popularidade e a máquina de desinformação entrou em ação com força total. O vídeo do Pix de Nikolas, espalhando fake news, virou símbolo perfeito do método fascista: inventar pânico, mentir rápido e torcer para colar. Não colou. Mas deixou rastro. Como sempre.
FEVEREIRO: O CONGRESSO AFIA SUA FACA
Fevereiro chegou sem bolo, sem vela e sem clima para nostalgia. O 8 de janeiro continuou rondando o debate como aquele parente inconveniente que ninguém consegue fingir que não existe. A extrema direita seguiu tentando vender anistia como se fosse cupom de desconto moral, mas não colou. Nem no tribunal, nem na rua.
Aliás, falando em rua, o bolsonarismo já não entregava o espetáculo de antes. Onde já teve multidão, agora tinha meia dúzia e um carro de som cansado. O Inelegível continuava sua turnê de vitimização, tentando transformar tentativa de golpe em drama pessoal digno de novela das seis.
Neste cenário, fevereiro marcou a troca de comando no Congresso. Hugo Nem Se Importta assumiu a Câmara, Davi Alcolumbre voltou ao Senado e o Centrão reassumiu sua vocação original: testar até onde dá pra ir sem parecer que está indo longe demais.
Enquanto isso, a máquina de fake news trabalhou em turno extra para fomentar a “Crise do Pix”, estrelando o Chupetinha. Com a comunicação do Governo tropeçando e os preços subindo nas gôndolas, Lula enfrentava o fundo do poço da popularidade. Fevereiro deixou claro que 2025 não seria um ano de calmaria.
MARÇO: O BRASIL NO MUNDO E O GOLPE NO BANCO DOS RÉUS
Em março, o Brasil começou a aparecer onde a extrema direita odeia ver o país: no palco internacional, sendo aplaudido. O Oscar e o Globo de Ouro de Ainda Estou Aqui viraram mais do que prêmios. Viraram lembrete histórico. O Brasil não perdoou o golpe de 64. A cultura brasileira sendo celebrada fez algo que o bolsonarismo detesta: lembrou ao próprio povo que existe um Brasil fora da caricatura colonial submissa que eles insistem em vender. Enquanto isso, a direita surtava nas redes tentando decidir se era “lacração” ou “orgulho nacional quando convém”.
No submundo da política, Little Banana arrumou as malas e foi para os Estados Unidos sem data para voltar. Oficialmente, ninguém sabia muito bem o que ele foi fazer. Na prática, todo mundo sabia. Começou ali o lobby explícito contra o Brasil, o esforço internacionalizado de vender o próprio país como ameaça à democracia para tentar salvar o projeto autoritário doméstico. Patriota de aeroporto em versão diplomática. Quanto mais longe, mais alto gritava.
E então veio o fato que deu peso histórico ao mês: Jair Bolsonaro e militares tornaram-se réus pela tentativa de golpe de Estado. Não era mais questão de interpretação nem de “narrativa”. Era denúncia aceita, processo aberto e crime nomeado. O golpe saiu do delírio e entrou oficialmente nos autos. Março marcou 2025 como o ano em que a Justiça resolveu parar de fingir que não viu.
ABRIL: A FARIA LIMA SAI DO ARMÁRIO POLÍTICO
Este foi o mês em que a Faria Lima resolveu parar de fingir neutralidade e entrou em cena de peito aberto. Em palestra para plateia endinheirada e não eleita, Ciro Nogueira decretou o fim da carreira política de Lula (com a convicção típica de quem confunde desejo com análise). Não era previsão, era torcida organizada. Mais do que uma fala isolada, o episódio escancarou algo maior: parte da elite econômica decidiu assumir o papel de oposição política, sem voto, sem pudor e com ar de planilha moral.
Enquanto o mercado ensaiava velório precoce, a realidade seguia desobediente. A Justiça começou a entregar o que prometia, a anistia passou a feder até para aliados ocasionais e o famoso “grande acordo nacional” mostrou que não passava de fofoca de auditório.
Em Abril, a elite financeira deixou claro que quando não consegue governar, tenta atrapalhar. Quando não consegue vencer nas urnas, aposta no desgaste simbólico. O problema é que o Brasil real continua não morando na Faria Lima. E Lula, para desespero deles, segue reaparecendo toda vez que o dão como morto.
MAIO: OS GOLPISTAS GRITAM “HELP!”
Se existe um personagem fixo no imaginário da extrema direita em 2025, é Xandão. Alexandre de Moraes virou o Darth Vader da liberdade de expressão golpista. Cada despacho do STF era tratado como o início do apocalipse comunista. Curiosamente, o apocalipse nunca chegava. O que chegava eram decisões fundamentadas, provas acumuladas e processos andando. Para quem sempre confundiu impunidade com direito adquirido, isso soou como perseguição.
Foi nesse clima que Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, resolveu fazer uma ameaça direta a Alexandre de Moraes. Um movimento tão grotesco quanto revelador. Não era diplomacia. Era recado político atravessado, misturando arrogância imperial com total desconhecimento do funcionamento institucional brasileiro. A extrema direita vibrou, claro. Nada como um gringo tentando enquadrar o STF para confirmar a velha vocação colonial dos patriotas de WhatsApp.
Do lado de cá, o teatro começou a desmoronar. Como o bolsonarismo nunca jogou “dentro das quatro linhas”, como preconizava seu líder, Little Banana seguiu firme no seu verdadeiro projeto. A temporada nos Estados Unidos não era turismo, e sim lobby contra o próprio país. Patriota de aeroporto agora com indícios formais no currículo. A tentativa de pressionar instituições brasileiras a partir do exterior deixou de ser bravata e passou a constar nos autos. O STF abriu investigação contra Little Banana por obstrução de Justiça, e a brincadeira começou a ficar cara.
Maio deixou claro o que já estava implícito. O bolsonarismo nunca teve projeto político. Tem fuga, ameaça e interferência externa. Quando perde no voto, tenta no grito. Quando perde no grito, tenta no tribunal estrangeiro. E quando tudo isso falha, apela para o velho discurso de perseguição. O problema é que, em 2025, esse script já está gasto. E quanto mais eles gritam “liberdade de expressão”, mais deixam claro o medo real: o de responder pelos próprios atos.
JUNHO: O GOLPE ENCOLHE E O CONGRESSO MOSTRA OS DENTES
Este foi o mês em que o golpe se resumiu a um espetáculo constrangedor. Bolsonaro e a cúpula da tentativa de golpe ficaram cara a cara com Xandão, e o Inelegível finalmente mostrou sua verdadeira face sem filtro nem edição: a de um covarde delirante. O líder dos patriotários teve a pachorra de convidar Xandão para ser seu vice em 2026. Não era piada. Era desespero mesmo. Puro suco da vergonha alheia.
Enquanto isso, o Congresso resolveu lembrar ao país quem ele realmente é: inimigo do povo. Veio a primeira grande traição de Hugo Nem Se Importta. A Câmara derrubou o imposto dos ricos sem pestanejar, mostrando que a tal “institucionalidade” durou exatamente até o momento em que o bolso da elite entrou em pauta. O Centrão fez o que sempre faz: discursou responsabilidade de manhã e sabotou justiça tributária à tarde. Quando o assunto é proteger privilégios, a faca sai da bainha rapidinho.
Como bônus, o patriotismo voltou a pedir carona para o aeroporto. Zambelli ensaiando fuga, bolsonaristas testando fronteiras e o amor à pátria ficando cada vez mais dependente de passaporte válido. Quando o cerco apertou, a valentia evaporou. Junho mostrou que o bolsonarismo pode até gritar muito, mas quando a Justiça chega perto, o instinto é um só: correr.
JULHO: O IMPÉRIO TENTA MORDER E QUEBRA O DENTE
Julho começou com o Presidente Cheetus tentando resolver política internacional no grito. O tarifaço de Trump contra o Brasil não foi negociação comercial, foi ataque político explícito, embalado em ameaça e defesa descarada do Inelegível. A extrema direita brasileira, em vez de defender o país, bateu continência. Parte comemorou, parte fingiu indignação, e outra parte entrou em curto-circuito tentando explicar por que prejudicar o Brasil seria, na cabeça deles, um gesto patriótico. O resultado foi um racha feio na direita, com direito a dedo na cara, silêncio constrangedor e patriotismo seletivo passando vergonha em público.
Enquanto isso, a Justiça seguiu fazendo o que a extrema direita mais odeia: trabalhando. O Inelegível acordou com a Polícia Federal na porta e foi dormir com uma bela tornozeleira eletrônica e toque de recolher. O homem que sonhava em fechar o Supremo passou a precisar de autorização para sair de casa à noite. Como resposta, o Império reagiu mal. Veio a ameaça de sanções no estilo Lei Magnitsky contra Xandão, costurada com lobby explícito de Little Banana e vendida como “defesa da democracia”. Democracia essa que só funciona quando protege golpista de estimação.
Mas julho também marcou uma virada inesperada. Diante do tarifaço, Lula não se curvou. Falou em soberania, acionou a Lei de Reciprocidade, chamou o ataque pelo nome e não pediu desculpa. O efeito foi imediato. A popularidade do presidente começou a subir, porque o povo reconheceu algo raro: um governo que não abaixa a cabeça para gringo bravateiro nem para patriota vira-lata. Enquanto a extrema direita latia em inglês, o Brasil respondeu em português claro. E isso, convenhamos, fez toda a diferença.
AGOSTO: O COISO VAI PRA CASA E A OPOSIÇÃO PERDE A VERGONHA
Este foi o mês em que o Inelegível descobriu que medida cautelar não é sugestão. Depois de descumprir ordens judiciais, Xandão mandou o falso patriota para a prisão domiciliar. Tornozeleira ajustada, celular recolhido, visitas controladas e recolhimento noturno integral. A Justiça foi didática: insistir na provocação tem consequência.
A reação bolsonarista foi imediata e previsível: chilique coletivo. Deputados chorando “ditadura”, família em modo drama hospitalar, vídeos indignados e lives interrompidas pela realidade. O bolsonarismo descobriu, ao vivo, que grito não revoga decisão judicial. Agosto consolidou aquilo que 2025 vinha ensaiando desde janeiro: o pacto de impunidade acabou. Não foi rápido, não foi elegante, mas foi.
Sem conseguir salvar o capitão no berro, a oposição resolveu partir para a birra. Parlamentares bolsonaristas ocuparam a mesa da presidência da Câmara numa encenação patética travestida de protesto, exigindo anistia para Bolsonaro e os golpistas do 8 de janeiro. Travaram votações, paralisaram o plenário e chamaram isso de “Pacote da Paz”. Quando não conseguem vencer no voto nem escapar da Justiça, tentam virar o tabuleiro. Só esqueceram de um detalhe: o país inteiro estava assistindo.
SETEMBRO: A CONDENAÇÃO, O CIRCO E A BANDEIRA DE VOLTA À RUA
Agora vamos apertar os cintos, porque o roteirista do Brasil decidiu compensar quase um ano de tensão acelerando os acontecimentos a partir deste mês. Jair Bolsonaro e os demais réus do núcleo 1 foram condenados por tentativa de golpe de Estado. Não era mais metáfora, interpretação nem disputa narrativa. Era sentença. O golpe fracassado virou crime consumado no papel timbrado do STF. Xandão, Dino, Carminha e Zanin (esqueçam o Fux) entregaram um verdadeiro TCC institucional sobre como não dar golpe e ainda assim ser condenado tentando.
Como reação automática, o patriotismo de fantasia saiu às ruas no 7 de setembro. Teve manifestação verde e amarela, camiseta desbotada, grito por anistia e, num surto de sinceridade simbólica, uma bandeira dos Estados Unidos estendida no meio da Avenida Paulista. Nada resume melhor o bolsonarismo do que pedir soberania enrolado no símbolo de outro país. O ato foi barulhento, confuso e, no fim, flopou. Mas serviu de desculpa perfeita para o Congresso tentar passar a boiada da vez: a chamada PEC da Bandidagem. Um passe livre constitucional para golpista engravatado.
Só que setembro resolveu surpreender. Três dias depois, a esquerda voltou às ruas com força, com direito a artistas, movimentos sociais e uma bandeira gigante do Brasil ocupando a Paulista. A resposta foi imediata. A pressão popular falou mais alto que o conchavo, e a CCJ barrou a PEC por unanimidade, enterrando de vez a tentativa de blindagem.
Enquanto isso, na Assembleia Geral da ONU, Trump declarou ter tido uma “excelente química” com Lula, deixando o bolsonarismo em estado de pane emocional. Para completar o pacote, surgiram as primeiras denúncias apontando possíveis ligações entre Ciro Nogueira e o PCC, mostrando que o mês ainda tinha munição para colocar o Centrão no noticiário policial. Setembro terminou como começou: com a história andando para frente, apesar de todas as tentativas de puxá-la para trás.
OUTUBRO: DIPLOMACIA EM ALTA
Outubro trouxe uma reviravolta que ninguém da extrema direita conseguiu processar sem espumar: o início da Era “Cheetus in Love”. Trump e Lula se encontraram, trocaram elogios, apertaram mãos e avançaram na negociação do tarifaço. O Laranjão entendeu que quando o assunto é Brasil, negociar rende mais do que latir.
E o bolsonarismo? Entrou em pane. Como assim o nosso gringo preferido não odeia mais o Lula? Como assim diplomacia funciona? A geopolítica resolveu humilhar o vira-latismo em rede global. O efeito interno foi imediato. A negociação do tarifaço ajudou a alavancar a popularidade de Lula, que passou a colher algo raro: reconhecimento por não se curvar. Nosso presidente devolveu ao povo a Soberania e mostrou que é possível governar sem abaixar a cabeça para os imperialistas.
Mas o mês também foi palco do lado mais cruel da política eleitoreira. Enquanto o Planalto negociava tarifas, o Rio de Janeiro registrava a maior chacina policial da história do Brasil. Corpos empilhados, versões oficiais apressadas e o velho silêncio institucional depois da barbárie. Outubro escancarou o abismo brasileiro: um país capaz de sentar à mesa com potências globais, mas incapaz de proteger seus próprios cidadãos da violência do Estado. Diplomacia em alta, direitos humanos em colapso. O Brasil que funciona e o Brasil que mata seguem convivendo sem constrangimento.
NOVEMBRO: A CASA CAIU DE VEZ
Abrimos novembro com Little Banana declarado réu no STF por tentar interferir no julgamento do Condenado Soluçante. O clã que gritava “liberdade” descobriu que lobby internacional não é cometer crimes e não dá imunidade penal. Enquanto isso, Ramagem fugiu para os Estados Unidos, confirmando que o patriotismo bolsonarista funciona melhor com chip internacional e distância segura da Polícia Federal.
No campo econômico-político, o pânico tomou conta do Centrão. Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso por fraude bilionária, e a Faria Lima descobriu que CDB milagroso pode vir com brinde: um “TOC, TOC, TOC” da PF, logo pela manhã. A prisão escancarou a promiscuidade histórica entre banco, político e fundo público, deixando deputados em estado de choque e assessores apagando mensagens freneticamente.
Para completar o constrangimento internacional, a COP30 teve um desempenho abaixo do esperado, com um discurso ambiental bonito, mas com a prática emperrada. No entanto, uma notícia aliviou o clima no front externo: o Presidente Cheetus revogou o tarifaço, encerrando o capítulo da chantagem comercial que tanto animou a extrema direita meses antes. E então veio o momento que entrou direto para a história.
O Condenado Soluçante, que nunca cansa de atentar contra a própria liberdade, tentou violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda e converteu a prisão domiciliar em regime fechado. Sem live, sem cercadinho, sem vitimização performática. O homem que ameaçou golpe saiu de cena escoltado, enquanto ex-aliados corriam para negar proximidade e apagar fotos antigas.
Novembro terminou com o país respirando um pouco mais aliviado. Não porque todos os problemas acabaram, mas porque, pela primeira vez em muito tempo, o crime político teve consequência real. E isso, no Brasil, já é quase revolucionário.
DEZEMBRO: O ANO ACABA E ELES TENTAM PASSAR A BOIADA NO ESCURO
Dezembro está quase acabando, assim como 2025, e a gente está começando a achar que “recesso” é só uma palavra bonita no calendário. A Câmara ligou a velocidade 5 e resolveu tentar passar a boiada toda nos últimos dias do ano. Seguuuura!
Depois do fiasco de Agosto, quando a extrema-direita tomou conta da cadeira de Hugo Nem Se Importta, se sofrerem quaisquer sanções, o deputadinho resolveu mostrar tem sim autoridade, seus feios, bobos e chatos! Glauber Braga, que sentou na mesa da presidência da Câmara para um protesto pacífico contra a sua cassação, foi arrancado da cadeira na marra. Huguinho mandou a polícia legislativa sentar a madeira em geral, expulsou jornalistas do plenário e cortou a transmissão da TV Câmara. Transparência vira luxo dispensável quando o assunto é proteger ordens mal explicadas. O Parlamento entrou oficialmente em modo porão e a democracia foi tratada como incômodo operacional.
Aproveitando o silêncio forçado, Motta pautou anistia na calada da noite. A direita aprovou rápido, quase com culpa, como quem sabe que está fazendo coisa errada e prefere não acender a luz. No Senado, a CCJ aprovou o projeto que reduz penas dos condenados pelo 8 de janeiro, beneficiando diretamente Bolsonaro. A tal “dosimetria” seguiu sendo vendida como técnica, quando na prática era só mais uma tentativa de desidratar a responsabilidade pelo golpe. Parte do STF sinalizou que aceitaria redução de penas, desde que caso a caso, o que não agradou ninguém e acalmou menos ainda.
A resposta veio onde sempre vem quando a institucionalidade falha. A esquerda voltou às ruas, artistas puxaram atos, movimentos sociais ocuparam avenidas e a PEC da dosimetria virou alvo direto de protesto. Do lado de fora, bandeira do Brasil de novo nas mãos certas. Do lado de dentro, cara de surpresa de quem realmente acreditava que dava pra empurrar esse pacote sem reação. O povo na rua pode até cansar, mas não esquece.
No front internacional e policial, o mês também não economizou. Trump revogou a Magnitsky contra Moraes, desmontando mais uma bravata imperial que só tinha servido para animar bolsonarista em live. Já a PF, avançou em investigações sobre esquema de emendas ligadas à assessoria de Arthur Lira e bateu na casa de Sóstenes e Jordy, lembrando ao Congresso que o braço da lei não entra em recesso junto com o plenário.
Hugo Nem se Importta, de olho das eleições, resolveu tentar descolar da pecha de Inimigo do Povo, depois de toda a palhaça que aprontou. Prometeu pautar o fim da escala 6x1, em 2026. Porque justiça social, para essa gente, é sempre depois. Nunca agora.
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS
Para fechar o ano com uma xícara de capuccino docinho, o STF fez o básico que aqui vira extraordinário: derrubou de vez o marco temporal, mandou a União concluir as demarcações indígenas e lembrou que direito constitucional não é opinião ruralista. Povos indígenas respiram um pouco mais aliviados, a Constituição saiu fortalecida e o país deu um passo civilizatório daqueles que não fazem barulho, mas mudam vidas. Não é favor. É Justiça chegando atrasada, mas chegando.
E teve mais. O STF também confirmou a manutenção do vínculo empregatício e o acesso a benefícios previdenciários para mulheres vítimas de violência doméstica. Tradução direta: quem apanha não perde o emprego para sobreviver. O Estado assume responsabilidade, o agressor deixa de ser invisível e a Lei Maria da Penha ganha musculatura real. É proteção concreta, não discurso de palanque.
Duas decisões que não resolvem tudo, mas dizem muito. Num país acostumado a empurrar os mais vulneráveis para o abismo, ver a Justiça puxar alguém de volta para a margem já é notícia boa. E, olha… fazia tempo.
Nada do que aconteceu em 2025 autoriza um relaxamento. O fascismo não some, ele se adapta. Quando perde no voto, tenta ganhar na lei, no algoritmo ou na pena. O Cafezim registrou o momento em que o autoritarismo deixou de ser projeto de poder e virou caso de polícia, disputa cultural e problema jurídico.
E por este ano é isso, minha gente. Em 2026 o Cafézim volta aqui nesse espaço maravilhoso, porque no país da piada pronta a gente segue servindo café forte, com uma colherinha de humor e nenhuma paciência para fascista. Porque o fim do mundo pode até ser inevitável, mas eles passarem impunes, não. Até 2026.
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