Saiu no UOL. A Justiça de São Paulo rejeitou um pedido de indenização por danos morais feito pela Jovem Pan contra o jornalista João Lara Mesquita, herdeiro da família que fundou o Estado de S. Paulo. No ano passado, Mesquita, nas vésperas da eleição presidencial, sem citar a Jovem Pan, escreveu um post nas redes sociais.
Lá ele falava sobre a "emissora que se fez vendendo editorial pelo melhor preço". Tutinha, o dono da Pan, é amigo de Fernão Lara Mesquita, o irmão bolsonarista de João que hoje é comentarista da revista Oeste.
Falou também em "chantagem de anunciantes" e "disseminação de fake news".
A Jovem Pan processou o jornalista exigindo uma indenização de R$ 80 mil. Eles afirmaram que, embora Mesquita não a tivesse citado nominalmente, o post havia sido feito no contexto da publicação de uma notícia segundo a qual a emissora havia sido condenada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a se abster de divulgar informações sobre as ações penais que o então candidato Lula da Silva havia respondido nos últimos anos.
"O réu [Lara Mesquita] lançou uma série de inverdades e teceu levianas acusações contra a emissora", afirmou a Jovem Pan no processo. "Trata-se de um texto criminoso".
Mesquita, que foi diretor da rádio Eldorado de 1982 a 2003, se defendeu no processo afirmando ter escrito "um texto crítico genérico, falando de modo abstrato sobre um determinado tipo de empresa de comunicação".
Disse ainda que, "se a Jovem Pan vestiu a carapuça", ele não publicou nenhuma inverdade ou mentira, considerando "ser público e notório que alguns veículos resolveram apoiar candidatos, afastando-se do papel primordial de imprensa isenta e imparcial". "A Jovem Pan privilegiou abertamente a candidatura do presidente Bolsonaro".
A emissora perdeu em primeira e em segunda instância. A juíza Luciana Laquimia afirmou na sentença que a Jovem Pan "ao longo dos últimos anos exerceu uma linha editorial em consonância com o governo da ocasião".
"Existem razoáveis indícios de que a autora [do processo] afastou sua linha editorial dos princípios constitucionais regentes da comunicação social nos últimos anos, optando por servir de apoio ao governante federal do momento", afirmou. "Com isso, deixou abertos flancos às críticas".
A juíza afirmou que o post de Mesquita foi uma crítica ácida, mas sem "ilícito civil". Na decisão de segunda instância, tomada no dia 12 de dezembro, o desembargador Dácio Tadeu Viviani Nicolau afirmou que a postagem não causou efetivo prejuízo à fama da Jovem Pan, citando eventual perda de anunciantes ou de audiência. "Não há reparação sem dano", declarou. A emissora ainda pode apresentar novo recurso.
O processo vencido por João Lara Mesquita mostra que há alguma vergonha entre os herdeiros da mídia corporativa e hereditária no Brasil do papel absurdo que a Jovem Pan exerceu auxiliando o bolsonarismo.
Há alguma vergonha da extrema direita. Mesmo que seja pouca.
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