Brasil, agosto de 2025. A “casa” mais vigiada do país não tem piscina, festas e gincanas, mas tem deputados de todo jeito: foragido, presa no exterior, em vias de suspensão, indiciado. Não tem confessionário, mas tem delação premiada. O STF já avisou que o “paredão” chega em setembro. O Capitão Inelegível e seus generais amestrados estão com sério risco de eliminação (assim esperamos).
Enquanto isso, lá nos EUA, Little Banana tenta driblar o Conselho de Ética, mas parece que já tem jogador na casa querendo votar pela sua saída definitiva. No quarto secreto, Hytalo Santos trocou os likes por algemas.
No puxadinho gospel, Malafaia entra no jogo. E longe da liderança pastoral, o seu novo status é “investigado”. E até a PRF já teve seu diretor expulso por interferência eleitoral. Preparem a pipoca: o Brasil virou reality show, só que com mais treta e menos filtro de Instagram. Vem comigo!

NULIDADE... DE CARÁTER?
Após a “onda Felca”, um dos assuntos mais falados nesta semana foi a regulação das redes. Ainda que outros influencers e criadores de conteúdo já tivessem tentado levar à luz, nos últimos anos, o problema da exploração de menores nas redes, foi apenas com a viralização e repercussão do vídeo do youtuber Felca que os nossos políticos começaram a prestar atenção no assunto.
Enquanto o presidente da Câmara fazia discurso contra a exploração de crianças na internet, a CCJ da Casa passava a manhã inventando moda. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) ressuscitou o seu PL 1.329/2024 onde propõe que, se uma decisão judicial de remoção de conteúdo não for pública e bem fundamentada, ela vira pó. Nula. Como num passe de mágica.
Os defensores do tal PL juram que é para garantir transparência e evitar a “censura velada”. Já os críticos chamam de aberração inconstitucional: afinal, quem decide se uma decisão judicial é válida não é o deputado de plantão, é… o próprio Judiciário. Mas na era da “liberdade de expressão” tratada como salvo-conduto para discurso de ódio e pornografia infantil, o truque é simples: dificultar a vida de quem tenta limpar a lama digital.
No fim, a CCJ não votou nada: teve pedido de vista. Mas o recado está dado. A bancada da fake news não dorme em serviço: prefere regular a Justiça do que regular os crimes que pipocam todos os dias nas redes.
DOS LIKES ÀS ALGEMAS
E apenas dois dias depois da CCJ querer dificultar a remoção de conteúdos, a realidade mostrou seu feed cru: o influenciador Hytalo Santos foi preso. Ele e seu marido foram presos em Carapicuíba, acusados exploração e exposição de menores em conteúdos para redes sociais.
Como se sabe, o caso estourou após a denúncia feita pelo Felca. A partir daí, Ministério Público da Paraíba e Ministério Público do Trabalho puxaram o fio da meada: denúncias de festas com álcool, tentativas de emancipação forçada em troca de presentes, vídeos de cunho sexual e até rifas online com imagens de menores. Enquanto políticos brincam de legislar sobre uma suposta “censura velada”, a Justiça precisou correr atrás de quem transformava criança em moeda de troca digital.
Não foi só a derrocada de mais um “ídolo de internet”. Esta é a evidência brutal de como a busca por fama e monetização escancara um vazio ético que a regulação digital insiste em correr atrás, sempre com atraso. A defesa diz que Hytalo “jamais compactuou” com atos contra a dignidade de crianças. Mas a essa altura, a Justiça já transformou seu feed em prova de acusação, e os likes viraram algemas.
PELA FAMÍLIA... OU NEM TANTO
Com a prisão de Hytalo ainda ecoando, a Oposição já avisou que vai obstruir o projeto contra a “adultização” de crianças nas redes, caso enxergue no texto qualquer traço de “censura” à internet. Em bom português: dizem que lutam pela família e pelas criancinhas, mas desde que isso não atrapalhe o livre direito de transformar a internet em esgoto a céu aberto.
Já Hugo Motta, parece que quer ir na direção contrária: prometeu votar em urgência o PL 2628/2022, aprovado no Senado, que obriga plataformas a adotar medidas de proteção digital para menores. Em discurso, disse que “proteger a infância não é um favor, é um dever”. Nesta guerra ideológica, esperamos que não sejam promessas vazias, antes que mais likes virem algemas de novo.
GRUDADO NO OSSO
Como se fosse pouca coisa toda esta treta com as redes por aqui, na Casa Branca o Presidente Cheetus segue tão obcecado por nós, que deve até sonhar com Lula toda noite. Agora o Laranjão resolveu dar um “upgrade” no pacote de ataques ao Brasil.
Para começar, chamou o país de “parceiro comercial horrível”; depois justificou o tarifaço de 50% dizendo que o STF promove “execução política” contra Bolsonaro; e completou essa sopa de entulho ao revogar os vistos de familiares de autoridades ligadas ao programa Mais Médicos. Entre os atingidos, a mulher e a filha de Alexandre Padilha, ministro da Saúde.
Como se não bastasse a diplomacia de porrete, Little Banana segue interpretando o porta-voz do apocalipse imperialista: prometeu novas sanções contra autoridades brasileiras, inclusive contra Dilma e o próprio Padilha. O ministro reagiu com ironia: “Se não me abala o Trump, imagina um deputado que fugiu do Brasil e virou papagaio de ataques à Pátria”.
Lula, por sua vez, rebateu na lata: “É mentira dizer que o Brasil é mau parceiro, os EUA tiveram US$ 410 bilhões de lucro em 15 anos”. E lançou um pacote de R$ 30 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço, prometendo que “ninguém ficará desamparado”. O embate, portanto, já não é só sobre comércio: virou guerra política, com o Cheetus usando sua máquina diplomática para tentar pressionar o Brasil e com o Planalto tentando equilibrar soberania, economia e dignidade nacional.
No fundo, o Laranjão parece aquele ex mal-resolvido: vive dizendo que não liga, mas não tira o nome do Brasil da boca. De dia, tarifaço; de noite, deve sonhar com Lula plantando as jabuticabas no quintal dele. Se continuar assim, logo logo manda um bouquet de rosas pro Alvorada com cartãozinho: “Saudades do que a gente ainda não viveu.”
BANANA NA MIRA
E se não bastasse pagar de papagaio de Trump nos EUA, Dudu Trumpinho agora tem o pescoço na guilhotina política. Hugo Motta encaminhou ao Conselho de Ética quatro pedidos de cassação contra o “03”, acusado de atentar contra a soberania nacional ao articular sanções estrangeiras contra o próprio país.
Entre passeios na Disney e visitas a Washington, Little Banana ainda está tentando posar de perseguido político. Mas, em Brasília, já se fala que a dinastia Bolsonaro pode perder o primeiro mandato da família no tapetão parlamentar. Não me ilude, Seu Motta!!
E POR FALAR EM EX...
Preparem-se: o Brasil também marcou encontro oficial com o seu. Não é o “De férias com o ex”! O STF agendou para setembro o reality mais esperado da temporada: o julgamento de Bolsonaro pai e sua “turminha do barulho”. As sessões estão marcadas e a primeira já será no dia 02 de setembro. Save the date! Coloque na agenda, para não perder a maratona do BBP (Big Brother Papuda).
O elenco está digno de temporada especial: Mauro Cid, Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira, Alexandre Ramagem e Almir Garnier. Todos juntinhos, confinados no mesmo enredo, disputando quem vai pro “paredão” primeiro.
E a defesa do protagonista? Um roteiro de comédia pastelão. No texto final, Bolsonaro segue jurando juradinho que não fez nadinha de errado. Foram só uns pensamentos intrusivos, que ele compartilhou com os “brothers”. Só não sei se vai colar muito bem esse papo de “desistência voluntária”. Vejam: ele já não tem como dizer que não começou nada, porque ações foram tomadas. Mas querer dizer que começou e “parou porque quis”? É um contorcionismo jurídico tão incoerente, que quase consigo ouvir a trilha sonora de comédia tocando ao fundo.
Sua defesa tentou executar o seu show de escapismo. Mas o problema é que a investigação apresentada ao STF não veio numa versão editada para entreter a TV aberta: aqui tudo vai ao ar sem cortes. E nessa dinâmica, o risco é sair direto da cabine de defesa pro confessionário da Papuda.
GLÓRIA A DEUS!
E como a semana foi agitadíssima, o casting do BBP ganhou um reforço gospel: o pastor Silas Malafaia foi incluído no mesmo inquérito que investiga Jair Bolsonaro, Eduardo e Paulo Figueiredo. Acusação? Coação, obstrução e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito. Será que vai ter que se juntar aos amiguinhos na xêpa?
Malafaia, Vtzeiro que só ele, reagiu como sempre: com um vídeo indignado, com agudos de estourar os tímpanos da Mariah Carey, onde acusou a PF de ser “Gestapo” e “KGB”. Entre outras coisas, disse que não fala inglês, logo não poderia conspirar com autoridades americanas, e repetiu o discurso batido do “escolheram o cara errado”. Para completar seu VT, chamou Alexandre de Moraes de “ditador da toga” e prometeu “botar pra quebrar”.
No roteiro do reality, o pastor tenta se colocar como perseguido, mas o enredo soa mais como teste de resistência: quanto mais ele grita contra a investigação, mais consolida a própria presença no paredão. Afinal, no tribunal não vale jejum nem vigília de oração: o que decide é voto de ministro. No final deste reality, espero que sejamos nós a gritar: Glória a Deus!!
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS... (1)
Entre tarifaços, paredões e VTzeiros de púlpito, uma boa notícia: o deputado Renato Freitas (PT-PR) conseguiu suspender no Tribunal de Justiça do Paraná a punição de 30 dias imposta pelo Conselho de Ética da Alep. A desculpa era de que ele teria “facilitado” o acesso de manifestantes à Assembleia, mas o desembargador considerou a sanção equivocada.
No mesmo dia, Renato apareceu em destaque no jornal britânico The Guardian, em reportagem que escancarou a perseguição política e racial que ele vem sofrendo: de mandato cassado em Curitiba a três processos de expulsão na Alep, sempre movidos por colegas majoritariamente brancos e conservadores.
Ou seja: enquanto uns tentam empurrar o Brasil de volta pro porão, um jornal inglês precisou lembrar ao mundo que a democracia brasileira só faz sentido se também couberem nela vozes negras, dissidentes e resistentes.
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS... (2)
E como essa semana foi apoteótica, trago mais boas notícias, com os cumprimentos do IBGE: o desemprego caiu em 18 estados no segundo trimestre de 2025, acompanhando a redução nacional para 5,8% (a menor taxa desde 2012).
O número de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde histórico: 39 milhões. Sabemos que ainda há desigualdades gritantes, com mulheres, negros e pessoas sem diploma superior fazendo parte do grupo com os piores índices. Maaas... depois de anos de turbulência, o importante é ver que a roda da economia voltou a girar. Já acalma nossos corações.
Pelo menos fora do BBP, tem brasileiro finalmente conseguindo eliminar do seu dia-a-dia a pior das provas de resistência: do desemprego. É Brasil sem fome e com mais empregos, minha gente! Faz o L!
E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafézim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, neste reality show o grande prêmio final é do povo: com essa turma toda na cadeia.
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