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Sabado, 23 de Maio de 2026

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Ex-prefeito do Paraná que expandiu sua construtora pagou mais de R$ 2 milhões a instituto que premiou sua cidade

Leonaldo Paranhos da Silva é dono de construtora que cresceu 220 vezes em dois anos e tem negócios destrinchados

Ex-prefeito do Paraná que expandiu sua construtora pagou mais de R$ 2 milhões a instituto que premiou sua cidade
Foto: Reprodução
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Reportagem de Guilherme Mendes e Vanessa Nilsson no site O Paraná aponta que o ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos (PL), firmou contratos de R$ 2,6 milhões com o Instituto Áquila entre 2022 e 2023, o mesmo que, no período, premiou o município como destaque no “Prêmio Cidades Excelentes” numa cerimônia em parceria com o grupo Band.

Documentos da transparência municipal mostram que os pagamentos foram feitos antes e depois da premiação. Em 2022, Cascavel foi classificada como a segunda melhor cidade para se viver no Brasil entre os municípios com 100 mil a 500 mil habitantes. 

No ano de 2024, voltou a figurar entre os finalistas. Estes dois reconhecimentos ocorreram após os pagamentos feitos ao Instituto Áquila, sob justificativas de prestação de consultoria para “modernização da gestão pública”.

Segundo registros oficiais, apenas em 2022 foram emitidas nove ordens de pagamento de R$ 142,2 mil cada — totalizando R$ 1,28 milhão. As notas de empenho foram assinadas por Paranhos, pelo então diretor do Tesouro Municipal, Ildo Belim, e pelo secretário de Finanças, Edson Zorek. No ano seguinte, novos desembolsos em nove parcelas semelhantes somaram R$ 1,27 milhão.

Os contratos, firmados por meio de inexigibilidade de licitação, não detalham os serviços realizados nem apresentam justificativas técnicas claras para a escolha direta do Instituto Áquila, o que levantou questionamentos semelhantes em outras cidades.

Em Cascavel, o tema tem movimentado antigos aliados e opositores de Leonaldo Paranhos. O vereador Lauri da Silva (MDB) informou que elabora um requerimento à Prefeitura para obter detalhes sobre os serviços prestados pelo Instituto Áquila, além da lista de servidores que teriam participado de cursos. A vereadora Bia Alcântara (PT) declarou que também pretende questionar o contrato.

O modelo adotado em Cascavel tem se repetido em diferentes municípios do país com os quais o Instituto Áquila firmou contratos, revelando um padrão que levanta suspeitas sobre a lisura dos processos.

Em Pato Branco (PR), a Prefeitura firmou contrato de R$ 1,95 milhão com o Instituto Áquila em 2022, também por inexigibilidade de licitação. Embora a contratação tenha sido encerrada no início de 2023, a cidade foi premiada em duas categorias naquele mesmo ano.

Em Americana (SP), um contrato de R$ 2,5 milhões sem licitação firmado em 2022 levou o Ministério Público de Contas a questionar sua legalidade. O Tribunal de Contas do Estado apontou ausência de justificativas técnicas que sustentassem a dispensa do processo licitatório. Ainda assim, a cidade recebeu o título de “excelência” no mesmo período.

O Instituto Áquila nega qualquer influência no resultado do prêmio. Em nota à reportagem, afirmou: “O Instituto Áquila não interfere na seleção, avaliação ou premiação do ‘Prêmio Band Cidades Excelentes’, cuja condução é de responsabilidade exclusiva do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Não há relação entre a celebração de contratos com o Instituto Áquila e o resultado do certame, sendo as decisões da premiação independentes das contratações públicas”.

Quem é Paranhos?

Uma reportagem do DCM de 2024 informa que Leonaldo Paranhos da Silva (PL-PR), é sócio da empresa Vipar Construtora e Incorporadora LTDA desde 2022. A empreiteira, que tem como sócia sua filha, Vivian Crivelari Paranhos Calegari, teve uma evolução de patrimônio que foi de R$ 20 000 para R$ 4.420.000, ou seja, cresceu 221 vezes em 20 meses.

Essas informações constam em um dossiê que o Diário do Centro do Mundo recebeu. Parte dessas denúncias foi feita pelo ex-árbitro de futebol, ex-secretário de Esportes do Paraná e ex-deputado Evandro Roman (PP-PR) em um site chamado ParanhosLeaks.

Paranhos nasceu em Paraíso do Norte, no Paraná, e foi bóia-fria, pegando algodão e café. Entrou na militância estudantil em 1982, quando mudou-se para Cascavel, filiando-se ao MDB e permanecendo por 16 anos com o fim da ditadura.

Foi vereador, vice-prefeito e deputado estadual e, a partir de 2007, passou pelos partidos PTB, PTC, PSC até entrar no Podemos. Mudou-se mais recentemente para o PL de Bolsonaro. Presidiu CPIs na Assembelia Legislativa do Paraná. E então venceu duas vezes para prefeito de Cascavel em primeiro turno.

No ano de 2016 foi eleito e obteve 86.099 votos, 51,17% dos eleitores. Em 2020 foi reeleito com 71,73% dos votos. Ele divulga agora, em 2024, que segundo o Instituto IRG, ele tem 90% de aprovação no município.

O dossiê entregue ao DCM aponta um crescimento de patrimônio privado simultâneo à ascensão política de Leonaldo Paranhos. Em entrevista à mídia local, material de 2021, o prefeito estudava aumentar “o perímetro urbano” sem necessariamente atender ao tamanho da população da cidade.

Os jornalistas Lucas Neiva e Vanessa Lippelt, do site Congresso em Foco, informaram que uma denúncia anônima encaminhada no dia 26 de agosto de 2024 ao Ministério Público do Paraná acusou a Voepass de operar irregularmente no município de Cascavel.

Na mesma denúncia, é apontado o crime de responsabilidade por parte da Transitar, autarquia local de regulação no setor de mobilidade. A denúncia chegou 17 dias após o desastre aéreo de Vinhedo, local da queda do avião que partiu de Cascavel rumo a Guarulhos, em São Paulo.

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