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Terça-feira, 05 de Maio de 2026

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O Diabo mora ao lado. Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

O Diabo mora ao lado. Por Lia Sérgia Marcondes
Imagem: Montagem criada com IA/Folha Democrata.
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Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.

Que semana, meu povo! Bom a semana já começou com milico tentando furar o olho um do outro, continuidade da distopia estadunidense e rasteira do Congresso no governo. Só coisa “boa”, só coisa “boa”... 

Vamos por partes...

RINHA DE MILICO

Em mais um capítulo da série “Os milicos também choram”, na matinê do STF, o general Braga Netto resolveu usar seu direito de acareação não para esclarecer, mas para performar seu teatrinho chinfrim. Chamou Mauro Cid de mentiroso não uma, mas duas vezes. Cid só abaixava a cabeça e fazia cosplay de estátua da vergonha. Alexandre de Moraes assistia a tudo no camarote, sem liberar nem um teaser da sessão pro resto da imprensa. Coisa que, convenhamos, é uma pena. Para essa sessão, muita gente pagaria o pay-per-view.

O general quis mostrar serviço, mas esqueceu de que não precisa. Afinal, ele já está em cana desde o Natal passado, acusado de tentar obstruir a Justiça e de dar uma espiadinha nos depoimentos do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Agora ele jura que nunca entregou R$100 mil em uma sacola de vinho, muito menos discutiu plano de golpe em casa. A gente acredita, viu General? Sua pessoa estava lá apenas servindo uns biscoitos e um café, num encontrinho amigável com golpistas.

Na sequência, teve uma segunda rodada da Rinha de Milicos: Anderson Torres, o grande curador de minutas golpistas, frente a frente com o general Freire Gomes. Se alguém ainda duvidava que o golpe foi mesmo um PowerPoint de quinta, agora tem elenco, bastidores e bastantes versões conflitantes pra montar a série.

E pensar que tem gente com saudade da “ordem” dos tempos da Ditadura...

ALÔ? ALÔ? (*tuu tuu tuu*)

Eu falei Anderson Torres? Falei sim. E não é que ele teve a cara-de-pau (ou burrice) de apostar alto, sem ter cartas boas nas mãos? Explico. O ex-ministro pediu a quebra do sigilo telefônico do comandante da PM do DF, achando que ia se sair como o herói que tentou evitar o 8 de janeiro de longe, direto dos States. Resultado? A Polícia Federal abriu o sigilo, olhou, remexeu... e nada. Nenhum "oi", nenhum "socorro", nem um zapinho perdido. Só silêncio. Nem ligação de cobrança.

Torres jurava que tinha acionado “todo mundo”, mas parece que o conceito de “todo mundo” dele é beeeeem subjetivo. Não ligou nem pro delivery de pizza!

A tal cartada virou autoboicote e, agora, temos a imagem do Torres se enrolando no próprio fio do telefone imaginário. A coisa ficou feia pro lado dele, e pior ainda pros outros réus da segurança pública do DF, que agora estão no foco da reconstituição dos fatos. Já está sentindo o cheirinho da Papuda, Seu Anderson? A Disney vai ter que esperar uns anos...

BIG BROTHER TRUMP

E por falar na terra do Tio Sam, parece que a distopia Trumpista está se desenvolvendo de vento em popa. Se você tinha aí um desejo de estudar nos Estados Unidos (Nós ouvimos e não julgamos!), mas também não perde uma oportunidade de postar um meme. Talvez precise optar por um ou outro.

É que a embaixada dos EUA no Brasil anunciou que vai começar a vasculhar as redes sociais de quem pedir visto de estudante. Isso mesmo, estudante. Aquele ser humano que, em geral, mal tem grana pro xerox da bibliografia obrigatória, mas agora também precisa se preocupar com o que curte, compartilha e comenta.

Segundo o comunicado, os perfis dos interessados devem ficar abertos ao público durante todo o processo de análise. Ou seja, sua vida digital será o novo formulário DS-160. “Obter um visto para os EUA é um privilégio, não um direito”, diz a nota, num tom tão sutil quanto um muro de fronteira. O objetivo declarado? Segurança nacional. O subtexto? Você aí de mochila e dicionário pode ser uma ameaça em potencial, especialmente se retuitar o Noam Chomsky ou reclamar do capitalismo antes do café da manhã.

A checagem será “abrangente e minuciosa”. Curtidas em perfis suspeitos, vídeos de protesto, ou até um meme ruim... tudo será avaliado. Bem-vindo à era do stalking migratório! Se quiser ter uma mínima chance de passar na entrevista para a obtenção do visto, melhor apagar aquela foto do Che Guevara, parar de seguir páginas sobre “dessalinização de água em Cuba”, e deletar todo e qualquer meme sobre a CIA ou o FBI. O futuro pertence a quem edita seu passado. O Big Brother Trump está te observando!

Imagem: Montagem criada com IA/Folha Democrata.

BIG TECHS, TREMEI!

Já a distopia na qual a extrema-direita tenta transformar a Internet no Brasil, essa está com os dias contados. O Artigo 19 do Marco Civil da Internet está offline! Com placar de 8 a 3, a Suprema Corte decretou: se você é uma rede social e deixa discurso de ódio, ameaça golpista ou pornografia infantil rolando solto, agora vai pagar o pato. Adeus, isenção civil. Bem-vindo ao mundo real.

Agora não adianta mais fazerem a Maria de Fátima, se fingindo de santas, não!As plataformas vão ter que agir e remover conteúdos do ar ao serem notificadas diretamente por quem for atingido pela publicação, sem pestanejar. E mais: há uma lista VIP de conteúdos proibidões que precisam sair do ar ONTEM! Entre eles, atos antidemocráticos, racismo, transfobia, misoginia, terrorismo e incitação ao suicídio. Certos influenciadores vão precisar fazer uma faxina pesada em seus perfis...

A ministra Cármen Lúcia chamou as plataformas de “donas das informações”, Moraes acusou as big techs de operar fora da lei e Gilmar Mendes, pragmático, disse que o artigo 19 virou peça de museu. Dino, Fux, Barroso e Toffoli defenderam a possibilidade de agir sem depender da lentidão judicial.

Em resumo, agora é oficial: Facebook, “Xuitter”, Instagram e similares, terão todas que arcar com as consequências do que é publicado em suas timelines. O inferno são os outros, mas a indenização é da plataforma.

QUE BASE? A DA VIRGÍNIA?

Tinha um pessoal por aí que acreditava na lenda de uma “base governista”. Mas o governo Lula levou uma bela rasteira de “sua” base, ao tentar manter o decreto que reajustava o IOF. A tentativa virou pó na Câmara: foram 383 votos pela derrubada, sendo que mais da metade (62,9%) vieram de partidos com ministérios na Esplanada. O governo contratou a orquestra, mas ela só toca afinada com a oposição.

União Brasil, MDB, PSD, PP, Republicanos, PSB e PDT: todos com cargos, pastas e cafezinho no Planalto, mas votaram em peso contra a vontade do próprio governo. Se fidelidade fosse critério, essa galera já tava no Serasa da coalizão.  Enquanto isso, a base ideológica (PT, PSOL, PCdoB, Rede) segurou firme o “não”, mas ficou pequena diante da debandada de parlamentares que acharam que ministério é só vitrine, não aliança. A cereja do bolo? O PSB, partido do vice-presidente e dono de duas pastas, rachou bonito. Nem o núcleo da frente ampla escapou da fritura.

Não sei se vocês repararam, mas é melhor apertarem os cintos e segurarem firmes, porque a corrida presidencial de 2026 já comecou.

FLO-PA-DÍS-SI-MO

Domingão, trio elétrico, fascista gritando dentro e fora do trio, Jair Bolsonaro tentando parecer menos encrencado... e só 12,4 mil fiéis comparecendo. Pois é. O tão esperado ato bolsonarista na Paulista flopou bonito. Nem um quarteirão lotado! Até final de pelada de bairro tem muito mais público, hein?

Motivo? Bom, eles deram muitas desculpas: fim de mês, Uber caro, férias escolares, Flamengo jogando. Só faltou culpar o clima seco de inverno e o preço do milho da pamonha!

Com menos da metade do público do ato de abril (que também aconteceu em um fim de mês, e no mesmo lugar), teve deputando tentando cantar de galo de desafiar: “Quero ver a esquerda fazer um ato com 1/3 desse público!!”. Moço... Eu já vi enterro de indigente com mais adesão!!

Nos bastidores da extrema direita, o discurso “manso demais” de Tarcísio de Freitas desagradou. O governador de São Paulo subiu no palanque ao lado de Bolsonaro, atacou o PT, reclamou de impostos e fez o clássico chororô sobre juros altos. Mas... evitou, veja só, criticar Alexandre de Moraes e o STF. Já vimos este filme. Semana passada, inclusive, lá no STF.

Sem a presença de figuras  como Nikolas e Michelle, que tinham coisa melhor pra fazer, o fato é que o ato foi um fiasco, Tarcísio quis parecer presidenciável, Bolsonaro quis parecer forte, e o povo... bom, o povo não apareceu.

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...

E vamos de boa notícia, que nem só de amendoim e canjica vive o Homo brasiliensis. Precisamos de muito mais para aguentar esse rojão! E temos sim o que comemorar: a taxa de desemprego caiu, o número de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde histórico e a massa de rendimento atingiu os R$ 354,6 bilhões.

É isso mesmo que você leu: mais gente empregada, mais gente ganhando, menos desânimo e menos informalidade. A taxa de desocupação recuou para 6,2%, o menor índice desde tempos pré-pandêmicos. O número de desalentados (gente que tinha desistido de procurar trabalho) é o menor desde 2016. E o mercado formal continua aquecido, com quase 40 milhões de pessoas trabalhando com registro em carteira no setor privado. Faz o L, minha gente!!

Num país onde a precarização foi quase elevada a política pública, essa é daquelas notícias que merecem replay. O mercado se aqueceu, o rendimento cresceu e, veja só, até a esperança resolveu bater ponto.

É claro que ainda tem chão pela frente, desigualdades a corrigir, e uma penca de reformas pela frente. Mas hoje, o cafezim é brindado com uma certa dose de alívio (cuidadoso). Poderia dizer que até tem um gostinho de “tá melhorando”.

E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, o centrão gira, o caos cresce, e eu aqui: servindo cafezim e tentando não ser engolida pelo redemoinho de cinismo institucionalizado.

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