Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
Quando um crocodilo devora sua presa, suas glândulas lacrimais são pressionadas no ato de engolir. Então ele chora. É uma reação fisiológica, automática, sem nenhum resquício de compaixão.
Nas raras vezes em que vimos lágrimas nos olhos do excrementíssimo ex-presidente e réu, Jair Bolsonaro, elas não brotaram diante de 700 mil mortos na pandemia. Naquela época, quem esperava empatia recebeu deboche: “E daí? Não sou coveiro!”
Tampouco chorou quando enchentes devastaram 60 cidades na Bahia. Estava de férias em Santa Catarina, entre um jet ski e outro.
Bolsonaro falou mal dos nordestinos, dos pobres, dos refugiados, das populações pretas e indígenas, das pessoas LGBTQIAPN+, das mulheres. Nem sua única filha escapou: foi chamada de “fraquejada” pelo próprio pai.
Mas do que ele gosta? De armas. Dos militares. Da ditadura. Dos torturadores. De violência. De menininhas de 14 anos (com quem "pintou um clima"). E, acima de tudo, dele mesmo.
Então por que (ou por quem) chora o inelegível? Chora por ele mesmo.
Chorou ao perder as eleições. Chorou ao ser declarado inelegível. Chorou quando percebeu, de verdade, que poderia ser preso. E chorou às vésperas de receber seu novo acessório eletrônico, a tornozeleira que agora brilha no tornozelo de um homem acostumado a pisotear os outros.
Diante desse cenário, eu te pergunto: Quem tem pena de Jair Bolsonaro?

SE ME ATACAR, VOU ATACAR
No melhor estilo Inês Brasil, Lulinha guardou a skin “Paz e Amor” e equipou a armadura do sindicalista visionário que já mudou este país uma vez, e que não está com cara de quem vai deixar barato.
Se o Presidente Cheetus quer brincar de taxar, Lei de Reciprocidade nele! Aprovada e regulamentada pelo Congresso no dia 15. Achou pouco? Pois Lula mandou avisar que não vai facilitar a vida das Big Techs estadunidenses que atuam no Brasil: vai ter imposto, sim, e vai ser na régua da soberania nacional.
Em discurso poderoso no Congresso da UNE, em Goiânia, o presidente afirmou que as plataformas digitais vêm lucrando bilhões sem contribuir com nada. De quebra, espalham fake news, ódio e algoritmos que turbinam racismo, misoginia e violência. Como um jogador de Truco raiz, ele avisou: "Quando o cara truca, a gente tem que escolher: eu corro ou grito ‘seis’ na orelha dele. Eu estou jogando. O Brasil gosta de negociação."
ENQUANTO ISSO, NA SALA DA INJUSTIÇA
Enquanto o Planalto responde ao tarifaço com soberania e voz firme, o Senado brasileiro decidiu montar uma comissão temporária para “estreitar laços” com o Congresso dos EUA. Uma espécie de excursão diplomática que mistura agronegócio, lobby e selfie em frente ao Capitólio. (Eu acho que já vi esse filme antes...)
A missão é “suprapartidária”, mas quem lê a lista dos senadores (de Tereza Cristina a Marcos Pontes) percebe que o cardápio é o mesmo de sempre: boa vontade seletiva e café fraco. Se resolverem alguma coisa além do jet lag, já será lucro.
MENOS É MAIS
Seguindo a máxima famosa entre os chefs de cozinha, Lula continuou a semana em sua armadura brilhante e mostrou aos parlamentares que eles podem ser Inimigos do Povo, mas o Brasil ainda tem seus protetores.
Em tempos de tarifa de 50%, crise diplomática e filho de ex-presidente fugindo de ganhar tornozeleira igual à do pai, o Congresso achou uma prioridade urgente: aumentar o número de deputados federais. Por que não? Tudo o que povo quer: mais políticos na folha de pagamentos do País. Investir em Saúde e Educação pra que?
A proposta, empurrada por Hugo Motta e Davi Alcolumbre, previa mais cadeiras na Câmara e uma nova divisão entre os estados, mas sem previsão orçamentária nem fonte de custeio. Bestinha ele, não? Tão inocente...
Só que Lula vetou tudo. Com a caneta firme, embasado em argumentos jurídicos, fiscais e constitucionais. A resposta do governo foi clara: se quiserem insistir nessa maluquice, vão bater de frente com o STF. O PL é inconstitucional, é caro e é sem noção!
Por enquanto, o projeto volta pro Congresso, que pode derrubar o veto. Mas conhecendo a turma, é capaz deles tentarem nomear um deputado só pra cuidar dos vetos presidenciais...
TOC, TOC, TOC...
Três batidinhas na porta. Quem é? É a Polícia Federal. Chegou seu dia, Bozo!!
Jair Bolsonaro acordou com a PF na soleira e foi dormir com tornozeleira.
A Polícia Federal amanheceu na casa do ex-presidente no dia 18, bateu na porta, apreendeu documentos e dólares, e garantiu que o cidadão mais arrogante da República passasse a dormir com o celular carregando de um lado e o carregador da tornozeleira do outro. A cereja desse grande mousse? Ele está proibido de sair de casa à noite, de usar redes sociais, de falar com outros investigados (entre eles os seus filhos) e de interagir com embaixadores. O homem que tentou calar a democracia agora precisa pedir permissão até pra sair de casa depois das 19h.
Diante da sede da PF, o ex-presidente fez cara de vítima e chamou as medidas de “suprema humilhação”, alegando que o inquérito do golpe é “político” e que “nada de concreto existe ali”. Também disse que nunca pensou em fugir ou pedir abrigo em embaixada. Cê jura, mona? “Nóis” finge que acredita...
Por fim, no auge de seu delírio e negacionismo da própria condição, ele ainda disse que talvez negocie PESSOALMENTE com Trump a revogação do tarifaço. Isso mesmo: enquanto é réu por tentativa de golpe, Bolsonaro sonha em trocar tornozeleira por um bilhete aéreo internacional para os EUA. Coisa de quem ainda acha que o Brasil é a casa da mãe Joana e ele, o filho preferido. Perdeu, mané!
SEMPRE TEREMOS PARIS
O Presidente Cheetus ficou chateado que a Grande Mãe Pátria Brasileira não vai deixar seu filho delinquente sair para brincar no parquinho dele, com o Mickey, o Pateta e o Little Banana. E só por causa disso (atendendo aos apelos desesperados da ala “filhinho do papai”), o laranjão proibiu a entrada nos EUA do ministro Alexandre de Moraes e de outros membros do STF e seus familiares.
A decisão foi anunciada com pompa e recalque pelo secretário Marco Rubio, que acusou a Corte brasileira de promover “caça às bruxas” e violar os direitos de… americanos. Sim, parece um roteiro enlatado do cinema estadunidense, mas você leu certo.
A medida é resultado do lobby internacional de Eduardo Bolsonaro, que há meses faz tour por Washington vendendo a imagem de Moraes como vilão de HQ e pedindo sanções contra o Judiciário brasileiro. Deu certo. A retaliação é diplomática, mas o recado é político: se o Brasil não anistiar Jair Bolsonaro e os golpistas de 8 de Janeiro, o Império vai apertar.
Questionado sobre a revogação de seu visto pelos EUA, Xandão foi cirúrgico: “Sempre teremos Paris.”
Enquanto os filhotes do clã Bolsonaro vibram por terem conseguido barrar um juiz brasileiro de entrar na Disney, o recado de Xandão é claro: quem tem dignidade e passaporte diplomático, não gasta sola de sapato em terra de proto-ditador laranja. Eles ficam com a Flórida. O Brasil fica com a democracia.

Imagem: Criada com IA/Folha Democrata
A FUGA DAS GALINHAS (parte III)
Enquanto o pai ganhou um novo acessório eletrônico no tornozelo e toque de recolher, os filhos seguem achando melhor tomar um arzinho fora do Brasil. Desta vez, foi Flávio Bolsonaro quem embarcou discretamente rumo a Lisboa. Curiosamente, um dia antes da operação da PF contra o pai. A assessoria disse que ele está “em deslocamento”, mas o timing foi tão preciso que parece até que ele viu o mandado antes da própria PF.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro, que está há quatro meses nos Estados Unidos sob o manto da “perseguição política”, avisou que não vai renunciar ao mandato. Disse, em live, que ainda consegue “levar o mandato por mais três meses”. É o novo modelo de mandato: home office internacional.
Little Banana ainda zombou de Alexandre de Moraes, mandou recado para a PF e celebrou a suspensão de vistos de ministros do STF pelo governo Trump. Agora, suas ações o colocaram sob investigação no STF por... tentativa de sabotagem institucional.
Enquanto os filhos apostam no exílio improvisado, o pai lida com tornozeleira, recolhimento noturno e censura digital. Família unida é assim: quando um vai pra cadeia, os outros vão pra Miami.
DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...
Depois de uma semana meio House of Cards, brilhou uma estrela. E, sim, foi aquela mesma: a do Lula! Lula-la!!
A popularidade do presidente voltou a subir, colando na linha da desaprovação e trazendo fôlego para o governo. Coincidência? Nada. O povo viu o presidente reagir com firmeza ao ataque do Império Laranja, aprovou a retaliação e reconheceu ali um gesto de soberania de verdade.
A maioria dos brasileiros entendeu que a treta com Trump não é só birra diplomática: é disputa por respeito. E o Brasil respondeu em alto nível: com caneta, com lei e com postura de quem não aceita levar tapa e ainda dizer "obrigado".
Então bora celebrar: tem pesquisa boa, tem aprovação subindo, tem Lei da Reciprocidade sancionada e tem golpista com tornozeleira. Por hoje, a democracia venceu.
E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafezim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, o quando o Brasil se levanta, não tem laranja que dê conta!
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