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Sabado, 23 de Maio de 2026

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The Bolsonaros. Por Lia Sérgia Marcondes

Cafézin do Fim do Mundo

The Bolsonaros. Por Lia Sérgia Marcondes
Imagem: Montagem criada com IA/Folha Democrata
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Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.

Raulzito já cantava: “Hey, Al Capone, vê se te emenda. Já sabem do teu furo, nêgo, no imposto de renda.” E esta é uma lei que provavelmente seja universal, e se iguale na maior parte dos países: você pode até conseguir escapar de uma acusação de assassinato, mas dificilmente vai conseguir escapar da Receita Federal.

E é nesse espírito que a semana escancarou: de fofoca internacional a bunker de dinheiro em São Bernardo, passando por Pix milionário, chantagem com a pátria e até pastor metido a consigliere, a novela da política brasileira virou série de máfia. Só falta a trilha sonora do Nino Rota tocando enquanto a PF faz busca e apreensão. Vem comigo!

FOFOCA NOSTRA

O mundo parou para esperar os resultados do encontro entre Trump e Putin. Mas os colegas de Brics também compartilham as fofocas, e o Putin saiu do encontro com Trump e correu pro telefone, tipo vizinha que não aguenta esperar pra contar fofoca no portão. Ligou pro Lula, disse que foi “positivo”. Traduzindo: não teve acordo nenhum, mas dá pra vender como vitória diplomática. Foram 30 minutos de bate-papo, tempo suficiente pra passar o babado inteiro e ainda fechar com Lula repetindo o script da paz mundial.

No fim, parecia conversa de condomínio global: “foi bom, foi tranquilo, depois te conto os detalhes”. Enquanto isso, a guerra segue em modo loop infinito e o Brasil insiste em fazer cosplay de mediador internacional. Só falta a plateia que bata palma. Pelo menos os babados internacionais chegam em primeira mão no Planalto.

SINDICATO DOS MANDATOS

E o Senado que até tentou turbinar a Câmara com mais 18 deputados, mas não chegou lá porque o PT resolveu dar ré antes queimar o filme com o próprio Lula. O veto do presidente ao aumento das cadeiras agora tem grandes chances de ser mantido. Afinal, ninguém do partido vai bancar o papelão de votar contra o chefe.

Na prática, a jogada era pra salvar deputados ameaçados pela redistribuição do Censo de 2022. Mas, como 76% da população já disse “não” a esse puxadinho parlamentar, o recuo está soando bem menos como convicção e mais como medo de tomar vaia no plenário da opinião pública. STF já deu prazo, o TSE vai mexer no tabuleiro, e o Congresso segue no seu esporte favorito: empurrar com a barriga até a Justiça resolver. Vai vendo...

CÓDIGO DE SILÊNCIO

A coisa no Senado até parece estar sob controle, mas na casa vizinha os inimigos do povo não cansam. O Centrão, mestre em driblar a Lava Jato e desidratar leis anticorrupção, agora quer reforçar a blindagem em torno das bilionárias emendas parlamentares.

O acordo de Arthur Lira com bolsonaristas incluia ressuscitar a exigência de aval do Congresso pra processar deputado. Em outras palavras, querem voltar à era do “coleguinha julga coleguinha” e mexer no foro privilegiado. É a velha omertà parlamentar, reeditada versão 2025.

Só que, enquanto Lira articulava no escuro, o tal “pacote da impunidade” e a anistia tentaram ressurgir no colégio de líderes da Câmara. Felizmente, morreram mais uma vez na praia. Só PL e Novo bateram palma, isolados como capangas sem famiglia, enquanto o resto preferiu fingir que tinha coisa mais séria pra discutir.

Por ora, o projeto da blindagem segue como sempre: não avança no plenário, mas nunca sai da mesa de negociações. Em Brasília, a impunidade nunca morre, só troca de terno.

ACASO À LA MÁFIA

Às vezes a bandidagem tropeça e cai direto no colo da justiça. A PF estava atrás de um suspeito qualquer e, de lambuja, encontrou um operador com R$ 12,3 milhões em caixas e mais uns dólares de brinde, tudo em pleno esquema de São Bernardo do Campo.

O sujeito cuidava até das mensalidades de medicina da filha do prefeito afastado. Um caporegime dedicado, pagando faculdade com dinheiro público. Foi tipo um encontro casual: “tropecei e achei um bunker de grana”.

Mensagens e comprovantes ainda ligam o caixa-preta ao prefeito Marcelo Lima, ao primo presidente da Câmara e até suplente de vereador. Uma verdadeira famiglia paulista, com repartição de propina no Paço Municipal. Se Al Capone caiu por causa do imposto, esses daqui tropeçaram na própria pilha de dinheiro.

MÁFIA DIGITAL

No submundo das redes sociais, até a famiglia da política brasileira já percebeu que o jogo tá descontrolado. Primeiro veio o vídeo de Felca sobre a adultização de crianças, que botou fogo no debate. Na sequência, Hugo “Ligeirinho” Motta atropelou a oposição e passou a urgência do PL 2628 em segundos (sob os gritos de “Censura!” dos bolsonaristas).

No dia seguinte, o projeto foi aprovado, rebatizado de “ECA Digital”, obrigando as plataformas a criarem mecanismos de proteção e freios contra conteúdos nocivos a menores. A chiadeira da oposição rendeu alguns ajustes, mas o essencial passou: freio na lógica do engajamento a qualquer custo.

O governo, por sua vez, aproveitou o embalo pra preparar seu próprio PL das Big Techs, ainda mais duro, com multas de até 10% do faturamento e possibilidade de suspensão das plataformas em caso de descumprimento generalizado. A dúvida é quem vai fiscalizar. Fala-se em criar uma agência nova ou turbinar a ANPD, mas até agora tudo é promessa. E, mesmo que ande, a lei só passa a valer de verdade em um ano.

No fim, a guerra digital virou coisa de capos disputando quem manda no algoritmo, quem regula a mesa e quem fica de fora do banquete. Só não podemos esquecer que, nesse momento, o algoritmo é o capo di tutti capi.

Imagem: Montagem criada com IA/Folha Democrata

FAMILÍCIA EM GUERRA

Nem toda família é unida. As mensagens extraídas do celular do Inelegível, divulgadas essa semana pela PF, mostraram que não é muito diferente com a “familícia”.

Aparentemente, Little Banana fez de tudo pra sabotar Tarcísio de Freitas, a quem chamou de “ingrato” e acusou de só pensar nas eleições de 2026. Pior: trabalhou até com gringo pra convencer os EUA de que só Jair poderia ser “o capo” da direita brasileira. O medo era perder o monopólio do clã, que já começa a rachar como pizza requentada.

As mensagens ainda revelam que a relação pai e filho é bem menos “família tradicional” e muito mais briga de boteco. Além de adicionar o confinado domiciliar na lista dos ingratos de sua vida, Dudu Number Three o próprio pai ir tomar em um lugar nada higiênico. Eu prefiro usar copos.

Entre ofensas e puxões de orelha, ainda tentaram manobrar o STF, poupando Gilmar Mendes e sonhando em puxar processos para André Mendonça. Estratégia de famiglia: um bate, o outro afaga, mas o enredo continua de novela ruim.

CAIXA DOIS, TRÊS... QUARENTA E QUATRO

Enquanto pregavam moralidade na frente das câmeras e nos palanques, parece que o caixa da familícia era mais movimentado do que lavanderia express. A PF descobriu que Jair movimentou R$ 44 milhões em um ano, sendo que R$ 30 milhões foi em um só ano, e quase metade via Pix. Tudo muito além do salário de ex-presidente, claro.

A engenharia financeira incluía Michelle e Eduardo, cada um funcionando como “laranja de estimação” para esconder repasses e driblar bloqueios judiciais. Foram milhões enviados pra Michelle às vésperas de depoimentos e dois milhões pro Eduardo que logo sumiram num câmbio para os EUA.

A representação já pede bloqueio de bens e quebra de sigilos, e o STF avalia se a família toda pode ser enquadrada em organização criminosa. Até Al Capone coraria diante de tanto Pix sem nota fiscal. Cuidado, famiglia... Quem derrubou ele foi a Receita Federal.

Imagem: Montagem criada com IA/Folha Democrata

O SEQUESTRO DA PÁTRIA

A gravação com Malafaia deixou claro: Bolsonaro não defende o Brasil, defende a própria pele. Disse sem rodeios que “sem anistia não tem negociação sobre tarifas”. Traduzindo: o país vira refém até que ele seja perdoado. É a lógica do sequestro político — a economia, a soberania e até o destino de governadores servindo de moeda de troca para a liberdade do capo.

Nunca um ex-presidente admitiu de forma tão escancarada que preferia ver a nação perder empregos e renda a abrir mão da própria blindagem. O suposto “patriotismo” bolsonarista se revela chantagem pura: resolve a anistia, resolve tudo. Não resolve, já era. O Brasil, algemado, virou refém do chefe da quadrilha.

CONSIGLIERE DE PÚLPITO

Aparentemente, Silas Malafaia esqueceu seu personagem de pastor e assumiu de vez o papel de consigliere ruidoso. Foi alvo da PF, perdeu celular e passaporte, e reagiu como personagem de faroeste bíblico: chamou Moraes de “criminoso”, comparou a PF à Gestapo e prometeu que o ministro “vai cair”.

Entre um culto e outro, ele ainda arrumou tempo para posar de perseguido, com telões exibindo “estamos juntos, pastor” e fiéis erguendo placas como se fosse show gospel da máfia. Áudios encontrados em seu celular revelaram adjetivos nada cristãos contra Dudu Number Three, intrigas com Valdemar Costa Neto e até pitacos em disputas internas do PL.

A reação de Malafaia aos críticos evangélicos foi chamá-los de hipócritas e lembrar que até apóstolo erra palavrão. No fim, o suposto “porta-voz de Deus” agiu como um capanga mafioso, coordenando narrativas e pressionando juízes. A pergunta que eu me faço é: ele discursa em um púlpito de igreja ou num gabinete de guerra?

DE HOJE EM DIANTE, SÓ QUERO BOAS NOTÍCIAS...

Depois de levar rasteira na CPMI do INSS, Hugo “Ligeirinho” Motta resolveu se levantar com prato cheio: pautou a isenção do IR até R$ 5 mil e passou a urgência no grito. Jogada esperta: ganha ponto com o povão e ainda testa quem é maluco de votar contra dinheiro no bolso do trabalhador.

É também um recado pros bolsonaristas que tentam sabotar sua liderança: “podem chiar, mas eu ainda decido o cardápio”. No fim, entre tretas de bastidor e puxadas de tapete, o que vale é que nessa semana pudemos servir mais uma boa notícia, nesse café.

E por hoje é só, minha gente! No país da piada pronta, a gente segue servindo cafézim forte, com uma colherinha de bom humor. Até porque, crime perfeito só existe nas séries da TV. Aqui na vida real, o roteirista pode ser trapalhão e a justiça lenta, mas sempre podemos contar com a burrice criminosa.

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