A Folha Democrata recebeu a informação neste domingo (3), em plena COP28, de que a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) lançou a Bancada do Planeta no Pavilhão Parlamentar Globe em Dubai. A proposta inédita pretende congregar lideranças políticas mundiais em defesa da natureza.
A iniciativa quer reunir povos indígenas e tradicionais, da biodiversidade e no combate a crise ambiental e mudanças climáticas. E há objetivos traçados pelo grupo.
Para eles, o principal objetivo da Bancada Pelo Planeta é contribuir para que os países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) cumpram com os compromissos firmados em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) em direção às metas do Acordo de Paris.
O grupo também buscará fortalecer projetos e propostas para o COP30 tanto na formação e capacitação, em parceria com a sociedade civil, para ampliar a capacidade de influência da Bancada nos processos de organização e quanto nas negociações da conferência em Belém, no Pará.
Esssa Bancada do Planeta irá se organizar em torno de sub-campanhas regionais e globais em pelo menos três frentes.
Primeiro eles lembram: A Amazônia enfrenta uma Emergência Climática sem precedentes, convocando parlamentares dos nove países latino-americanos que compartilham essa rica floresta em seu socorro.
No eixo regional, o intuito da campanha é mobilizar a comunidade global para a salvaguarda da Amazônia e de seus habitantes. Atualmente, a região passa pela pior seca de sua história, enquanto o Brasil enfrenta a mais alta temperatura já registrada, atingindo 53°C no Rio de Janeiro.
Esse fenômeno ameaça se repetir e se propagar, caso medidas concretas não sejam implementadas contra os principais agentes das mudanças climáticas, como desmatamento e exploração extrativista, especialmente de petróleo e gás.
Primeira frente é: A transição energética deve ocorrer de maneira justa, considerando os impactos da mineração na Amazônia e protegendo territórios indígenas e áreas preservadas. A ciência já evidenciou que sem a proteção da Amazônia, manter a temperatura global abaixo de 1,5ºC é impossível.
A segunda frente da campanha concentra-se em um tema central das conferências climáticas: financiamento. A pressão recai sobre a implementação efetiva de medidas de acesso e financiamento direto de fundos climáticos para povos indígenas e comunidades tradicionais. Comunidades de todo o mundo clamam para que os fundos prometidos pelos governos e entidades realmente alcancem aqueles que são os verdadeiros guardiões das florestas, protetores do clima e da biodiversidade. Surpreendentemente, apenas 7% dos fundos globais chegam diretamente às organizações dessas comunidades.
A terceira iniciativa expande seu alcance global em defesa das águas, rios e nascentes em todo o planeta. A mensagem é clara: "Proteção dos Rios e Nascentes: Parem a guerra contra as águas". Especialistas alertam que, se a ação não for tomada imediatamente, dois terços da população mundial poderão enfrentar escassez de água potável nos próximos dois anos, afetando bilhões de pessoas. Esta frente também visa a primeira fase da campanha pela regulamentação do crime de Ecocídio pelos países membros, com foco inicial nos rios. O momento exige ação coordenada e urgente para proteger nosso precioso recurso hídrico.
Mais detalhes estão no Instagram da deputada. Célia é professora ativista indígena do povo Xakriabá em Minas Gerais. Ela é a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal por Minas, com 101.078 votos.
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