Por Pedro Zambarda, editor da Folha Democrata.
No momento que escrevo este texto, Jair Bolsonaro ainda não discursou na Avenida Paulista. Bandeiras de Israel já são erguidas por seus apoiadores. Na rua, muitos deles falam em "ditadura do Judiciário", embora não tenham cartazes contra Alexandre de Moraes. Há até uma máquina de realidade virtual.
O evento de Bolsonaro neste dia 25 de fevereiro, dia do meu aniversário, é algo como o "Lollapalooza para fascistas".
A aglomeração na Avenida Paulista se opõe ao evento gradioso da Petrobras no Rio de Janeiro, no MAM, para anunciar o seu maior edital cultural da história. Jean-Paul Prates, o presidente da estatal, enquadrou o investimento em cultura na Era Bolsonaro como "deprimido" em R$ 20 milhões e promete colocar R$ 250 milhões no setor.
Focado em apresentações culturais, minoritárias e de perferia, além do audiovisual e até para os games.
Presente no Rio, Lula começou reforçando a fala de Prates, Margareth Menzes e da atriz Leandra Leal, criticou as apostas esportivas e bets chamando primeiro de "jogos digitais" e depois comparando com "jogo do bicho". Para finalizar com uma fala que emocionou a todos os presentes.
O chanceler Mauro Vieira, com cara de poucos amigos, estava ali presente e deu um spoiler do que seria falado.
"Da mesma forma que eu disse quando estava preso que eu não aceitaria acordo para sair da cadeia e que eu não trocaria a minha liberdade pela minha dignidade, eu digo: não troco a minha dignidade pela falsidade. Eu sou favorável à criação do Estado Palestino livre e soberano. Que possa esse Estado Palestino viver em harmonia com o Estado de Israel. O que o governo de Estado de Israel está fazendo não é guerra, é genocídio. Crianças e mulheres estão sendo assassinadas. Não tentem interpretar a entrevista que eu dei. Leiam a entrevista e parem de me julgar a partir da fala do primeiro-ministro de Israel".
Um presidente que defende a população chacinada pela máquina de guerra de Israel financiada pelos Estados Unidos tem uma grandiosidade que o "mito" jamais terá, chorando ou não com seus apoiadores na Paulista.
Para transparência, Carlito Neto e a Folha Democrata foram convidados pela Petrobras e viajaram ao Rio de Janeiro para cobrir o evento.
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