Por Lia Sérgia Marcondes, de Portugal.
A culpa é do Erasmo Carlos! Maldita hora que ele compôs aquela música insuportavelmente condescendente, em que romantiza a jornada dupla, tripla das mulheres e coloca os homens em uma posição ridiculamente infantilizada, como se ter um pênis tornasse alguém incapaz de se tornar um adulto funcional.
"(...)um filho quer seu peito, o outro já reclama a sua mão, e o outro quer o amor que ela tiver. Quatro homens dependentes e carentes da força da mulher." Força? Meu ovário esquerdo! A gente não quer ganhar o troféu de força, não. Em uma sociedade onde constantemente tentam nos destruir, a mulher aprende, desde cedo, a ser uma verdadeira sobrevivencialista. Se houver um apocalipse zumbi, qual a dúvida de que as mulheres serão a maioria dos sobreviventes? Duvida?
Talvez você já tenha ouvido falar no “Prêmio Darwin”. Um “prêmio” simbólico dado a pessoas que morreram de formas estúpidas. A “honraria” começou a ser atribuída em 1991. Um estudo feito em 2014 avaliou que cerca de 88% dos prêmios, até aquela época, tinham sido atribuídos a homens. A gente sobrevive.
E é justamente esse o problema...
Neste mês que usualmente é dedicado às mulheres, temos sido bombardeadas por ataques misóginos por todos os lados. De feminicídio a pedidos de certa “missionária” religiosa para que as mulheres perdoem se tiverem sido abusadas. Então vamos começar o resumo da semana falando daquelas cuja profissão é a mais antiga do mundo, e que já são altamente marginalizadas na sociedade, além de serem mais vulneráveis a abusos.
O deputado Kim Kataguiri (UNIÃO) decidiu que quer criminalizar a presença de profissionais do sexo nas ruas. A prostituição no Brasil é uma ocupação profissional reconhecida pelo Ministério do Trabalho desde 2002, que não possui restrições legais enquanto praticada por adultos. Pensando bem, não parece estranho o quanto Kataguiri está incomodado com essas mulheres que oferecem seus serviços na rua?
Segundo ele, a prostituição em vias públicas interfere diretamente no “direito de locomoção das outras pessoas” e representa uma “verdadeira privatização do espaço público”. Pela lógica do deputado, o próximo passo seria criminalizar camelôs, pipoqueiros, sorveteiros e até mesmo aquela “turminha simpática” que bloqueia a passagem supostamente pregando a “palavra de Deus”, mas que só fala do Diabo. É isso mesmo, deputado? Não me leve a mal... Eu só estou tentando entender aqui.
Fiquei meio confusa com essa notícia, mas deve ser porque eu sou mulher. Afinal, de acordo com o prefeito de Iúna (ES), Romário Vieira (PODE), nós mulheres somos especialistas mesmo é em lavar a louça e limpar a pia. Espero que a esposa dele concorde. Na idade dele, dormir no sofá não é uma boa ideia.
E para não dizer que não falei das flores, nesta semana alguém fez um levantamento sobre um famoso jogador de futebol e percebeu que ele valoriza muito as mulheres da vida dele. Pelo menos a irmã... Desde 2015, ele sempre falta ao trabalho para estar presente no aniversário dela. Isso é que é um irmão dedicado!

E nós não temos um minuto de paz, minhas senhoras e senhoritas! Porque aquele Juradir, aquele que um dia foi presidente do maior país da América Latina, aquele mesmo que mal sabe rimar Lé com Cré e entende que todas as mulheres da Esquerda brasileira são “petistas”, voltou a jogar suas pedras.
“Você pode ver, não tem mulher bonita petista, só tem feia. (...) alguém me xinga, mulher né… Eu olho para a cara dela, e ‘nossa mãe’… Incomível.”, disse o “galã”. Em nomes das “petistas”, eu posso dizer que estamos todas profundamente agradecidas por não despertar nenhum tipo de atração no ilustríssimo Jurandir. Eu ouvi um “Amém”? Olha, a cada dia que passa eu concordo ainda mais com a fala da médica Marcela Mc Gowan, ex-BBB: “Autoestima de homem tinha que encapsular e vender.”
Mas aqui vou inocentar o Erasmo... O mundo já era patriarcal, machista e misógino desde o dia em que ele nasceu até o dia de sua morte, e foi isso que ele aprendeu. Cabe à nossa geração (Millennials) começar a mudança, educando a nós mesmas e aos nossos filhos para que não cresçam como adultos infantilizados e desfuncionais, incapazes de fazer qualquer tarefa básica sem que uma mulher lhes aponte o que e como fazer.
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